04/08/2010 / Em: Clipping

 


Aluno deve ver a física no dia a dia  (Folha de S.Paulo – Fovest – 04/08/10)

Luciana Almeida Sato, 19, faz questão de dizer, em alto e bom som: “Eu odeio física”. “Sempre vi apenas fórmulas jogadas na lousa. Aqueles números não fazem sentido nenhum pra mim”, diz ela, que vai prestar biologia. Seus amigos Leonardo Saturnino Ferreira, 20, e Lucas de Oliveira Silva, 19, até entendem as fórmulas. Mas eles gostam mesmo é de procurar a física no dia a dia. “Física é explorar o universo. Ela explica tudo o que a gente vê”, diz Lucas, que quer uma vaga em engenharia aeronáutica no ITA. “Ela explica por que as coisas acontecem daquele jeito. É divertido”, completa Leonardo, que também escolheu engenharia, mas a elétrica. A mania dos dois de relacionar os conteúdos ao cotidiano é a dica de ouro que os especialistas dão para ajudar a entender a temida matéria. “Física não é fórmula. E não é preciso ter um grande laboratório para ensinar. Até pequenas experiências ajudam e os alunos vão lembrar para sempre”, afirma Nicolau Ferraro, um dos autores do livro para o ensino médio “Os Fundamentos da Física” e do blog homônimo. Dulcidio Braz Júnior, do blog Física na Veia, concorda. “É preciso entender os conceitos. As pessoas gostam de ver a física viva.” O trauma de Luciana seria justificado, então? Sim, diz Fuad Daher Saad, professor da USP e coordenador do projeto de extensão Show de Física. “Aprender física só no quadro é como fazer um curso de natação por correspondência”, compara.

CONTEÚDO EXTENSO

Outro motivo que contribui para que a física seja malvista pelos estudantes é o fato de a disciplina ter um programa muito extenso. “São muitos conteúdos e, às vezes, o professor passa correndo para dar tempo de ver tudo. Assim o aluno não consegue aprender”, diz Sidney Borges, parceiro de Ferraro no blog Os Fundamentos da Física. Ele ainda critica que alguns conteúdos vão além do que um estudante do ensino médio é capaz de responder e, por isso, deveriam ser dados apenas na faculdade.

FÍSICA MODERNA

Mesmo com um conteúdo já extenso, especialistas ouvidos pelo Fovest defendem a inclusão no currículo do ensino médio da física moderna, que trata de assuntos como as teorias da relatividade e a física quântica. A justificativa é que ela está intimamente ligada às novas tecnologias. “E alguns vestibulares já estão cobrando, então é preciso ensinar”, diz Borges. A Unicamp é uma das universidades que já cobram esse conteúdo em sua prova.

Cálculo é cada vez menos cobrado nas provas (Folha de S.Paulo – Fovest – 04/08/10)

Para os estudantes que têm aversão aos cálculos de física, assim como Luciana, uma boa notícia é que eles estão sendo cada vez menos cobrados nos vestibulares, dando espaço às questões mais conceituais. Não que isso torne a prova mais fácil, já que o estudante precisa ler muito bem os enunciados. “A melhor forma de resolver uma questão é ler com atenção. A matemática é o último passo para resolver um exercício”, orienta o professor Nicolau Ferraro. “O problema é que, às vezes, o aluno não tem paciência e não lê direito”, completa ele.
Essa tendência segue o modelo de prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que privilegia os conhecimentos conceituais e a capacidade de relacionar o problema ao cotidiano.
Mas quem faz o Enem também não está livre dos números. “Na última prova, foram cobradas algumas contas e fórmulas. Nada difícil, mas significa que elas são importantes”, lembra Márcio Haga, professor de física do Cursinho do XI. Fuvest e Unicamp, no entanto, são vestibulares que ainda continuam cobrando muitos cálculos, mas bem menos nos últimos anos, dizem os professores.

Professora discute obras obrigatórias na Casa das Rosas   (Folha de S.Paulo – Fovest – 04/08/10)

Os livros cobrados nas provas da Fuvest e da Unicamp são tema de um curso na Casa das Rosas, em São Paulo. A professora Susana Ventura discute as obras sempre às terças-feiras, das 14h às 16h, até o dia 31 de agosto e nos dias 14, 21 e 28 de setembro. O “Vam’bora – Viagem Literária Rumo ao Vestibular” abordará um livro por encontro. Ainda há vagas, e a taxa de inscrição é de R$ 10. De 20 a 22 de agosto, o local também terá palestras e apresentações sobre o poeta concretista Haroldo de Campos. A programação está em www.casadasrosas-sp.org.br, e o telefone para mais informações é 0/xx/11/3285-6986.