09/11/2017 / Em: Clipping

 

A boa escolha do Enem (Folha da Região – Editorial – 08/11/2017)

Tema suscita discussão acerca do respeito às diferenças

Alvo de polêmicas nos últimos anos, especialmente em relação à sua redação, a organização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi feliz, em 2017, na escolha do tema para verificar a capacidade de produção textual dos milhares de candidatos a vagas nas universidades. Enquanto na véspera do exame havia grande expectativa por temas que têm gerado forte discussão nas redes sociais ultimamente, como a situação político-econômica do País e a homofobia, a prova saiu com assunto sobre a educação de surdos no Brasil. A escolha da banca examinadora pegou tanta gente de surpresa, inclusive professores, que, logo, ficou ofuscado o intenso debate criado nos dias anteriores à prova: no caso, a possibilidade de se aplicar zero ao candidato que atentasse contra os direitos humanos e a sustentabilidade. Para uma boa reflexão sobre a inclusão de surdos no ensino, não é preciso o autor de um texto ser profissional da educação. Trata-se do tipo de questão que suscita uma discussão sobre o princípio constitucional segundo o qual educação é um direito de todos. Sob o ponto de vista moral, produz a conscientização acerca do respeito às diferenças. Essa é uma realidade que não está distante de Araçatuba, onde, somente, na rede municipal de ensino, há aproximadamente 400 crianças portadoras de necessidades especiais, uma parte delas com deficiência auditiva. Trabalho voltado à inclusão desses alunos já ocorre, conforme mostrou reportagem publicada por esta Folha, em outubro, no caderno especial sobre educação. Apesar de iniciativas como estas, o desafio é grande. Não é à toa que uma lei de 2002 determinou que a Libras (Língua Brasileira de Sinais) se torne a segunda língua oficial do Brasil. O problema é tão grave que, não raramente, surgem relatos de escolas que negam matrícula a alunos surdos por não haver profissional capacitado para lidar com eles. Quando não, há instituições privadas de ensino que cobram a mais das famílias dessas crianças a fim de custear a despesas com professor bilíngue ou intérprete. Seguramente, o estudante que refletiu com a sensibilidade que o tema merece ser tratado terá resultado satisfatório. O trato com coerência mostrará ainda aquele futuro universitário preparado para enfrentar desafios, buscando soluções, esta uma premissa do exame nacional desde a sua criação. Muito provavelmente, essa é a visão que a redação do Enem esperava, um trato mais humano, que difere, e muito, de qualquer forma de especificidade, como apregoaram os críticos da escolha do assunto.

 


ENEM – um modelo esgotado (Veja – Educação – 08/11/2017)

Qual será o futuro do ENEM? Parece que o país se convenceu da necessidade de diversificar o ensino médio – portanto, caberá diversificar também a avaliação.

O ENEM dá todos os sinais de um modelo esgotado. O que surgiu como solução parece ter se transformado em problema. Resta tirar conclusões para pensar nos próximos passos. O lado positivo do ENEM é bem conhecido. Ele se tornou uma instituição nacional e mobiliza a sociedade. A imprensa dedica um espaço infinitamente superior ao ENEM do que a qualquer outro assunto da área de educação. Possivelmente isso reflete o alto interesse e investimento da classe média no tema. Outro aspecto positivo é que, de certa forma, o ENEM ampliou o acesso, simplificou os procedimentos e reduziu os custos para alunos que antes tinham de viajar para fazer diferentes vestibulares em diferentes lugares. Um terceiro aspecto positivo foi o de introduzir novas formas de avaliar os conhecimentos dos vestibulandos, provocando alunos e professores a ir além do “livresco”. Mas os aspectos negativos começam a pesar. O caso da redação é o mais conspícuo. Uma das vantagens de questões abertas é exatamente evitar o “treinamento” associado a questões fechadas, tipicamente de múltipla escolha. Isso deveria levar a formas alternativas para preparar os alunos. Mas o que se viu não foi isso – tanto devido a problemas de escolha de temas quanto a custos e critérios de correção. Embora não diretamente comparáveis ano a ano, as notas na redação vêm caindo na escala de zero a dez. Ou seja, a redação também não contribuiu para aprimorar o ensino da redação – nem as competências a isso associadas. O outro aspecto negativo é a relação do ENEM com o ensino médio. O ENEM nasceu para avaliar o ensino médio – como está indicado no seu nome: Exame Nacional do Ensino Médio. Mas se tornou um substituto para o vestibular. Ficou no meio do caminho, e ninguém pode servir a dois senhores. Acabou optando pelo vestibular, que dá mais glamour. Na prática, as escolas de ensino médio continuam ensinando uma quantidade gigantesca de matérias e não há qualquer diferenciação para estimular as opções dos alunos. Ou seja, não teve impacto no ensino médio. Esta seria uma boa hora para iniciar uma discussão profunda sobre o futuro do ENEM. De um lado, parece que o país já se convenceu da necessidade de diversificar o ensino médio – portanto, caberá diversificar também a avaliação. Na reforma aprovada do ensino médio, pelo menos nas intenções, existe a ideia de estimular as opções dos alunos, o que poderia ensejar provas mais específicas de acordo com o interesse do aluno. Não existe uma solução razoável para atender ao mesmo tempo a avaliação do ensino médio e a seleção de alunos para o ensino superior. Insistir nessa direção não trará grandes avanços para o país.

