09/08/2010 / Em: Clipping

 


A universidade pública forte (Folha de S. Paulo – Poder 09/08/10)

O nosso sistema universitário público merece fazer parte do debate eleitoral

Nestes últimos anos, um dos fenômenos mais dignos de nota foi o fortalecimento da universidade pública graças a um importante ciclo de expansão e interiorização do sistema federal. Tal fenômeno merece estar presente na pauta do debate eleitoral que se inicia.
Em 2002, as universidades públicas federais encontravam-se em situação terminal. O deficit de professores necessários para simplesmente conservar o sistema tal como era nos anos noventa chegava a 7.000. Talvez alguns se lembrem do caso de universidades que precisaram limitar sua atividade noturna por não ter dinheiro para pagar conta de luz.
No lugar das universidades públicas, vimos uma política que incentivava a proliferação de universidades privadas, em larga medida, dissociadas do tripé pesquisa/docência/extensão e cuja qualidade, até hoje, não passou o estágio do duvidoso.
É bem provável que esta experiência tenha mostrado que o sistema privado sai-se muito bem quando é questão de criar centros direcionados à formação para o mercado (como escolas de administração de empresas, publicidade, comunicação, economia, entre outros).

Após vazamento de dados do Enem, MEC tem desafio de superar suspeitas (Folha de S. Paulo – Saber – 08/08/2010)

ANTÔNIO GOIS
DO RIO

Para entender os problemas no Enem –o vazamento de dados de estudantes na internet na semana passada foi o mais recente– vale atentar para o desvio na rota original do Inep, autarquia do Ministério da Educação responsável pela prova.

O instituto foi criado em 1937 para subsidiar políticas educacionais via pesquisas e estudos. Agora organiza o maior vestibular do país, status que passou a ter o Enem.

Quem defende a mudança argumenta que ela é necessária porque o MEC deu finalidade ao exame que, até pouco tempo, era aceito por poucas faculdades de ponta.

Quando surgiu, em 1998, o Enem tinha como objetivos servir como parâmetro para o currículo do ensino médio e fornecer uma avaliação de aprendizado ao estudante. Aos poucos, instituições foram aceitando o exame como substituição ou complemento a processos seletivos.

Enem 2010 tem 4,6 milhões de candidatos inscritos (Folha de S. Paulo – Saber – 09/08/10)

AGÊNCIA BRASIL

Mais de 4,6 milhões de estudantes se inscreveram para participar do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2010. Exatamente 4.611.441 candidatos são esperados para fazer as provas nos dias 6 e 7 de novembro.

O número de inscritos em 2010 é o maior desde que o exame foi criado em 1998. O recorde anterior tinha sido registrado no ano passado, quando a prova passou a ser utilizada nos processos seletivos das universidades federais. Cerca de 4,1 milhões de estudantes se inscreveram para o exame em 2009, mas a abstenção foi superior a 30%.

O Estado com mais candidatos inscritos é São Paulo: 827.818. Em seguida vêm Minas (538 mil), a Bahia (428 mil), o Rio de Janeiro (314 mil), Rio Grande do Sul (295 mil), Paraná (228,4 mil), Pernambuco (228 mil) e o Ceará (208 mil). O Sudeste e o Nordeste concentram quase 70% dos participantes.



A desmoralização do Enem (Estado de S. Paulo – Notas e Informações – 0/08/10)

Os fatos não confirmam as repetidas declarações do presidente Lula de que o ministro da Educação, Fernando Haddad, é um dos mais competentes membros de sua equipe. O vazamento dos dados pessoais de 12 milhões de alunos que se submeteram às três últimas edições do Enem é mais uma confirmação de que pouca coisa funciona bem na área de educação. Informações que deveriam ser mantidas em sigilo foram expostas no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) com acesso livre.

Trata-se de falha grave. Em primeiro lugar, porque resultou no desrespeito ao direito à inviolabilidade de informações pessoais previsto pela Constituição, no capítulo das garantias fundamentais, e em uma violação das leis que disciplinam a segurança no processamento de dados pessoais em órgãos públicos. E, em segundo lugar, porque o episódio expõe os alunos a investidas de criminosos, uma vez que os dados vazados constituem um verdadeiro maná de informações para estelionatários e até sequestradores. Com o CPF, o RG e os nomes dos pais de uma pessoa é possível a prática de uma série de delitos – da confecção de documentos falsos à abertura de empresas fictícias e contas bancárias. “O criminoso comete os crimes, mas consegue ficar com o nome limpo, enquanto o estudante que prestou o Enem pode ficar com o nome sujo”, diz o delegado Eduardo Gobetti, do Deic.