02/01/2018 / Em: Clipping

 

O que esperar para a educação brasileira em 2018 (G1 – Educação – 02/01/2018)

 

No que se refere às formas de ensinar, em 2018 o foco estará em como avançar na implementação das metodologias ativas, que são realidade em instituições de ponta dos EUA, Ásia e Europa. Nelas, os estudantes assumem um papel mais efetivo na gestão da própria aprendizagem. Fazem tarefas antes de cada lição e encontram-se com o professor para receber orientação em atividades mais sofisticadas, como estudos de casos e dinâmicas que requerem o domínio de conhecimentos prévios. O processo é personalizado, interativo e motivador. Em geral, resulta em melhor desempenho acadêmico. Quem mantiver somente as aulas tradicionais vai gastar mais tempo para ensinar e aprender as mesmas coisas, e acabará ficando para trás. Nas políticas educacionais voltadas para o ensino fundamental, o esforço visará à implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Isso dependerá das redes estaduais e municipais, como também do engajamento das escolas para adaptar a BNCC à realidade local. Um dos pontos mais críticos é a meta de alfabetizar as crianças em dois anos, o que requer uma revisão da didática, professores qualificados, o envolvimento das famílias e ações sociais de suporte. Para o ensino médio, o maior gargalo da educação brasileira, quase nada foi feito na última década. O resultado aparece nas taxas alarmantes de abandono escolar. Dos 51,6 milhões de brasileiros entre 14 e 29 anos de idade, quase metade não completou a formação (IBGE, 2017). É o retrato de um sistema que perde os jovens: um dia eles chegaram a estar na sala de aula, mas não voltam mais. Como resposta a esse desafio surgiu a proposta do “novo ensino médio”, sancionado no início de 2017; mas ele depende da base curricular comum para esta etapa da formação (que ainda está em discussão) e só atingirá as escolas em 2021. Há muito caminho pela frente, ainda mais considerando a infeliz tradição de descontinuar políticas educacionais a cada mudança de governo. Como vemos, tanto no ensino fundamental como no ensino médio, o rumos da educação ainda são incertos. No ensino superior, também não se pode falar de uma política definida. A situação das universidades públicas está à beira do colapso. Não há recursos para o funcionamento diário, as bolsas de pós-graduação estão ameaçadas, o investimento em laboratórios, pesquisa e inovação cessaram e, em algumas instituições, os docentes estão sem receber salário. Um caso emblemático é o da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), onde a mistura de redução orçamentária, má gestão e corrupção levou à suspensão de atividades por total falta de condições. Enquanto isso, no setor privado, os grandes grupos alcançam as maiores arrecadações da história, avolumadas também pelo crescimento da educação à distância. As fusões continuam, num mercado ainda pulverizado. Deveria ganhar importância, na pauta deste ano, a necessidade de avaliações mais severas, tanto das instituições como dos graduandos – afinal, nem todas as faculdades trabalham com o rigor que a formação de um profissional requer. Um cenário de tantas incertezas ainda será atravessado pelas eleições do segundo semestre. No discurso dos candidatos, como sempre, não faltarão promessas de investir na educação e valorizar os professores. Resta fazer as escolhas corretas para que este possa ser o ano em que, finalmente, comecemos a realizar um sonho ainda tão distante dos brasileiros: o de uma escola pública de qualidade, que acolha todas as crianças e as ajude a recuperar a esperança.

 


 

Vestibulandos fazem curso intensivo no período de festas de fim de ano (Investimentos e Notícias – Educação – 28/12/2017)

 

