01/06/2015 / Em: Clipping

 


Cresce a oferta de cursos em que o aluno elabora o próprio currículo   (Folha Online – Educação – 01/06/15)

Numa mesma sala de aula, um quer ser engenheiro, outro quer ser matemático, e um terceiro ainda nem pensou nisso. Todos estão na universidade, mas ainda não precisaram escolher a profissão.  No exemplo acima de ensino integrado, retirado do curso de ciência e tecnologia da UFBA (Universidade Federal da Bahia), a opção pela carreira só é feita depois de uma primeira etapa de formação, quando o aluno já teve contato com diferentes áreas do conhecimento. A oferta desse tipo de graduação, que pode ser um bacharelado ou uma licenciatura interdisciplinar, está crescendo.  Em 2006, a então recém-criada UFABC (Universidade Federal do ABC) era a única com um curso do gênero. Hoje, ao menos 21 federais oferecem a modalidade.  “É um primeiro passo para o Brasil se alinhar à formação que sempre foi difundida no exterior”, afirma o físico Leandro Tessler, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).  Yuri Machado, 23, que estuda na UFABC, diz que sempre quis ser engenheiro, mas tinha dúvidas sobre a especialidade. “Montei a grade com matérias de elétrica, aeroespacial e mecânica e, após três anos de aula, escolhi engenharia de automação.”  Riviane de Almeida, 33, aluna da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia), diz que a necessidade de escolher a carreira antes de pisar em uma faculdade, acabou atrapalhando sua vida. Nos últimos 15 anos, testou seis cursos, de economia a engenharia de alimentos, mas não concluiu nenhum.  “Agora, faço humanidades e, com essa possibilidade de transitar por várias áreas, decidi ser advogada”, diz.  Samuel Cardoso, 20, iniciou sua formação em letras e literatura em Santarém (PA) e deu sequência ao curso em Portugal. “Como a grade do bacharelado interdisciplinar é móvel, vou aproveitar meus estudos sem precisar refazer as disciplinas no Brasil”, diz.  Em São José dos Campos (SP), Paulo Burke, 23, concluiu o primeiro ciclo do curso em ciência e tecnologia na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e, em vez de se especializar já na graduação, iniciou um mestrado. “É outra possibilidade.”