01/07/2015 / Em: Clipping

 


USP e Unicamp agora estão no Coursera   (O Estado e S.Paulo – Educação – 30/06/15)

Renomadas instituições brasileiras já organizam cursos gratuitos a distância, em português, por meio da plataforma americana de ensino online Coursera. Desde maio, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) têm aulas sobre temas como finanças e empreendedorismo. Já a Fundação Lemann, organização sem fins lucrativos focada em educação, oferece especialização para gestores escolares. A grade de cursos disponíveis varia e alguns aguardam demanda para ter início. As aulas são flexíveis e podem ser feitas a qualquer momento. Para isso, o interessado deve se cadastrar no coursera.org, site com 14 milhões de usuários em 122 países. A plataforma já tem aulas de instituições como a Universidade de Londres, Stanford, Princeton e Yale. O Brasil é o quinto país do mundo que mais usa a plataforma. O analista de Business Intelligence Eduardo Pacheco, de 25 anos, ficou animado com a novidade. “Farei algum curso na minha área quando surgir essa possibilidade.” Pacheco faz graduação em Direito na USP e já experimentou aulas de universidades estrangeiras. “A plataforma privilegia a liberdade, você estuda o que tem interesse. Funciona bem alinhado com o dinamismo do nosso tempo.” O publicitário Guilherme Gonzales, de 34 anos, também elogia a facilidade da plataforma. “É muito intuitiva.” Ele mora em Porto Velho, Rondônia, e fez um curso de língua espanhola a distância pela Universidade Autônoma de Barcelona.



Exame médico   (Folha de S.Paulo – Editorial – 01/07/15)

A preocupação em garantir a boa qualidade da formação universitária no país deveria atingir o paroxismo nos cursos de medicina. Equívocos de profissionais desse campo, afinal, podem ocasionar prejuízos irreparáveis. Passa longe disso, porém, a realidade brasileira. Não há um teste nacional para o ingresso na carreira médica, a exemplo daquele a que são submetidos os que desejam exercer a advocacia. A implementação desse tipo de prova depende de alteração da legislação federal. O Congresso, todavia, não parece interessado em fazer as modificações necessárias; há mais de dez anos tramita um projeto para instituir teste com esse fim. Enquanto não prospera nada parecido, propõem-se alternativas. A mais recente partiu do CFM (Conselho Federal de Medicina) e da Abem (Associação Brasileira de Escolas Médicas) e visa a estabelecer parâmetros de referência para os cursos de medicina.  As entidades criaram um sistema de avaliação que certifica faculdades que cumprirem critérios em itens como infraestrutura, capacitação de docentes e projeto pedagógico. O modelo, de adesão voluntária, começa a ser testado em 20 instituições –são 241 no país. O sucesso da iniciativa, contudo, depende da procura pelo selo de qualidade na hora de escolher uma faculdade. Se essa não for uma questão importante para os alunos, é difícil imaginar que as escolas venham a se desdobrar para obter a certificação. Nesse sentido, parece mais promissora a proposta do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de SP). A entidade vem se articulando com hospitais, planos de saúde e cursos para que a nota da prova aplicada anualmente a todos os formandos do Estado conte como critério para a contratação de médicos e seleção de residentes. É a maneira encontrada pelo conselho para dificultar a vida dos reprovados no exame –55% no último realizado–, que hoje também têm direito ao registro profissional. Já se manifestaram a favor da iniciativa o hospital Albert Einstein, as operadoras Unimed de SP e as faculdades de medicina da USP e da Unifesp. A medida, de todo modo, tem sua abrangência limitada e depende de adesões para ter efeito.  As propostas são bem-vindas, mas é forçoso reconhecer que não resolvem o problema da qualidade dos médicos, um desafio de monta para um país que ainda nem venceu a batalha da quantidade.