03/01/2011 / Em: Clipping

 


Ao visar vestibular, ensino médio esquece literatura contemporânea (UOL – Vestibular – 27/12/10)

Qualquer aluno do ensino médio ao menos já ouviu falar de Machado de Assis ou de José de Alencar, nomes frequentes nas listas de livros cobrados pelos vestibulares. Mas é difícil encontrar quem já tenha lido Cristovão Tezza ou Luiz Ruffato, só para citar dois ganhadores do Prêmio Jabuti nos últimos anos. Como o ensino médio é muito pautado pelos processos seletivos das universidades, as escolas admitem que é difícil fugir das listas. “Sentia muita falta de incluir outros livros no programa, mas não dava tempo”, conta Noemi Jaffe, doutora em literatura brasileira pela USP e ex-professora da disciplina no ensino médio. Um dos motivos dessa falta de tempo é o fato de que ainda é comum o estudo da história da literatura, seguindo uma ordem cronológica. “Isso se tornou quase uma camisa de força”, critica Regina Zilberman, do Instituto de Letras da UFRGS (Federal do Rio Grande do Sul). Mas as orientações curriculares do Ministério da Educação para o ensino médio já dizem que a ordem não precisa ser seguida: “Os professores […] sentem-se obrigados a cobrir toda a linha do tempo, fazendo uso da história da literatura, ainda que isso não sirva para nada”. Uma alternativa sugerida pela especialista em literatura Maria José Nóbrega é comparar as diferenças entre as estéticas. “Essa experiência por contraste é mais fácil.” Para estudar o tema do amor romântico, os alunos do colégio Positivo, em Curitiba, leram “Inocência”, escrito em 1872 por Visconde de Taunay, e “Contos de Amor Rasgados”, publicado em 1986 por Marina Colasanti. Perceberam que o amor não é mais tão idealizado quanto antigamente, diz o coordenador de literatura, Vanderlei de Siqueira.

Cota racial não é “dá ou desce”, diz nova ministra (UOL – Vestibular – 24/12/10

Gaúcha radicada em Salvador há 31 anos, atual secretária de promoção da igualdade da Bahia, a socióloga Luiza Bairros, 57, assumirá a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), órgão vinculado à Presidência da República. Em entrevista à jornalista Johanna Nublat na edição Folha desta sexta-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL), ela defende as cotas raciais, em contraposição às sociais, e diz que o melhor não é impor ações às universidades federais -posição que se opõe ao atual entendimento da pasta. “Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos”, disse a socióloga. Sobre ações que devem ser feitas no ministério, Bairros destaca a agenda de erradicação da miséria. 

Durante o governo Lula, expansão do acesso ao ensino superior se deu com apoio das particulares (UOL – Vestibular – 24/12/10)

Em 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo, o Brasil tinha 3,94 milhões de estudantes no ensino superior. Os dados preliminares do Censo da Educação Superior de 2009 mostram que esse contingente está chegando perto dos 6 milhões – um crescimento de 65% nas matrículas. Desse total, 75% estão nas instituições privadas, setor que se tornou um parceiro importante do governo federal nas políticas de inclusão. Logo que foi criado, em 2005, o Programa Universidade para Todos (ProUni) recebeu muitas críticas porque, em vez de ampliar recursos para as universidades públicas, estimulava o acesso dos alunos às instituições privadas. Hoje já distribuiu 748 mil bolsas, a maioria delas, integrais. O benefício é concedido pelas faculdades em troca de incentivos fiscais. O estudante precisa ter estudado em escola pública e atender a critérios específicos de renda. “Uma das características dessa gestão foi justamente não cair no dogmatismo e superar clivagens estereotipadas. Na verdade essas coisas não se conflitam [investimentos no setor público e bolsas no setor privado]. A realidade é um pouco mais complexa e exige estratégias diversificadas. Um país que tem tanto por fazer não pode dispensar uma estratégia em proveito da outra. Temos que fazer tudo que for necessário, não dá para esperar”, defende o ministro da Educação, Fernando Haddad, criador do projeto.



Filosofia agora é tema de vestibular. Veja como  (Terra – Vestibular – 29/12/10)

Além das disciplinas básicas que todo vestibulando já está acostumado a estudar, agora alguns vestibulares devem trazer ainda questões sobre Filosofia, que estará presente nas provas de algumas universidades em todo o País, como as universidades Estadual de Maringá (UEM), Federal de Uberlândia (UFU), Estadual do Oeste do Paraná (UniOeste) e Federal de Santa Maria (UFSM), entre outras. Na UFSM, no Rio Grande do Sul, o assunto leva oito questões. O professor Betover Santos, do pré-vestibular Riachuelo, em Santa Maria, aconselha o que focar durante a reta final. “Não é hora de decorar teoria de autor”, afirma. A prova, diz ele, exige muito raciocínio, leitura e interpretação. Pelo menos duas questões a respeito de ética e moral são esperadas na prova da UFSM. Santos recomenda aos alunos que prestem atenção na ética medieval, que trata o pecado como sinônimo de imoralidade. Immanuel Kant é outro tema que requer estudo, já que sempre aparece em alguma pergunta. O professor destaca focar um dos principais elementos da filosofia do autor, o Imperativo Categórico. Entre os principais filósofos para se debruçar nos últimos dias de estudo, vale ressaltar o o teórico Thomas Hobbes e o ideólogo do liberalismo Jonh Locke.



