10/12/2010 / Em: Clipping

 


Educação: gerúndio e apartheid (Folha de S.Paulo – Opinião – 10/12/10)

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Quanto é oito dividido por quatro? – Não sei, preciso de um papel. O jovem Evanildo cursa o 3º ano do ensino médio numa escola estadual em Maceió. Aos 18 anos, acaba de fazer vestibular para a Universidade Federal de Alagoas. O personagem, entrevistado pelo jornal “O Globo”, pode virar universitário. Mas é o retrato de uma tragédia. Alagoas e Maranhão são os dois Estados brasileiros com os piores resultados no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos. O exame, realizado a cada três anos, compara o desempenho em leitura, matemática e ciências de jovens de 15 anos, em 65 países. É incrível que a terra há décadas submetida à oligarquia do literato José Sarney, o “companheiro” de Lula, ostente invariavelmente, em qualquer ranking que se faça, os piores indicadores sociais do país. O Brasil obteve avanços expressivos no Pisa desde 2000, mas segue em situação vexatória: 57º em matemática, 53º em ciência e leitura. A Argentina, em leitura, está em 58º: como, aliás, explicar a derrocada educacional dos “hermanos”, culturalmente tão sofisticados? O mais alarmante, no caso brasileiro, é que aumentou, nos últimos três anos, o fosso entre as redes pública e privada. Com exceção das escolas federais, ilhas de excelência que respondem por pouco mais de 200 mil alunos num universo de 52,5 milhões, a competência para leitura na rede pública brasileira fica em 58º lugar no ranking. Já a rede privada ocupa a 9ª posição. Ocorre que a rede pública é responsável por 85% dos estudantes dos ensinos fundamental e médio. A distância entre o desempenho nas escolas públicas e nas particulares, que se ampliou, caracteriza um quadro nítido de apartheid. Fazemos ainda pouco caso do que significa formar Evanildos. Em “perspectiva histórica”, como diz Fernando Haddad, um bom sujeito, estamos, sim, avançando. Devagar, mas melhoraaaaaaaaaando -é um gerúndio exasperante esse.

Dança eleva participação em ensino superior  (Folha de S.Paulo – Ilustrada – 10/12/10)

O mito de que todo bailarino pensa só com os pés está vindo abaixo no Brasil. Até 2000, apenas cinco graduações em dança atuavam no país. Em 2009, esse número quadruplicou e, em 2010, mais três cursos surgiram. A explosão dessa linguagem no ensino superior é um dos dados que saltam na Cartografia Rumos Dança 2009-2010, lançada semana passada pelo Itaú Cultural. Espécie de “censo” da dança, a Cartografia é realizada a cada três anos e, desde 2000, coleta dados de 50 cidades de todas as regiões. “Um dos motivos [do aumento] foi a expansão do ensino superior no governo Lula. O outro, a organização da classe artística para buscar mais formação”, explica Sonia Sobral, coordenadora-geral do Itaú Rumos Dança.
Para Giancarlo Martins, um dos 13 pesquisadores que levantaram os dados, o crescimento também tem a ver com o fortalecimento da dança como área específica de produção de conhecimento. “Mas é claro que também há uma questão de mercado e de ampliação das possibilidades de sobrevivência com a dança”, afirma ele. Outro dado é o incremento do número de iniciativas de apoio à produção artística, como editais de financiamento. Em 2000, eram 38. Em 2009, passaram a 106. O problema: a maior parte delas é custeada com dinheiro público e fica à mercê de cortes de orçamento e de interesses de gestão. Essa instabilidade reverbera na própria produção artística. “A falta de regularidade e o rodízio entre os premiados faz com que grupos se dissolvam”, diz a pesquisadora Thembi Rosa.



Remédio para o Apartheid  (Jornal do Brasil – Internacional – 10/12/10)

