07/07/2009 / Em: Clipping

 


Cotistas receberão R$ 4 milhões em bolsas  (Gazeta do Povo – Educação – 04/07/09)

A Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) vai destinar R$ 4 milhões para ofertar bolsas de estudos a estudantes cotistas das universidades públicas do Paraná. Serão 1,3 mil bolsas de R$ 300 com duração de um ano para que os acadêmicos desenvolvam projetos de pesquisa ou extensão universitária. O Programa de Apoio a Ações Afirmativas para Inclusão Social foi criado em 2005 com o objetivo de suprir a dificuldade de permanência dos cotistas no ensino superior. De lá para cá houve um aumento de 1.000%, passando de 120 bolsas para 1,3 mil. Em quatro anos foram investidos quase R$ 11 milhões no programa. A Seti oferece bolsas de estudos para estudantes e pesquisadores em geral, mas estas têm uma função especial. Foram 1.938 ofertadas até agora para cotistas e nenhuma desistência. Isso significa que o objetivo da secretaria vem sendo cumprindo o que os estudantes negros e aqueles oriundos de escolas públicas estão conseguindo permanecer no ensino superior. Participam da iniciativa a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e a Unioeste. Em 2010 também terão cotas e acesso às bolsas da Seti a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Unicentro. As atividades de extensão e projetos de pesquisas aprovados para o recebimento de bolsas devem ter cunho social. “Além de subsidiar a permanência do aluno, é uma forma de retribuir para a sociedade o conhecimento produzido dentro da universidade. E, para quem está dentro da Academia, a presença dos cotistas representa um enriquecimento cultura e social indiscutível. É uma parcela que ficava fora do ensino e que quebra tabus dentro do espaço universitário”, diz a secretária Lygia Puppato.O presidente da Fundação Araucária, entidade vinculada à secretaria que distribui as bolsas, José Tarcísio Pires Trindade, diz que há projetos em todas as áreas do conhecimento, desde História e Geografia até Física. Ele e a secretária Lygia Puppato também afirmam que pesquisas comprovam que os estudantes que participam desse tipo de iniciativa têm melhor desempenho acadêmico. O processo de bolsas específicas para cotistas também não impede que outros editais voltados para o público geral sejam abertos. Recentemente, a fundação concedeu mil bolsas para pesquisas de iniciação científica. A iniciativa da Seti é pioneira no Brasil. Somente em 2009 o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o maior órgão de incentivo a pesquisa no Brasil, criou um programa piloto para ações afirmativas. Serão 600 bolsas para todo o Brasil.

Nota da prova será uma incógnita  (Gazeta do Povo – Educação – 06/07/09)

Imagine que você tenha resolvido uma prova com 50 questões de múltipla escolha e acertado 20 delas, número igual ao de um colega que também participou do teste. Em alguns dias você recebe o resultado: a sua nota é 30, enquanto a de seu colega é 40. Isso é possível? Com a nova metodologia que será usada na estruturação do Enem, sim. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame, levará em conta que tipo de questões o candidato acertou, e não apenas a quantidade de acertos. Em outras palavras: as questões terão pesos diferentes. O diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Heliton Ribeiro Tavares, explica que a pontuação de cada pergunta será determinada a partir de três características: grau de dificuldade (a questão pode ser fácil, média ou difícil), índice de discriminação (capacidade da questão de selecionar os participantes) e probabilidade de acerto ao acaso (a chance que um aluno tem de, chutando, acertar a questão). Terão peso maior as perguntas mais difíceis, que consigam diferenciar o aluno bem preparado, e que apresentem pequena probabilidade de acerto na base do chutômetro. O problema é que, no momento do exame, o aluno não saberá quais questões valerão mais pontos. Não adianta somar os acertos nas provas, porque não será possível calcular a nota final. Segundo Tavares, o governo estuda a possibilidade de divulgar os valores dos três parâmetros de cada pergunta após o Enem. “O aluno não conseguirá, sozinho, calcular a sua nota, mas talvez possamos oferecer um programa de computador para que ele tenha ideia de qual é a sua pontuação”, adianta.  Na avaliação do professor de Matemática Emerson Marcos Furtado, do Curso Positivo, os critérios de avaliação ficariam mais claros se o exame trouxesse as questões separadas por peso. Como o número de perguntas é grande e os alunos terão pouco tempo para responder cada uma (menos de três minutos), eles poderiam dedicar mais tempo àquelas que valessem mais. Já o diretor do Curso Dom Bosco, Ari Herculano de Souza, considera que o fato de o aluno não saber o valor das questões não deve prejudicar a transparência do processo seletivo. “Em uma prova como essa, com características nacionais, é pouco provável que um aluno tenha favorecimento. O importante é que a regra esteja clara e seja igual para todos”, afirma. Para o professor Anselmo Chaves Neto, do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o exame conseguirá avaliar adequadamente os participantes. “O Enem será muito bem feito por dois motivos: o conteúdo do ensino médio será bem avaliado, pelo grande número de questões, e as questões serão planejadas com rigor”, diz.



