06/07/2015 / Em: Clipping

 


Universidade de ponta é prova de fogo para aluno brasileiro   (Folha de S.Paulo – Especial – 04/07/15)

Quem faz a ponte entre a ciência do Brasil e dos EUA é gente como o brasiliense Eduardo Guerra Amorim, 31, que estuda genômica em tempo integral na Universidade Columbia, de Nova York. Em um encontro de bolsistas brasileiros realizado lá, mexeu com ele o discurso de Denise Neddermeyer, diretora da Capes, um dos órgãos que coordenam o programa Ciência sem Fronteiras. “Ela disse que éramos responsáveis pela imagem do cientista brasileiro e que nossas ações teriam consequências importantes”, lembra. “É assim que me sinto.” Amorim faz pós-doutorado em biologia computacional. Até o segundo ano, a Capes paga 75% de seu salário e a Columbia, 25%. O terceiro ano será 100% financiado pela universidade. Ele se formou em biologia em 2006 e concluiu mestrado em 2008, na Universidade de Brasília. De 2009 a 2013, fez doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Estudou na Suíça, na Inglaterra e na Alemanha. Amorim conta que nunca teve dificuldade de adaptação em país nenhum. Mas, em Columbia, passou maus bocados. “Quando cheguei, me sentia a pessoa mais burra do mundo. O ambiente é desafiador, entre pessoas muito inteligentes que trabalham muito duro.”  Esse é o primeiro ponto de comparação entre seu trabalho acadêmico na terra natal e nos EUA. No Brasil, nunca precisou estudar para prova e não era necessário se esforçar para se destacar, relata.  “Aqui, trabalho mais. Se tiro um dia de descanso, outros estudantes passam à frente. Não dá para bobear.”  Outra diferença é o diálogo. “No Brasil, estudante não faz pergunta, nem em aula nem em conferência. Aqui, até desafiam o palestrante.”  O pesquisador afirma que a hierarquia acadêmica é rígida demais no Brasil e que professores deveriam dar mais espaço aos alunos. Esses, por outro lado, deveriam aprender a se expressar.  O verso da moeda ou o que os americanos poderiam aprender com os brasileiros não é novidade. Amorim diz que sua capacidade de socializar e deixar o ambiente mais leve já foi elogiada.  “Na Columbia, relações sociais são profissionais. Amizades não são estimuladas.”  No encontro do Ciência sem Fronteiras, em setembro, Neddermeyer confirmou que recebe relatórios das universidades dizendo que os brasileiros são “os que mais se integram com os estudantes locais”. Mas ela pede a seus bolsistas que respeitem a cultura local para abrir portas a novos jovens brasileiros, que evitem esportes radicais e que levem um colega americano ao Brasil. “Precisamos que eles nos visitem e vejam nossas instituições também.”



Candidato ganha acesso à correção detalhada da redação no Enem   (Globo.Com – G1 Vestibular – 06/07/15)

Em uma decisão inédita, um estudante de direito de Itapevi (SP) conseguiu acessar a correção detalhada de sua prova de redação das edições de 2014 e 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Até então, além da nota final da prova, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgava apenas a vista pedagógica da redação e as notas em cada competência. Mas, depois de uma decisão da Controladoria-Geral da União (CGU) de 8 de junho, acatada pelo Inep, o aluno conseguiu ver as notas recebidas por todos os corretores. Fernando Rodrigues, de 28 anos, fez as provas do Enem em 2013 e 2014 e, depois de receber a nota da última edição, decidiu solicitar ao Inep o acesso às notas que ele recebeu de cada corretor da prova. Ele usou o telefone de atendimento aos estudantes, mantido pelo MEC, mas recebeu resposta negativa. “Como conheço um pouco de direito, sabia que existia a Lei de Acesso à Informação (LAI), então decidi pedir por lá”, afirmou ele, em entrevista ao G1. Segundo a CGU, essa foi a primeira vez que um parecer é favorável à divulgação detalhada da correção da prova de redação do Enem via Lei de Acesso à Informação. “É pacifico na CGU o entendimento que o candidato em concurso, vestibular ou qualquer seleção pública tem direito a acesso aos seus documentos e correções que envolveram o certame, que estejam em poder de uma instituição pública”, informou o órgão, em nota. A CGU afirma também que, apesar de o edital do Enem não ter um artigo falando especificamente sobre a divulgação das correções detalhadas, isso não impede que um candidato possa solicitá-las, pois “a informação solicitada não se enquadra na classificação de informação sigilosa”. A controladoria diz ainda que “qualquer candidato que prestou o Enem tem o direito de pedir o mesmo tipo de informação ao Inep, e este tem o dever de prestá-la”.