09/09/2014 / Em: Clipping

 


Unicamp é a 5ª melhor do País, segundo ranking (Correio Popular – Cidades – 09/09/14)

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi classificada como a quinta melhor do País na terceira edição do Ranking Universitário Folha (RUF), divulgado ontem pelo jornal Folha de S. Paulo. A análise alia indicadores objetivos, como volume de publicações científicas, à opinião dos profissionais envolvidos no Ensino Superior. O Instituto Datafolha ouviu 611  professores universitários que avaliam cursos para o Ministério da Educação e 1.970 por recursos humanos. A avaliação ocorre desde 2012. Apesar da crise e da greve dos funcionários— que começou em maio—, a Unicamp conseguiu manter a posição alcançada nos últimos dois anos. São 192 universidades brasileiras classificadas, levando indicadores de pesquisa, inovação, internacionalização, ensino e mercado. A Unicamp ficou atrás da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Entre os cursos escolhidos como os melhores da Unicamp estão engenharia de controle e automação, farmácia e matemática. Os indicadores que consideram a opinião do mercado de trabalho e a qualidade de ensino foram unificados e passam a compor uma lista só, em vez de duas. Esse resultado sintetiza aspectos importantes para um curso, como a inserção no mercado, qualidade do ensino e aproximação com a pesquisa, por meio de indicadores como a proporção de docentes com doutorado ou mestrado. Outra alteração foi o aumento do número de cursos de graduação avaliados, de 30 para 40, com o maior número de ingressantes no País. A amostra abrange 93% de todos os calouros no Ensino Superior em 2012. Nessa avaliação de cursos de graduação, a USP foi a escola que mais obteve primeiros lugares (20), seguida das federais de Minas Gerais (7) e do Rio (5) e da Unicamp (3).Os alunos Guilherme Tavares de Silva, de 22 anos, e Karina de Albuquerque Tagliari, também de 22 anos, estudam na Faculdade de Matemática da Unicamp, cujo curso é considerado um dos melhores. A experiência para ambos é diferente. Guilherme faz bacharelado e está no 8º semestre, enquanto Karina faz licenciatura e completa o 3º ano de estudos. “A pesquisa é muito forte. Desde o primeiro ano somos incentivados a fazer Iniciação Científica. Esse ponto é importante. Outra coisa é que nos últimos dois anos, temos matérias da pós-graduação, oque também incentiva a continuar estudando”, contou Guilherme Já Karina sente que a faculdade proporciona conhecimento de matemática para ensino, com práticas pedagógicas. “É puxado, mas não adianta saber fazer e não saber passar adiante a informação. Não sei ainda o que quero seguir, mas tenho vontade de dar aula”, disse. Para ela, a faculdade prepara tanto para o mercado quanto para a área da pesquisa. A aluna Mariana Mazetto, de 23 anos, faz engenharia de controle e automação, e também acredita que o curso prepara para os dois caminhos. Ela está no 4º ano e disse que a faculdade possui infraestrutura e biblioteca com os exemplares necessários para o estudo. “Está tudo ao nosso alcance. ambém temos atividades extracurriculares, como competições de robótica e automotiva. Isso é muito legal”, disse. A faculdade de farmácia, também avaliada como uma das melhores na Unicamp, foi criada em março deste ano. Apesar de recente e ainda não possuir prédio próprio—divide as instalações com a Faculdade de Ciências Médicas e Biologia — é elogiada pelos alunos. “Conseguimos ser a melhor sendo que a faculdade é nova. Imagina se tivesse uma estrutura maior, o quanto seria relevante no Brasil”, afirmou a estudante Louise. Greve A greve dos funcionários da Unicamp completou 110 dias ontem, a espera de avanços na negociação. Para amanhã, está marcada uma nova rodada de negociação do Fórum das Seis—entidade representante dos trabalhadores nas universidades estaduais paulistas— com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Na última semana, o conselho sugeriu um reajuste de 5,2%. A proposta ainda não foi aceita pelos trabalhadores, que esperam índice maior. Também foi proposto abono salarial de 28,60%, além do pagamento dos vales refeição e transporte para todos os servidores.



Brasil dá mais do PIB para educação que países ricos, mas gasto por aluno é pequeno  (Globo.Com – G1 Vestibular – 09/09/14)

O Brasil já destina mais do seu PIB para educação do que os países ricos, mas o gasto por aluno ainda é pequeno, pelo que indica um novo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE). O Brasil aparece em penúltimo no ranking de investimento por alunos no relatório, lançado nesta terça-feira, que compara resultados dos 34 países da organização, que reúne países ricos, e outros dez países em desenvolvimento. A educação de um brasileiro é feita com um terço do valor gasto com um estudante dos países ricos, em média, diz a OCDE. Mas o Brasil tem um número alto de alunos; quando o investimento é dividido pelo número de estudantes, ele se dilui. Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o alto grau de repetência e evasão acaba inflando o número de alunos. A baixa qualidade do ensino também sobrecarrega o sistema. Dentro dos gastos públicos totais do Brasil, a educação até recebe uma atenção grande: em 2011, 19% de todo o gasto público do Brasil foi destinado para a educação. A média da OCDE é de 13%. O gasto público total em educação representou 6,1% do PIB, quando a média da OCDE é de 5,6%. Porém, quando divide-se o gasto pelo total de alunos, o país fica em penúltimo lugar. Gastou US$ 2.985 por estudante, enquanto a média da OCDE é de US$ 8.952.