A redação ainda é um assunto que tira o sono de muitos estudantes, sobretudo pelo peso de quase 20% nas notas finais dos mais concorridos vestibulares do país. Com a chegada da segunda fase das provas da Fuvest e Unicamp, a serem realizadas em janeiro, cerca de 120 alunos estão intensificando os seus estudos durante as férias no Laboratório de Redação – Adriano Chan ( Av. Paulista, 807). Um dos focos principais das aulas está na preparação dos alunos para as diferentes exigências dos examinadores das provas de redação destes dois vestibulares. Porém, o diretor do Laboratório de Redação, Adriano Chan – um dos principais nomes do assunto no país, formado em Letras com ênfase em Latim e Português, e especialização em Linguística e em Filosofia, mestrado em Comunicação – faz uma ressalva importante: “Em primeiro lugar, para as duas provas, os alunos devem deixar totalmente de lado o estilo de redação utilizado para o Enem”. Fuvest x Unicamp – No Laboratório de Redação os alunos têm a oportunidade de focar no estilo de redação esperado em cada vestibular. O professor explica que “na Unicamp o aluno deve expandir o tema da coletânea – conjunto de dois ou três textos relacionados ao tema proposto -, e interpretar os seus dados”. Ele completa ressaltando que “a Unicamp não dá grande enfoque no repertório do candidato, centrando a avaliação na leitura do texto. Há varias gêneros de textos que podem cair e não se podem usar fórmulas pré-concebidas. Já para a Fuvest, a expectativa dos examinadores é diferente. “A Fuvest foca a análise no assunto debatido e avalia a funcionalidade do repertório do candidato, levando em conta o que ele conhece sobre o tema. E os alunos devem sempre realizar a prova da Fuvest utilizando as técnicas de dissertação”. Vale relembrar que, para ambas as provas, a correta utilização da gramática da língua portuguesa é fundamental. O curso intensivo comandado por Adriano Chan ainda revela aos alunos inúmeras técnicas e dicas para sucesso nos dois vestibulares. São expostos em sala de aula temas como utilização das teses, a diferença entre os métodos dedutivos e indutivos, entre muitos outros assuntos.

 


 

Retrospectiva 2017: veja os fatos que marcaram o mundo da Educação (Quero Bolsa – Dicas e Curiosidades – 27/12/2017)

Quando o fim do ano se aproxima, a tendência de muita gente é parar e avaliar como foram os dias e os acontecimentos que marcaram a vida das pessoas naquele período. Com a Revista QB não foi diferente. Foi difícil deixar passar em branco uma retrospectiva 2017 considerando o mundo da Educação. Preparado? Pronto para relembrar aquilo que teve uma uma grande repercussão nesse universo neste ano? Dê só uma olhada! A Reforma do Ensino Médio foi discutida com o aumento da flexibilidade da grade curricular. O novo modelo traz para o estudante a possibilidade de escolha da área de conhecimento em que ele deseja se aprofundar. O Enem sofreu algumas mudanças, entre elas, a aplicação em dois domingos e o fato de que o exame não mais garante a certificação do Ensino Médio. Isso voltou a ser responsabilidade do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). A crise financeira na Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) se agravou com atrasos de salários dos funcionários e suspensão da retomada das aulas. O tema de redação do Enem (Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil) pegou muitos candidatos de surpresa. A polêmica sobre zerar ou não a redação daqueles que desrespeitassem os Direitos Humanos também surgiu este ano. O governo anunciou novas regras para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Entre as principais novidades para 2018 estão as formas de pagamento e as taxas de juros. O vestibular da Fuvest, um dos maiores do país, passou a contar com duas novas graduações: Medicina, em Bauru, e Biotecnologia, em São Paulo. Além disso, há reserva de vagas para alunos de escolas públicas e para os autodeclarados pretos, pardos e indígenas A USP perdeu a liderança para a Unicamp, que se tornou a melhor universidade brasileira em ranking de universidades do Brics. A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) foi homologada pelo MEC (Ministério da Educação), trazendo o conjunto de aprendizagens comuns a todos os estudantes e orientando os currículos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. O Ensino Superior passa por um momento delicado e algumas universidades particulares dispensaram seus professores.