 


Mais de 20 mil farão exame para certificação dos ensinos fundamental e médio (Tribuna Hoje – Educação – 08/11/2017)

Provas serão realizadas no dia 19 deste mês, em seis polos

Após o segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece no dia 12 deste mês, os brasileiros vão se preparar para uma nova maratona de provas, desta vez as do Exame Nacional para a Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). O exame, que será aplicado no dia 19 de novembro, substituiu o Enem como ferramenta de certificação de conclusão do ensino médio. Em Alagoas, mais de 20 mil pessoas participarão deste processo, que também contemplar a certificação para o ensino fundamental. Nesta quarta-feira (8), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) liberou a consulta dos locais de prova para os candidatos. De acordo com o órgão, em Alagoas, a prova acontecerá em seis polos, sendo 6.133 participantes em Arapiraca; 771 em Delmiro Gouveia; 11.410 em Maceió; 430 em Porto Calvo; 1.323 em Santana do Ipanema e 713 em União dos Palmares, totalizando 20.780 candidatos. Outra mudança no certame foi que somente as secretárias estaduais da Educação poderão realizar a certificação dos ensinos médio e fundamental. Os institutos federais só emitirão o certificado para o ensino médio.

Provas

Os testes serão realizados durante todo o dia. As unidades que sediarão o exame abrirão os portões às 8h, de acordo com o horário oficial de Brasília (7h no horário local) e fecharão os mesmos às 8h45 (7h45 no horário local). No horário matutino, o exame acontece de 9h às 13h (8h às 12h em Alagoas). No turno da tarde, os portões ficam abertos de 14h30 às 15h15 (13h30 às 14h15 no horário local) e as provas acontecem das 15h30 às 20h30 (14h30 às 19h30 em Alagoas). Todas as mudanças foram retificadas em publicação do Diário Oficial da União (DOU), do dia 13 de setembro. Para participar da prova é necessário ter, no mínimo, 15 anos de idade para quem busca certificação do ensino fundamental e 18 ano para o ensino médio.

Locais das provas

Na capital, as provas serão realizadas nas escolas Irene Garrido, Dr. Miguel Guedes Nogueira, Mirian Marroquim, José Silveira Camerino, Theonilo Gama, Virgínio de Campos, Maria das Graças Sá Teixeira, Rodriguez de Melo, Benedita de Castro, Noel Nutels, Eduardo da Mota Trigueiros, Alberto Torres, Maria Ivone, Mario Broad, Rosalva Pereira Viana, Campos Teixeira, Erotildes Saldanha, Sebastião da Hora, Edmilson Pontes, Manoel Simplício, Rosalvo Lôbo, Dom Otávio Barbosa Aguiar, Pedro Teixeira, Marcos Antônio, Benedito de Morais, Eduardo Mota Trigueiros, Edson Bernardes, Afrânio Lages, Maria José Loureiro, Teotônio Vilela, Margarez Lacet, Maria Salete de Gusmão, Gilvania Ataíde Cavalcante, Miguel Guedes Nogueira, Geraldo Melo, Jornalista Lafaiette Belo, Colégio Tiradentes, Tavares Bastos, Aurelina Palmeira, Alfredo Gaspar de Mendonça, José Maria Correia das Neves, Dom Pedro II, Princesa Isabel, Vitorino da Rocha, Laura Dantas, Moreira e Silva, José Correia da Silva Titara, Eunice Campos, Theotonio Brandão, Dr. Fernandes Lima, Onélia Campelo, Rosalvo Ribeiro e José Correia da Costa. Em Arapiraca, as provas acontecem nas escolas Manoel André, Lions Club, Aurino Maciel, Adriano Jorge, José Quintela Cavalcante, Costa Rego, Pedro de França Reis, Manoel Lúcio, Senador Rui Palmeira, Izaura Antônia de Lisboa, Padre Jefferson e Arthur Ramos. Em Santana do Ipanema,as escolas Mileno Ferreira da Silva, Padre Francisco Correia, Ormindo Barros e Laura Chagas sediam a avaliação. Já em União dos Palmares, as unidades aplicadoras do exame são as escolas Monsenhor Clóvis Duarte de Barros, Dr. Paulo Castro Sarmento, Dr. Jorge de Lima e Rocha Cavalcante. Nos polos de Porto Calvo e Delmiro Gouveia, as escolas ainda serão definidas.