Critérios do RUF valorizam mais as escolas públicas, afirma especialista   (Folha Online – Educação – 09/09/14)


A terceira edição do RUF (Ranking Universitário Folha) foi recebida com críticas e elogios por leitores do jornal, estudantes e dirigentes de instituições de ensino superior do país. A maioria dos que entraram em contato com a Folha nesta segunda-feira (8) buscou informações sobre a metodologia do ranking de universidades e dos rankings de cursos –o RUF classifica 192 universidades brasileiras e cada um dos 40 cursos com mais ingressantes no país. Para o presidente da ABMES (Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior), Sólon Caldas, alguns critérios do RUF tendem a valorizar mais as instituições públicas de ensino.  Um exemplo é a proporção de professores com dedicação integral ou parcial no total do corpo docente, que vale 4% da nota recebida pelas universidades no RUF.

Universidades melhores no ensino buscam autonomia para seus alunos  (Folha Online – Educação – 09/09/14)

Dar aos alunos autonomia e responsabilidade para solucionar problemas é o objetivo de métodos adotados em universidades com ensino bem avaliado no RUF 2014. As características aparecem em cursos da UFMG, UFRJ, UnB, UFSCar e USP, que ficaram entre as melhores na análise que considera fatores como opinião dos avaliadores do Ministério da Educação. Os resultados foram divulgados nesta segunda (8). Por meio de diferentes metodologias, a ideia é fazer os estudantes buscarem soluções para situações da futura profissão, em vez de ficarem nas cadeiras de sala de aula de forma passiva. Em matéria sobre mediação de conflitos no curso de direito na UFMG, o professor apresenta casos em que pode haver conciliação entre as partes, como a briga de vizinhos devido a uma obra. A turma foi dividida em três. Cada vizinho foi representado por um grupo e o terceiro fez o papel de conciliador. Ao professor coube balizar as discussões.

Análise: Isolados, critérios do RUF são imprecisos, mas funcionam em conjunto (Folha Online – Educação – 08/08/14)

Na mitologia grega, Procusto é um vilão que assassinava quem se aventurasse pela região do monte Korydallos, no caminho entre Atenas e a cidade sagrada de Elêusis. Ele convidava a vítima a deitar-se numa cama de ferro e, se ela fosse menor do que o leito, esticava seus membros até esquartejá-la. Se fosse maior, cortava-lhe as pernas. Nenhum viajante se salvava, pois, secretamente, Procusto mantinha duas camas com dimensões diferentes e sempre punha o peregrino na que não lhe servia. Modernamente, usa-se a expressão “cama de Procusto” para designar um padrão arbitrário para o qual a conformidade é forçada. Fazer um ranking universitário é submeter instituições a uma bateria de dezenas de leitos de Procusto, na esperança de que depois, analisando os pedaços decepados e os distendidos, seja possível estimar o tamanho das vítimas. Isso significa que, tomados isoladamente, todos os indicadores utilizados no RUF são imprecisos, às vezes até problemáticos. Mas espera-se que, no conjunto, ofereçam um retrato razoável dos pontos fortes e dos fracos de cada instituição.     Diferentemente de Procusto, o ranking não tem o objetivo de eliminar o viajante, mas permitir que ele se conheça melhor, se compare a outros andarilhos e que todos tenham a oportunidade de ajustar-se à rota. Uma medida da produção universitária, mesmo que imperfeita, é preferível a nenhuma medida. Como gostam de dizer os físicos, só conhecemos aquilo que podemos medir.

A universidade não é um país   (Folha de S.Paulo – Mercado – 09/09/14)

USP, Unicamp e Unesp querem fatia maior do bolo de dinheiro arrecadado pelo governo paulista. As universidades argumentam que têm cada vez mais alunos e cursos, mas desde 1995 recebem os mesmos 9,57% da receita anual do ICMS. Parece que o orçamento das universidades está congelado, pois. Só que não. Se o bolo de dinheiro do ICMS cresce, a fatia das universidades também aumenta, óbvio. Essa conversa descambou para crise, escândalo e greve quando a USP “descobriu” que sua despesa com pessoal é maior que a receita. Não dá para discutir a universidade com base apenas em conta de padaria, embora o debate tenha de passar por aí. Quando falta pão, fica mais difícil todo mundo ter razão. Considere-se o caso mais estrambótico, o da USP, que passou a gastar 105% de sua receita com despesas de pessoal e leva 52,5% do dinheiro para as “três irmãs”. Depois de 2002 até 2013, os repasses para a USP cresceram uns 63% em termos reais (isto é, já descontada a inflação), segundo o balanço orçamentário. Trata-se de um crescimento maior que o da economia brasileira no período (o PIB aumentou uns 46%). O número de alunos da graduação cresceu 37%; o de cursos, 53%. O quadro de servidores cresceu 20%; o de professores, quase 26%. Em termos de oferta de cursos e matrículas, a USP se tornou mais eficiente, dado o quadro de funcionários.