 


 

Por que a concorrência da Unicamp é maior do que a de Harvard (Gazeta do Povo – Educação – 26/12/2017)

Numericamente, a disputa por uma vaga na universidade brasileira é mais acirrada do que a da instituição americana; diferenças na seleção explicam

A Unicamp nem mesmo aparece no ranking das 1.000 melhores universidades do mundo da Times Higher Education.  Mas, pelo menos na concorrência, ela é comparável às primeiras colocadas. Para o próximo vestibular, serão 73.498 candidatos disputando 3.340 vagas na universidade paulista. Ou seja: apenas 4% dos inscritos serão aceitos. O nível é menor do que o de universidades americanas de ponta, como Stanford (4,7%), Harvard (5,1%), Princeton (6,4%), e o MIT (7,2%). Na USP, a disputa também é acirrada: serão 137.581 candidatos disputando 8.402 vagas, o equivalente uma taxa de aceitação de 6,1%.  Outras federais têm taxas um pouco mais elevadas, mas ainda comparáveis à de boa universidades americanas: a UFPR (9,8%) tem concorrência bem menor do que a da prestigiada Cornell (14%). É bom lembrar que esses números levam em conta todos os cursos. Quando analisados apenas os mais concorridos, o funil das universidades brasileiras é muito mais estreito: apenas 0,3% dos candidatos ao curso de Medicina na Unicamp são aprovados, por exemplo. Mas, se essas instituições estrangeiras são tão mais prestigiadas, e se recebem candidatos do mundo inteiro, por que não são são mais concorridas do que a Unicamp? Existem três motivos para isso.

1) O sistema americano filtra os candidatos sem chance de aprovação

Como não existe vestibular nos EUA, o aluno precisa fazer uma prova-padrão (SAT ou ACT). Com base na nota que obtém, ele já consegue ter uma boa ideia de quais universidades podem aceitá-lo. Além disso, o rendimento no ensino médio (medido pelo chamado GPA) também é essencial no acesso às melhores instituições de ensino. Qualquer coisa longe da perfeição costuma impedir o acesso a Harvard. Resultado: os alunos com notas ruins ou medianas nem mesmo tentam entrar nas universidades mais prestigiadas, o que funciona como um filtro prévio e reduz a concorrência.

2) O custo

Apesar de oferecer bolsas, Harvard é uma instituição cara (um ano de estudos custa, em média, R$ 230 mil) – ao contrário das federais brasileiras, que não cobram mensalidade e têm uma taxa de inscrição relativamente modesta. Ou seja: não custa (quase) nada tentar.

3) A insistência dos brasileiros

É comum, no Brasil, que estudantes fiquei dois ou três anos dedicando-se apenas ao cursinho pré-vestibular depois de terminarem o ensino médio. Isso aumenta o número de concorrentes em cada vestibular. Nos EUA, mesmo que não seja aceito na sua primeira opção, o estudante busca um plano B para iniciar a faculdade de imediato, o que reduz a quantidade de candidatos por vestibular.


Uma crise anunciada (Estadão – Opinião – 26/12/2017)