Matemática, o bicho-papão também da universidade  (IG – Educação – 29/12/10)

Desde a infância, a matemática é vista como o bicho-papão da sala de aula. Contas, fórmulas e figuras geométricas tiram o sono de milhares de crianças e jovens ao longo do ensino fundamental e médio. Depois do vestibular, muitos se libertam da disciplina, mas outros criam traumas que não possuíam. Todos os estudantes dos cursos de exatas – que normalmente escolhem as carreiras justamente por se saírem bem em matemática, física, química – precisam passar pelas disciplinas de cálculo. Mas, segundo os docentes universitários, poucos estão preparados para elas. As reprovações nas primeiras matérias que envolvem matemática são comuns e criam enormes problemas não só para os estudantes, como também para as instituições. Na Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, em média, cerca de 30% dos estudantes de cálculo, física e química não conseguem passar de primeira por essas disciplinas. Os conteúdos muito distintos dos que são ensinados na educação básica e a quantidade de matérias a cada semestre complicam a vida dos calouros, que ainda precisam se adaptar à falta de cobrança diária dos professores universitários. Essas disciplinas costumam ser preparatórias para os outros semestres e, uma vez reprovado em uma delas, dificilmente o estudante consegue seguir o currículo dos cursos. Com isso, as universidades se obrigam a oferecer a mesma disciplina inicial a novos e antigos alunos. O problema tem exigido das instituições de ensino soluções alternativas, como tutorias, monitorias, disciplinas intermediárias para nivelamento. E tem provocado também preocupação em algumas escolas do ensino médio, que já começam a trabalhar para facilitar a vida dos próprios alunos no futuro. Em uma escola particular de Brasília, os estudantes do ensino médio têm a chance de começar a aprender os conteúdos que, em geral, fazem parte dos programas curriculares das disciplinas de cálculo 1. Há quase 10 anos, o professor de matemática Luiz Antônio Rosa Braz decidiu ajudar os seus alunos mais interessados a passar com mais facilidade por essa fase. No horário contrário ao das aulas, sem cobrar nada, ensina parte do que eles terão de aprender nos cursos de exatas. “Já dei aulas em universidade e sei que os meninos sofrem por falta de base em matemática. Não tenho o mesmo tempo que teria na faculdade aqui para ensiná-los, mas sei que já ajuda bastante”, afirma. Os encontros com o professor Luiz Antônio ocorrem sempre às sextas-feiras, no fim do dia. A proposta é não atrapalhar os estudos dos alunos para o vestibular, as provas da escola ou as atividades extracurriculares, mas, sim, colaborar. “No fim, as aulas são interessantes também para que os alunos vejam se escolheram a área certa.” Tiago Vidigal, Rodrigo Cardoso, Fellipe Lopes, Gabriela Duarte, Gisele Oliveira e Rodrigo Nunes, todos com 17 anos, participam das aulas com satisfação. Para eles, a oportunidade dada pela escola é imperdível. Todos escolheram cursos de exatas no vestibular e acreditam que as aulas prévias de cálculo serão um diferencial na formação deles. “A gente não vai se surpreender com o que está por vir”, analisa Fellipe. Para Nunes, as aulas funcionam como um passatempo. Ninguém é obrigado a assisti-las. Os alunos contam que, de agosto (quando as aulas começaram) até o fim do ano, a desistência foi grande. Dos 80 alunos da turma inicial, sobraram perto de 40. “É muito diferente do que a gente aprende em sala de aula, mais aprofundado. Acho que até ajuda no vestibular. Mas muita gente não aguentou”, comenta Fernanda Pimentel, 18 anos, que pretende conquistar uma vaga para engenharia genética. Ali Faraj, 15 anos, ainda está no 1º ano do ensino médio e já frequenta as aulas de cálculo. Apaixonado por matemática, ele não quis perder a oportunidade de aprender mais, se aperfeiçoar e, quem sabe, se tornar um profissional melhor. “Acho que vou sair do ensino médio mais preparado, com uma visão melhor do assunto”, avalia. “Se outras escolas pudessem fazer o mesmo, ajudaria muito as universidades e os alunos”, diz o professor.



Cotas diplomáticas (Folha de S.Paulo – Editorial – 01/01/11)

Sede da aristocracia. Foi com essas palavras que o presidente Lula caracterizou, em 2009, o serviço diplomático brasileiro. Em certa medida, ele tinha razão. Sabe-se de que modo as famílias de elite ocupam, com ociosidade e brilho, os postos do Itamaraty. Historicamente, cristalizou-se ali um lugar que é tanto de excelência intelectual quanto repositório de douradas sinecuras. Desse ponto de vista, muitos podem ver com simpatia a iniciativa de reservar 10% das vagas a pessoas que se declarem “afrodescendentes” na primeira fase do concurso do Instituto Rio Branco para selecionar diplomatas. A experiência de algumas universidades federais, aliás, demonstrou que alguns beneficiários do sistema de cotas tiveram desempenho melhor, ao longo dos anos, do que os ingressos pelo vestibular comum. Todavia, não se pode esquecer que iniciativas dessa ordem atingem antes os sintomas do que as causas da desigualdade. O estudante branco ou mulato claro, nascido em meio pobre, continuará a ser discriminado num eventual sistema de cotas raciais. Em síntese, despreza-se o mérito e cria-se um racismo “ao contrário”. Fomenta-se um conflito indesejável num país miscigenado, em que a delimitação de fronteiras entre “raças” é no mínimo duvidosa. Ao Brasil interessa, sobretudo, que seus representantes tenham o máximo de condições de atuar com eficiência nos foros internacionais. O método, extremamente exigente, de seleção dos quadros no Itamaraty nunca criou impedimentos a tal objetivo. Se se trata de democratizar o acesso à instituição e de evitar que se torne uma colmeia de privilégios, cabe diminuir o número de postos decorativos -e não de aumentá-lo, como tem ocorrido, de maneira vertiginosa. Uma visão republicana do problema não combina, em suma, com o sistema de cotas -onde a demagogia do “politicamente correto” surge mais como uma maquiagem de fim de governo do que como fator objetivo de combate à desigualdade no país.