Sob sigilo, até 350 pessoas corrigem provas do vestibular  (Folha de S.Paulo – Fovest – 07/07/09)

Assim que o vestibular termina, começa o trabalho de um contingente responsável pelo que mais aflige os estudantes -decidir quem foi aprovado ou não. Está nas mãos de até 350 corretores o futuro dos candidatos a entrar na universidade. Por trás da correção, há um sistema que as universidades públicas paulistas dizem ser à prova de falhas: cada questão é examinada por ao menos duas pessoas. Se houver divergência, uma terceira entra em ação. O mecanismo é semelhante na USP, na Unesp e na Unicamp. Na USP, por exemplo, são até seis instâncias. A última palavra, em caso de divergência nas notas, fica a cargo da professora Maria Tereza Fraga Rocco, vice-diretora da Fuvest, que promove o vestibular da USP. Perguntas de ciências humanas são as mais complicadas -cerca de 40% exigem terceira avaliação por apresentar notas muito diferentes, diz Mauricio Kleinke, coordenador de pesquisa da Comvest, da Unicamp.  Por não terem resposta-padrão, as questões dissertativas exigem dos avaliadores critérios muito bem estabelecidos, que “são afinados durante o treinamento dos examinadores e até ao longo do processo de correção”, de acordo com Paulo Del Bianco, coordenador da correção da Vunesp (Unesp).  Na USP e na Unesp, há etapas com questões de múltipla escolha. Para garantir que não haja erro na correção, as provas objetivas são submetidas a verificação eletrônica. O vestibular da Unicamp é todo dissertativo. Há uma espécie de gabarito com a resposta considerada correta -com um raciocínio a ser seguido e temas que devem estar presentes na resposta. Se o vestibulando seguiu o que foi pedido na questão, ganha ponto. Se não abordou nada do que foi cobrado, tira zero. Há a possibilidade de receber pontuação parcial, caso a resposta não esteja totalmente incorreta. Nas três universidades, o trabalho é dividido em bancas específicas -um grupo de examinadores cuida da prova de português, enquanto outro se encarrega das questões de matemática, por exemplo. São 350 pessoas na USP e 190 na Unicamp. Na Unesp, que, assim como a USP, inaugura um novo formato de vestibular no fim do ano, estima-se que passem a ser cerca de 200 corretores.  Eles ficam em uma sala preparada especificamente para a correção. Na Unicamp, ficam um ao lado do outro. Mas um não sabe que questão ou prova o colega está corrigindo, diz o professor Kleinke. Os corretores, em geral estudantes de pós-graduação ou professores, trabalham cerca de oito horas diárias. Nos primeiros dias, o trabalho é mais lento, mas a velocidade de correção aumenta com o passar do tempo. “A grade de correção fica impregnada na cabeça e você quase sonha com ela. Depois que você corrige 500 provas, fica automático”, afirma Kleinke, ele próprio um ex-corretor.

Sigilo
O processo de correção das provas é sigiloso. O nome dos corretores nunca é divulgado. Eles são orientados a revelar apenas ao cônjuge o que fazem. E só depois que concluírem o trabalho podem assumir que atuaram como examinadores. As universidades dizem que a precaução se justifica: qualquer suspeita sobre o vestibular anularia o processo.
Situações que suscitem suspeitas são evitadas. Em maio, o coordenador do vestibular da Unicamp, Leandro Tessler, deixou o posto. Motivo: a filha dele vai prestar o processo seletivo da universidade.