Urge uma reforma para desburocratizar e desprivatizar as universidades públicas

Já há alguns anos constatamos, em artigo neste mesmo espaço (Publicização da universidade, 10/8/2014), o desencadeamento de uma grave crise nas universidades estaduais paulistas – USP, Unesp e Unicamp. Apontávamos também seus fatores originários, que, acumulados ao longo do tempo, não haviam sido enfrentados – e envolviam e envolvem não só problemas econômico-financeiros e do sistema administrativo, mas, sobretudo, a conformação dos poderes e dos métodos de gestão, impregnados de patrimonialismo e clientelismo, cartorialismo e corporativismo. Observávamos, ademais, ser necessária a adoção de medidas urgentes capazes de estancar o agravamento da crise em curso e, mais, que esta poderia resultar em eventual inadimplência, o que implicaria a paralisação de atividades e a impossibilidade de pagamento da folha de salários e de encargos. Decorridos mais de três anos, poucas providências foram adotadas. A USP, cuja situação, naquele momento, era de maior gravidade – com a folha de pagamentos tendo chegado a 105% do orçamento –, viu-se compelida a despender quase todas as suas reservas e realizar um ajuste, ainda que parcial e fraco, sem ir ao cerne das questões. Dessa forma, mesmo com as reparações promovidas pela Reitoria, a sua situação econômico-financeira continua precária. Concomitantemente, a situação da Unicamp e da Unesp era e é igualmente débil e inquietante. A primeira aprovou recentemente medidas tímidas e/ou paliativas, adiando a resolução dos problemas. Já a segunda não tomou providência alguma – mesmo diante do fato de sua folha de pagamentos ter-se aproximado dos 100% da receita – e não tem orçamento para pagar o 13.º salário dos servidores estatutários (professores e técnico-administrativos), bem como, provavelmente, para o total da massa salarial de 2018 – situação que pode vir a se agravar, dado que a administração central tem tido sua capacidade diretiva e sua credibilidade exauridas de maneira célere. Ante a magnitude da crise, o establishment universitário (reitor e seu staff, gestores acadêmicos e administrativos, corporações e confrarias de interesses, etc.) tem-se postado de forma incerta, procurando simplesmente contornar suas origens e implicações. Tem-se limitado a reivindicar o aumento do porcentual da quota-parte do ICMS, que já é de 9,57%, equivalente a quase R$ 10 bilhões. Convenhamos, é um montante bastante expressivo, se considerarmos a realidade socioeconômica do País. A situação, que hoje é grave, poderá tornar-se imponderável ou mesmo dramática nos próximos anos se medidas de reforma estrutural e de ajuste não forem realizadas. Guardadas as devidas diferenças e proporções, não é de todo inverossímil que aconteça em São Paulo algo parecido com o que sucede na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Para evitar semelhante constrangimento as universidades paulistas terão de atacar problemas crônicos, cujas resoluções não podem mais ser postergadas – muito menos ser resolvidos com medidas efêmeras. Dado que os problemas são numerosos, alguns devem ser eleitos como prioritários. Entre eles:

1) o da burocratização – as universidades se tornaram imensos aparatos burocráticos com centenas de órgãos (departamentos, conselhos, comissões, câmaras, diretorias, seções, divisões, etc.) e milhares de servidores técnico-administrativos, que chegam a perfazer o dobro ou o triplo de docentes/pesquisadores. Tais aparatos ganharam, muitas vezes, vida própria, sobrepondo-se às atividades de ensino, pesquisa e extensão, e mesmo as atividades dos docentes experimentaram cabal burocratização. Esse fato provocou distorções inconcebíveis, transformando atividades-meio em atividades-fim.

2) O da privatização – a cultura e as práticas patrimonialistas, também nas universidades públicas, foram convertidas em procedimentos ordinários; manifestam-se dos mais variados formas e meios e a ele se acoplaram o clientelismo e o corporativismo. Mediante a indiferenciação entre o público e o privado, a burocracia universitária apropria-se constantemente de bens e fundos públicos, autoatribuindo-se benefícios e privilégios dos mais variados tipos, ao legislar em causa própria – isso proporcionado por pacto (velado) entre o establishment universitário e o sindicalismo de resultados e/ou negócios, movido por um corporativismo insaciável e de conveniência pecuniária; ocorreu mesmo uma sindicalização de órgãos centrais da universidade. Tudo isso foi possibilitado, evidentemente, pela autonomia (didático-científica, administrativa, financeira e patrimonial), compreendida pelos servidores (docentes e técnicos-administrativos) como ilimitada, e pela refutação desses mesmos funcionários de qualquer regulação externa.

Inegavelmente, existem outros problemas que poderiam ser expostos.

1) A falta de transparência e de responsabilização de agentes nas decisões e na execução orçamentária e financeira e no controle de aplicações e investimentos;

2) a ineficiência e mesmo o amadorismo na gestão universitária. Logo, a crise não se deve, simplesmente, ao mero desequilíbrio financeiro provocado por gestões perdulárias – o que, de fato, aconteceu –, mas deriva de questões estruturais.

