03/08/2010 / Em: Clipping

 


Educação – Curso desperta o prazer pelas ciências exatas  (Correio Popular – Cidades – 03/08/10)

Todo mundo gosta do que sabe fazer. Essa é a conclusão de uma das professoras do cursinho comunitário Exato, voltado para estudantes da rede pública interessados em aprender química, física e matemática. Para Laura Negrão, o medo das disciplinas pode ser vencido com atividades dinâmicas que vão além dos cálculos e das fórmulas. As aulas são dadas por estudantes de graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e têm como objetivo compensar o ensino tradicional das escolas. Quem entra no cursinho apenas para vencer as dificuldades, passa a considerar a possibilidade de seguir as carreiras de exatas. A organização está com pelo menos 30 vagas remanescentes para o segundo semestre deste ano. O curso Exato é um projeto vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da Unicamp (Preac), que visa auxiliar pessoas interessadas em aprender o conteúdo do Ensino Médio das disciplinas de exatas. Para alguns professores-alunos, funciona como uma disciplina extracurricular que auxilia no desenvolvimento da didática. Para outros, é uma forma de repassar o conhecimento adquirido. “A maioria dos que se candidatam a dar aulas acabam ficando por mais tempo. A gente recebe o conhecimento na Unicamp de graça, além de moradia e alimentação. As aulas são uma maneira de retribuir e tornar essas disciplinas mais acessíveis”, diz Laura Negrão, aluna de engenharia química da Unicamp e uma das coordenadoras do Exato. As aulas são dadas todos os dias na própria universidade, no horário da noite, durante o ano letivo. Cerca de cem vagas são disponibilizadas anualmente. A preferência é para os alunos da rede pública e a única exigência é ter 75% da frequência. O material didático é cedido pelo próprio curso, por meio de uma parceria com outra instituição. No meio do ano, mais vagas são abertas para preencher os lugares dos desistentes. “O retorno é excelente, mas muitas vezes os nossos alunos cursam o Ensino Médio, trabalham e fazem o cursinho à noite. Nem sempre eles conseguem conciliar e acabam desistindo”, explica Laura. O desejo de ingressar em artes cênicas na Unicamp e a falta de recurso para pagar um cursinho pré-vestibular despertou em Paula Andrade, de 18 anos, o interesse pelo curso preparatório. “Não pretendia seguir exatas. O meu maior objetivo, quando fiz a matrícula, era me destacar na área em que os meus concorrentes costumam ser mais fracos. Mas a maneira como eles explicam, mostrando a possibilidade de aplicar matemática, química e física no dia a dia, fizeram eu repensar a minha escolha e considerar a possibilidade de seguir alguma carreira nessa área”, afirma Paula. Cerca de 20 alunos da graduação de exatas trabalham no projeto e recebem supervisão e orientação de professores da Unicamp. “Todos os graduandos passam por avaliação para entrar no projeto. Nós também somos avaliados pelos nossos próprios alunos. Isso nos ajuda a aprimorar o trabalho e superar as nossas dificuldades ou falhas”, afirma Laura. Para ela, as ciências exatas vão muito além das fórmulas e cálculos e a sua aplicação no dia a dia pode ser a saída para desfazer a imagem que vai se formando na cabeça dos alunos. “É só uma questão de conhecer o conteúdo”, conclui.

Ingresso na universidade é ‘troféu’ para professores

Jovens superam dificuldades nas disciplinas e melhoram desempenho

O curso Exato funciona desde 2008, mas os frutos já começaram a aparecer. O ingresso dos estudantes de escola pública na universidade são como um troféu para os professores. “Já tivemos alunos que conseguiram entrar na Universidade Estadual Paulista (Unesp), na Pontifícia Universidade Católica (PUC), na Faculdade de Tecnologia (Fatec) e na própria Unicamp”, lista, orgulhosa, a professora Laura Negrão. Mayara Lindsay Ferreira Malafaia, de 17 anos, foi aprovada este ano no vestibular da PUC-Campinas. Para ela, o cursinho foi essencial em sua aprovação em educação física. “Tinha muita dificuldade nas matérias de exatas e as aulas me ajudaram a superar isso. Além de boa colocação nos vestibulares, consegui bolsa integral”, diz Mayara. Segundo a universitária, o fato de os alunos terem uma idade parecida com a dos professores ajudou na compreensão do conteúdo. “Eles são bem descontraídos e têm a linguagem parecida com a nossa, mas, quando era preciso, eles pegavam no pé também”, diz. Serena Fiorelli Venturini, de 20 anos, também foi aprovada em relações públicas na PUC-Campinas e deixou de acreditar que exatas é um bicho de sete cabeças. “Achei mais fácil quando comecei a estudar com eles. Na escola, sempre tinha a impressão de que os professores estavam cansados. Já os professores dos cursinhos, praticamente com a mesma idade da gente, eram sempre mais animados e sabiam identificar as principais dificuldades”, diz Serena.

VAGAS
Os interessados podem fazer a inscrição para as vagas remanescentes até o dia 6 de agosto no endereço eletrônico http://www.cursoexato.com.br/inscricoes2010-2. Atualmente, 30 das cem vagas estão abertas.