Raciocínio conta mais que ortografia (Folha de S.Paulo – Fovest – 07/07/09)

Mais do que uma prova impecável na ortografia, respostas coerentes e raciocínio correto são o que USP, Unicamp e Unesp esperam de seus candidatos. Na Unesp, erros de português só são considerados nas provas de língua portuguesa e redação. “Mas, ainda assim, a orientação é que os examinadores não sejam muito rígidos nesse ponto”, diz Paulo Del Bianco, coordenador da correção de provas da Vunesp, que realiza o vestibular da Unesp. Os “deslizes”, no entanto, não devem interferir na compreensão do todo, diz Del Bianco, que enfatiza a necessidade de que haja coerência nas respostas. USP e Unicamp consideram os erros gramaticais, mas priorizam a expressão das ideias.

Redação da Unicamp exige a leitura dos textos fornecidos (Folha de S.Paulo – Fovest – 07/07/09)

Participando da Oficina de Redação da Unicamp, oferecida a professores de português, confirmei alguns pontos já bastante divulgados sobre a concepção da prova e vi desfeitos uns tantos mitos sobre os critérios de correção dos textos. A redação no vestibular da Unicamp é vista como um problema a resolver, logo é fundamental seguir as instruções fornecidas no enunciado da proposta. A resposta do candidato será analisada pelo corretor segundo quatro critérios básicos, que compõem a chamada grade de correção: consistência temática, uso da coletânea (material de leitura), tipo de texto e coesão/modalidade. De modo geral, o candidato tem de mostrar que compreende o que lê e que articula as ideias de maneira autônoma, construindo um raciocínio. A Unicamp valoriza a leitura que ultrapassa o senso comum, mas não exige que o candidato tenha criatividade (se tiver, ótimo, mas nada de fazer desenhos na página, por exemplo).  O uso da coletânea é verificado não pela quantidade de excertos citados no texto, mas pela qualidade da articulação de, pelo menos, alguns dos elementos oferecidos. É preciso estar atento às características da estrutura textual escolhida: dissertação, narração ou carta. Segundo a Unicamp, não há uma proposta mais fácil que a outra. Valoriza-se o projeto de texto do candidato, ou seja, a sua ideia e as estratégias para desenvolvê-la.  Quanto aos aspectos formais, o importante é garantir a fluência do texto como um todo, o que se obtém com o bom uso do vocabulário e dos elementos de coesão (pronomes, conjunções etc.). Perde nota o texto que traz dificuldades de leitura.

THAÍS NICOLETI DE CAMARGO é consultora de língua portuguesa do grupo Folha-UOL

Um a cada cinco textos passa pela terceira correção  (Folha de S.Paulo – Fovest – 07/07/09)

Não é fácil corrigir a redação do vestibular. Na Unicamp, 20% dos textos têm de ser avaliados três vezes. A terceira checagem também é adotada nas outras universidades estaduais paulistas. Na Unesp, é bem menos comum -5%. Tal qual na Unicamp, cada redação pode ser examinada até cinco vezes em caso de nota divergente; na USP, são três vezes.
A rechecagem ocorre para assegurar que o aluno tenha uma nota justa, segundo as universidades. Se um corretor dá nota zero e outro não, a redação é revista. Fugir do tema é algo que faz o aluno zerar. A Unesp avisa que, se não for usada a modalidade pedida (como dissertação), o aluno também leva zero. O ritmo de correção é intenso. Em uma jornada de oito horas de trabalho, em média, cada corretor da Unicamp avalia cem redações, uma a cada cinco minutos, mesmo tempo da USP. Na Unesp, são cerca de 200 redações por dia -ou uma a cada dois minutos e meio. Ana Carolina Cleto, 19, já se deu mal na redação, o que ela atribuiu ao nervosismo e à argumentação inconsistente. Foi em 2008, ao prestar medicina na Unifesp. “Tive média para passar, mas minha nota foi tão baixa na redação que eles nem consideraram.” Agora, ela treina redação no cursinho e faz aula particular. O esforço tem surtido efeito? “Muito. Meu texto está mais claro.”

MEC quer mudar nomes de cursos de engenharia (Folha de S.Paulo – Fovest – 07/07/09)

O governo federal vai padronizar os nomes dos cursos de engenharia no país. Hoje há 258 nomenclaturas -a proposta é agrupá-las em 22. A Secretaria de Educação Superior abriu consulta pública (no site www. educacao.gov.br) para receber sugestões sobre o tema. O prazo vai até o dia 31 deste mês. Depois disso, a pasta fará a alteração. Engenharia elétrica, por exemplo, vai concentrar cinco nomenclaturas: elétrica e eletrônica, eletrotécnica, elétrica e das energias, elétrica industrial e elétrica. O objetivo é facilitar a elaboração de projetos pedagógicos dos cursos.