02/10/2012 / Em: Clipping

 


Estudantes pregam boicote à prova do Cremesp   (Correio Popular – Cidades – 02/10/12)

Estudantes do curso de medicina da Unicamp protestam contra a mudança implementada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que tornou obrigatória a realização de exames de avaliação de todos os estudantes do último ano. Além de fazer um abaixo assinado, que já conta com mais de 1,1 mil assinaturas, os formandos pretendem fazer um boicote. “Já que não podemos deixar de fazer aprova, vamos definir um boicote. Não podemos entregar em branco, então estamos decidindo assinalar todas as alternativas com a letra B, de boicote”, disse o estudante Fabrício Donizete da Costa. A prova será obrigatória a partir deste ano e quem não fizer o exame não terá o documento necessário para a obtenção da carteira profissional do CRM, indispensável à prática médica. A prova será aplicada dia 11 de novembro para cerca de 2.460 alunos do último ano do curso. O exame é aplicado desde 2005, mas de forma voluntária. Costa explica que os universitários não se opõem a uma ampla avaliação. “Queremos que seja feito um exame ao longo do curso para que se tenha uma visão do todo. Do jeito que está sendo feita, quer só punir. ”O estudante Henrique Sater, associado ao Centro Acadêmico da Unicamp, acredita que uma avaliação eficaz deveria contemplar também a universidade. “É preciso avaliar o currículo, os professores e a estrutura da faculdade. ”Eles dizem que além dos estudantes, o movimento conta com apoio de professores.  “O sistema de avaliação não pode ser parecido com o da OAB. Nossa profissão é diferente, tem muita prática”, afirmou Sater. A conselheira do CRM de Campinas Silvia Helena Rondina Mateus explicou que alei não dá ao CRM a competência de não conceder o registro ao profissional recém formado. “Então, entre os documentos (necessários para a concessão do registro profissional) exigimos o resultado de participação na prova.”Segundo ela, a entidade tornou o exame obrigatório para ter uma dimensão da realidade.  Nos últimos sete anos, dos 4.821 graduandos que participaram da avaliação, 2.250 não foram aprovados,o equivalente a 46,7% dos candidatos. “Os resultados mostraram que tem muita gente saindo da escola despreparada.”Ela concorda com a demanda por uma avaliação mais profunda, mas diz que isso não é da competência do CRM. “A competência não é nossa, é do Ministério da Educação e da escola.”O coordenador de graduação do curso de medicina da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Wilson Nadruz Jr., informou que o tema ainda está sendo discutido pela comunidade acadêmica.(