06/05/2013 / Em: Clipping

 


Entrevista: José Tadeu Jorge

“A Unicamp deve promover internacionalização para baixo”  (Veja – Universidades – 06/05/13)

O engenheiro de alimentos José Tadeu Jorge, de 60 anos, assumiu em 19 abril, pela segunda vez, a reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O fato é inédito nos 47 de história da instituição. Reitor entre 2005 e 2009, Tadeu Jorge deixou o posto para dar lugar ao médico Fernando Ferreira Costa. Quatro anos depois, foi escolhido pelo governador Geraldo Alckmin para voltar ao cargo. Com a nomeação, o governador atendeu a um desejo da comunidade acadêmica – Tadeu Jorge foi o mais votado em uma lista tríplice enviada pelo conselho universitário da instituição a Alckmin, a quem cabia a decisão final. No comando da universidade que responde por 15% da produção acadêmica brasileira, o reitor tem o desafio de gerir um orçamento de 1,91 bilhão de reais (referente a 2013) e administrar três campi, que englobam 22 unidades de ensino e pesquisa. Além disso, Tadeu Jorge quer fazer com que a Unicamp – considerada em 2012 uma das 50 melhores instituições de ensino do mundo com menos de 50 anos – lidere universidades de outros países. O objetivo: trazer ao Brasil pesquisadores que enxerguem no país uma oportunidade de aprendizado – o que garantirá à instituição mais mão de obra para pesquisa. É o que ele chama de “internacionalização para baixo”. Em conversa com o site de VEJA, Tadeu Jorge explica o conceito e defende que a instituição amplie programas de inclusão para que metade de seu quadro discente seja composto por alunos egressos da rede pública. No último vestibular, estudantes oriundos da rede pública representaram 33,3% do total de aprovados. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:



Cresce número de estudantes que entram na USP sem fazer cursinho   (Globo.com – G1 Vestibular – 04/05/13)

Nos últimos cinco anos, o índice de calouros da Universidade de São Paulo que passaram no vestibular da Fuvest sem fazer cursinho pré-vestibular cresceu oito pontos percentuais. O índice registrado no último vestibular foi de 37,5% dos ingressantes na USP, número muito superior ao do vestibular de 2009, que foi de 29,4%.As estatísticas dos aprovados foram divulgadas nesta sexta-feira (3) pela Fuvest. Segundo o estudo, feito com base no questionário socioeconômico que todo vestibulando é submetido ao fazer a inscrição para a Fuvest, dos 10.975 estudantes que ocuparam as vagas disponibilizadas pela USP, 4.118 declararam que não fizeram cursinho. A maioria (62,5%), no entanto, ainda faz algum cursinho preparatório para as provas. Segundo o estudo, 3.746 calouros fizeram um ano de cursinho (34,1% do total). Outros 1.294 fizeram seis meses (11,6%); 1.253 (11,4%) fizeram dois anos de cursinho; e 564 (5,1%) fizeram mais de dois anos.



Movimento negro defende cotas na USP para ‘mudar cor da universidade’ Comentários    (UOL – Vestibular – 03/05/13)

Após a divulgação de que os três cursos mais concorridos da USP não têm alunos pretos, os movimentos sociais voltaram a defender a adoção de cotas pela universidade. “A USP adota a meritocracia injusta. Ela não quer nem saber a história da pessoa do nascimento até o vestibular, se um teve acesso a tudo e se o outro estudou a vida inteira em escola pública com falta de professores e baixa qualidade de ensino. Esse fato só confirma que precisamos de cotas”, afirmou o presidente da ONG Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), frei David.  “É preciso ocorrer a discriminação reversa, que é a política afirmativa. O principal objetivo é incluir uma parcela da população brasileira que está excluída do acesso aos bens de consumo, aos bens educacionais”, assevera Humberto Adami, diretor do Iara (Instituto de Advocacia Racial e Ambiental). Frei David afirma apoiar a proposta de inclusão do governo estadual, o Pimesp (Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Público Paulista), que tem como meta aumentar para 50% o índice de alunos de escola pública dentro de cada curso das universidades estaduais paulistas, 35% deles pretos, pardos e indígenas, até 2016. “Nós somos a favor do Pimesp se for mantida a meta de três anos”, explicou.