A Universidade da Cidade do Cabo, na África o Sul, já foi um privilégio dos brancos nas ladeiras majestosas do Devil’s Peak. No auge do apartheid, ela admitia poucos estudantes negros ou mestiços. Eles eram barrados nos dormitórios universitários, e até mesmo proibidos de participar de autópsias em corpos de brancos na Faculdade de Medicina. Agora, a melhor universidade do país é multirracial. E está envolvida em um debate sobre o alcance das ações afirmativas para curar as feridas de uma história de opressão. A discussão gera conflitos similares nos Estados Unidos, onde meia dúzia de estados baniu o uso de preferências raciais na admissão a universidades públicas. –  Estamos aqui porque somos negros ou porque somos inteligentes? – pergunta Sam Mgobozi, 19 anos, estudante negro de classe média que freqüentou uma escola de primeira linha em Durban e consideram as ações afirmativas uma ofensa, apesar de admitir que candidatos negros pobres ainda possam precisar delas. A Universidade da Cidade do Cabo deveria ter resolvido esse debate no ano passado, quando seus professores apoiaram uma diretriz que concedeu preferências de admissão com base em categorias raciais do apartheid para estudantes negros, mestiços e indianos. Sem a resolução do problema a respeito das cotas para negros na Universidade do Cabo, o desconforto com a abordagem atual causou uma forte troca de farpas nos jornais, no último ano. Estudantes e professores discutem se os filhos de negros das emergentes classes média e alta devem continuar a receber os mesmos benefícios de admissão que os alunos negros pobres. Dezesseis anos após a ascensão política da maioria negra, o dilema da universidade ecoa por toda a sociedade, que está em conflito, sem saber como alcançar uma reparação racial, seja em diretorias empresariais ou em salas de aula. O professor Neville Alexander, sociólogo marxista que foi classificado como mestiço durante o apartheid, despertou o debate no campus alegando que a ação afirmativa trai os ideais do não racismo pelo qual tantos lutaram. Alexander, que passou uma década preso em Robben Island com Nelson Mandela, insiste que a Universidade da Cidade do Cabo deve resistir à pressão do governo de usar indicadores raciais para determinar o desempenho da instituição: – O governo, durante o apartheid, fez o mesmo, e o mandamos para o inferno. O defensor da ação afirmativa no campus é Max Price, o vice-chanceler, que foi detido como ativista estudantil antiapartheid em meados da década de 70. Price, que cresceu como uma criança com privilégios brancos, sustenta que preferências baseadas nas classificações raciais do apartheid oferecem uma forma de ajudar os que foram prejudicados pelo sistema a obter oportunidades educacionais fundamentais.

Brancos são maioria

A universidade tem uma diretriz de admissão de negros com pontuação em exames significativamente mais baixa que a dos brancos, mas estes ainda são maioria. Em uma proporção de quase dois para um, são 45% contra 25% – entre os 20.500 estudantes sul-africanos da universidade. Na África do Sul, 79% da população são negros e apenas 9%, brancos. Mesmo com extensivos programas de instrução compensatória no campus para ajudar alunos em desvantagem, apenas pouco mais da metade dos estudantes negros se forma. Enquanto isso, quatro em cada cinco alunos brancos completam a sua formação. – Estamos recebendo os melhores e eles estão tendo dificuldades– disse um suplente do vice-chanceler Crain Soudien. A situação é ainda mais desanimadora na educação superior em todo o país. Em engenharia, direito, ciências e administração, cerca de um terço ou menos dos estudantes negros consegue obter um diploma em cinco anos, como mostram pesquisas. Os esforços do país para produzir profissionais negros continuam debilitados por escolas públicas deficientes em áreas rurais pobres e distritos negros que o governo pós-apartheid foi incapaz de recuperar. A classe social é outro fator complicador. Há amplas disparidades de renda entre os sul-africanos brancos e negros, ,mas também entre os próprios negros. O mercado de trabalho recompensa os formados nas melhores universidades e pune os que não tiveram uma boa educação: a maioria, negros.



Unicamp convoca para prova específica de vagas remanescentes  (Globo On Line – Vestibular – 06/12/10)




A Unicamp divulgou nesta segunda-feira (6) a lista de convocados para as provas específicas de conhecimento do processo seletivo de vagas remanescentes 2011. As provas serão realizadas de 13 a 18 de dezembro. As provas específicas podem consistir de entrevista, parte escrita e outras formas de avaliação. Foram selecionados os candidatos que tiveram seus currículos julgados compatíveis pelas coordenações de graduação dos cursos, para os semestres onde há vagas.



Unicamp convoca para prova específica de vagas remanescentes  (Gazeta do Povo – Vestibular – 06/12/10)

A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) divulgou nesta segunda-feira (6) a lista de convocados para as provas específicas do processo seletivo de vagas remanescentes 2011. As provas serão realizadas de 13 a 18 de dezembro nas diferentes unidades de ensino da Unicamp. A lista tem 192 convocados. As provas específicas podem consistir de entrevista, parte escrita e outras formas de avaliação. Foram selecionados os candidatos que tiveram seus currículos julgados compatíveis pelas coordenações de graduação dos cursos, para os semestres onde há vagas.