Isto posto, e se nosso entendimento for adequado, urge a realização de uma ousada reforma acadêmico-administrativa, capaz de eliminar órgãos e procedimentos burocráticos e cartoriais, patrimoniais e corporativos – mudanças passíveis de desburocratizar e desprivatizar as universidades públicas, ou seja, de democratizá-las e publicizá-las. Entretanto, se esse estado de coisas não for revertido, elas estarão fadadas ao perecer gradual, perdendo o sentido de ser e existir. Ou, no mínimo, podem ficar à mercê de projetos e interesses impróprios, como o sugerido no relatório do Banco Mundial, há pouco divulgado com acentuado júbilo por certos órgãos da mídia.

 


De olho na 2ª fase do vestibular, estudantes sacrificam até a ceia de Natal: ‘tempo é valioso’ (G1 – Educação – 23/12/2017)

Conheça estratégias de quem ainda tem vestibular para fazer em janeiro, e preferiu deixar viagens e comemorações para depois das últimas provas.

Talita vai passar a noite de Natal com as videoaulas, enquanto sua família visitará parentes. Mikael vai se dedicar aos simulados neste sábado (23) e só descansa no domingo (24), para preparar a sobremesa da ceia com a mãe e os irmãos. Carolina colocou uma condição obrigatória para comparecer a qualquer compromisso até o fim do ano: se não estudar um número mínimo de horas ao dia, não sai de casa. Todos eles riscaram férias, feriado e recesso do calendário pelo mesmo motivo: a preparação para a segunda fase de dois dos principais vestibulares do Brasil. A Fuvest, que seleciona para vagas na Universidade de São Paulo (USP), e as provas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acontecem em janeiro. A segunda fase da Universidade Estadual Paulista (Unesp) foi realizada no último fim de semana. Talita Ventura vai passar a noite de Natal em casa sozinha para aproveitar todo o tempo possível para se preparar para o vestibular (Foto: Arquivo pessoal/Talita Ventura) Talita Ventura vai passar a noite de Natal em casa sozinha para aproveitar todo o tempo possível para se preparar para o vestibular “Provavelmente vou passar o Réveillon em casa estudando em minha escrivaninha. Todo tempo é valioso nesta última reta”, explicou Talita Ventura, de 20 anos, que mora em Mauá (SP). Essa é a quarta vez que ela presta a Fuvest, onde concorre a uma vaga em ciências da natureza, e a segunda vez que se inscreve na Unicamp. Mas as duas universidades não são sua primeira opção. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) Talita já fez cinco vezes, atrás do sonho de conquistar uma vaga na carreira de engenharia aeroespacial na Universidade Federal do ABC (UFABC), que participa do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Fique de olho nas datas:

Segunda fase da Fuvest: 7, 8 e 9 de janeiro

Segunda fase da Unicamp: 14, 15 e 16 de janeiro

Resultado do Enem: 19 de janeiro

Início da inscrição no Sisu: 29 de janeiro

Sacrifícios pelo vestibular

Neste ano, Talita decidiu priorizar o vestibular. Pediu demissão do emprego e se inscreveu no cursinho on-line Descomplica, onde tem cinco horas e meia de videoaulas ao vivo todos os dias. “No ano passado, como eu trabalhava muito, e o cursinho que eu fazia era presencial, ele não pode me ajudar tanto”, explicou ela. “O meu maior incentivo é o medo de ter que prestar vestibular novamente ano que vem. São muitas horas investidas todos os dias, por todo o ano.” – Talita Ventura

Atualmente, além das aulas de segunda a sexta, ela passa entre cinco e seis horas por dia resolvendo exercícios. As atividades que ela costuma fazer no tempo livre, como visitar museus, ficaram para o ano que vem. “Estudo sozinha em casa na maior parte do tempo. Entretanto, muitos amigos meus conversam comigo através do WhatsApp, me ajudando com as matérias em que tenho dificuldades, como biologia e redação.” No dia 24, a única companhia de Talita será virtual – além do cursinho e do WhatsApp, ela também tira dúvidas em grupos de estudantes no Facebook. “Moro com os meus pais, eles vão visitar minhas tias no Natal, mas eu optei por ficar em casa estudando”, explicou ela.

