05/06/2013 / Em: Clipping

 


USP propõe bônus a aluno de escola pública que se define preto   (Folha Online – Educação – 05/06/13)

A USP votará neste mês proposta que prevê a criação de bônus de 5% no vestibular para candidatos de escolas públicas que se declararem pretos, pardos ou indígenas. Hoje, não há benefício específico para esse grupo.  Está previsto ainda aumento do bônus para demais alunos da rede pública, que pode ir dos atuais 15% a até 20%.  Ou seja, um aluno pardo que cursou o ensino básico na rede pública poderá ter um acréscimo de até 25% na sua nota no vestibular. Hoje ele só pode chegar aos 15%.  O modelo é uma resposta à proposta apresentada em dezembro pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e pelos reitores de USP, Unesp e Unicamp. Consultadas, as unidades da USP rejeitaram diversos pontos.  Um dos pilares do projeto inicial era a criação do “college”, um curso superior semipresencial, de dois anos, para alunos da escola pública. Os que fossem aprovados entrariam nas universidades sem passar por vestibular. Essa ideia não consta no novo documento desenhado pela universidade. A instituição decidiu apostar no aumento dos bônus para atingir as metas do projeto inicial (que estão mantidas): 50% de calouros de escolas públicas, em cada curso, sendo 35% deles pretos, pardos e indígenas.  Hoje, 28% dos aprovados na USP são da rede oficial. O prazo para chegar aos patamares, porém, foi alterado, de 2016 para 2018.



Na Califórnia, esforços por diversidade na faculdade começam no ensino médio   (IG – Educação – 31/05/13)

Ao mesmo tempo que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos analisa um caso que vai definir o futuro das ações afirmativas nas admissões em universidades, o Estado da Califórnia já da pistas de como poderá ser. A Califórnia foi um dos primeiros Estados a abolir a ação afirmativa na década de 90, e em seguida a admissão de latinos na Universidade da Califórnia caiu de mais de 15% para 12% e a de afro-americanos diminuiu para 3%. Nos câmpus mais competitivos, em Berkeley e Los Angeles, a queda foi ainda mais acentuada.

Na Califórnia: “É possível educar todas as crianças de escola pública em alto nível”
No entanto, esses números já foram recuperados. Este ano, 25% dos novos alunos inscritos são latinos, refletindo a crescente população hispânica, e 4% são afro-americanos. Um padrão semelhante de declínio e recuperação ocorreu em outras universidades estaduais que eliminaram a raça como um fator decisivo nas admissões. Se os juízes da Suprema Corte, que julgarão nas próximas semanas um caso envolvendo a Universidade do Texas em Austin, decidirem reduzir ou abolir o uso de raça e etnia como critério para admissões universitárias em todo o país, a experiência na Califórnia e em outros Estados que proibiram a ação afirmativa nas faculdades – incluindo Flórida, Michigan e Washington – poderia apontar para novas maneiras de compor um corpo estudantil racialmente e economicamente diversificado. Esses Estados têm tentado uma série de abordagens para escolher os alunos, dando aos candidatos a possibilidade para superar desvantagens, como a pobreza, barreiras linguísticas, escolas de baixo desempenho e bairros problemáticos. Estudantes carentes de bairros pobres, como Erick Ramirez, que está no último ano do colegial em Anaheim, estão se beneficiando do aumento nos esforços do sistema da universidade estadual para cultivar os candidatos a partir do ensino médio. Os resultados dessas ações dividem opiniões. Apesar de todos apoiarem os avanços do sistema da Universidade da Califórnia para a diversidade econômica – e não apenas racial -, defensores das admissões baseadas na raça reconhecem que o sistema reverteu a queda inicial no número de matrículas de afro-americanos e hispânicos, mas ainda dizem que não é suficiente.