Pesquisa da USP mostra desinteresse de alunos em seguir o magistério  (Terra – Vestibular – 05/05/13

Uma pesquisa feita na Universidade de São Paulo (USP) mostra que metade dos alunos de licenciatura nas áreas de matemática e física não pretende ou tem dúvidas quanto a seguir a carreira de professor de educação básica. Dos que cursam licenciatura em física, 52% não pretendem ser professores ou tem dúvidas. Em matemática, o percentual é 48%. A pesquisa ouviu um total de 512 estudantes recém-ingressantes da USP, incluindo também alunos de pedagogia e medicina. A pesquisa Atratividade do Magistério para a Educação Básica: Estudo com Ingressantes de Cursos Superiores da USP, da pedagoga e mestre em educação pela Faculdade de Educação da USP Luciana França Leme selecionou as duas disciplinas de licenciatura em função da escassez de professores nas áreas de exatas. A estimativa do Ministério da Educação (MEC) é que o déficit de professores nas áreas de matemática, física e química seja de cerca de 170 mil. A baixa remuneração do magistério, as más condições de infraestrutura das escolas e o desprestígio social da profissão estão entre os motivos apontados pelos estudantes para a falta de interesse em seguir a carreira. Segundo a pedagoga, a dificuldade de implementar em sala de aula o ensino da matemática e da física e a concorrência com profissões como as do mercado financeiro também afastam das salas de aula quem se forma nessas áreas.



Defasagem de cotistas caiu, afirma MEC   (Folha Online – Educação – 05/05/13)

O desempenho acadêmico de alunos beneficiados por políticas como cotas ou bônus em universidades públicas é menor do que os demais, mas a diferença caiu nos últimos anos, segundo o Ministério da Educação. Levantamento do governo indica que a diferença entre as notas médias era de 9,9% em 2008 e caiu para 3% em 2011. Foram avaliados os mesmos cursos (como engenharia, história e pedagogia). A queda é resultado principalmente de um recuo de 6% nas notas de não cotistas. Isso explica 85% da redução na diferença de desempenho entre os dois grupos. A nota dos não cotistas subiu 1,1% no período. O levantamento do ministério foi feito após a Folha publicar reportagem que mostrou que um estudo de pesquisadores da Universidade Federal Fluminense indicava que o desempenho de beneficiários de ações afirmativas era inferior ao dos outros universitários, em instituições federais e estaduais. A diferença encontrada pelos acadêmicos em 2008 (último ano para o qual os dados estavam disponíveis quando foi feita a pesquisa) é próxima à verificada pelo ministério. Os cálculos se baseiam nas notas dos concluintes de cursos de graduação no Enade (exame federal de estudantes universitários). Outras pesquisas baseadas em estudos de casos de instituições mencionados pela reportagem da Folha indicavam tendência de manutenção da distância entre as notas de cotistas e não cotistas ao longo da graduação –como na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

Análise: Sob pressão, USP debate acesso a aluno da rede pública   (Folha Online – Educação – 04/05/13)

Os dados recém-divulgados do vestibular da USP pressionam a universidade a intensificar suas políticas de acesso a estudantes formados em escolas públicas. Atualmente, uma da principais ações é a concessão de bônus de até 15% na nota desses alunos na Fuvest. A própria reitoria reconhece que alterações são necessárias. Mas a intensidade das mudanças dependerá do embate de forças internas. A pressão começou há mais de uma década. Movimentos sociais apontavam que a USP era elitista, por ter menos de 30% de alunos de escolas públicas entre seus calouros, sendo que 85% do ensino médio era público. Parte dos acadêmicos começou a ficar convencida de que dar oportunidade a aluno desfavorecido poderia, além de representar justiça social, melhorar a qualidade do corpo discente, pois os beneficiados teriam mais motivação no curso. Por outro lado, surgiu o temor de que mudar o perfil do alunato da instituição poderia prejudicar a qualidade da universidade -considerada em diversos rankings a melhor da América Latina. Em 2006, a universidade implementou a bonificação no vestibular, que conseguiu reverter a queda no número de alunos de escolas públicas entre os aprovados. A proporção, porém, agora ficou estagnada na casa de 28%.