Celular desligado e bem longe

Ao contrário de Talita, Carolina Ferrari, que tem 17 anos e mora em Bocaina (SP), desenvolveu uma estratégia para se concentrar longe das redes sociais. “Eu desligo o celular e estudo em um local em que ele não esteja. Se ele estiver na gaveta do meu escritório, onde eu estudo, eu vou pegar, vou ligar. Tem que ficar bem longe de mim.” Carolina Ferrari, de 17 anos, estipulou um número mínimo de horas de estudo por dia: se não cumprir, ela não sai de casa com amigos no recesso (Foto: Arquivo pessoal/Carolina Ferrari) Carolina Ferrari, de 17 anos, estipulou um número mínimo de horas de estudo por dia: se não cumprir, ela não sai de casa com amigos no recesso. A adolescente, que quer estudar odontologia, passou para a segunda fase da Unesp, da Unicamp e da Fuvest, mas sua primeira opção é o curso da USP, no campus de Bauru. “Gosto muito de ajudar as pessoas. Acho que vou me dar muito bem nessa profissão”, diz ela, que percorria os 15 quilômetros de estrada entre sua cidade e Jaú todos os dias para estudar na Escola Porto Alvorada, parceira da SAS Plataforma de Educação. Com aulas das 7h às 17h30 no colégio, ela manteve um ritmo de estudos que chegava até a meia-noite durante o ano letivo. Agora que terminou o terceiro ano do ensino médio, ela estipulou para si mesma uma carga horária mínima de três a quatro horas de estudos por dia, sem contar as pausas. “Só posso sair se eu cumprir meu cronograma de estudos. Eu organizo os dias. Hoje vou estudar gramática, amanhã literatura, depois vou fazer provas anteriores. Se fizer tudo direitinho, eu posso sair.” – Carolina Ferrari

Ela explica que os eventos sociais com amigos e familiares são frequentes, mas que tem cumprido até agora o seu regime de estudos. Os amigos, inclusive, já se acostumaram a enviar mensagens e ficarem horas sem a resposta. É porque a jovem não vê o celular nem nos intervalos de descanso.

“Procuro ver tudo de um assunto, pauso 15 minutos, aí volto. Na pausa procuro descansar e não usar o celular, porque cansa mais, recebo mais informação. É muito assunto. Aí um amigo chama, você tem que responder, aí não dá certo.” A ceia de Natal vai ser na casa de uma prima; a noite de Réveillon, na chácara de uma tia. Carolina diz que o plano é participar de ambas: no dia 24, ela não planeja fazer exercícios. “Vou terminar de ler um livro que está na lista da Fuvest. Mas pretendo estudar no dia 31”, afirmou.

Família tranquila

Na casa em que mora com a mãe, em São Paulo, Mikael Montalvo, de 19 anos, diz encontrar um clima de tranquilidade para estudar. O candidato da carreira de biologia diz que não tem o costume de viajar durante as festas de fim de ano, mas neste ano a mudança foi a dedicação aos estudos. Mikael Montalvo, de 19 anos, teve aulas no cursinho até dia 22 de dezembro, mas vai seguir estudando até a antevéspera de Natal, e também no Ano Novo. Aluno do cursinho Etapa, ele teve aulas preparatórias para a Fuvest até a última quinta-feira (21), e elas recomeçam na primeira semana de janeiro. Na sexta (22) e neste sábado (23), porém, ele segue com a cara nos livros durante todo o dia. “Neste sábado vou estudar. Pretendo fazer as provas antigas, que acho que é a melhor forma de estudar para a segunda fase, e ver o que mais cai.” – Mikael Montalvo

No domingo, o jovem que costumava passar cerca de 12 horas no cursinho se deu uma folga. “Dia 24 é domingo, vou tirar para descansar, porque tenho que relaxar um pouco”, afirmou ele, que planeja preparar um brownie para a sobremesa da ceia, marcada na casa da irmã mais velha. “No Réveillon, vou ficar em São Paulo e aproveitar para estudar”, diz Mikael, garantindo que recebe todo o apoio da mãe para passar o recesso de fim de ano dentro do quarto estudando. “Ela está tranquilíssima. Depois que saiu o resultado dos vestibulares, ela entendeu mais”, explicou ele.