11/04/2012 / Em: Clipping

 


Guia de carreiras: música   (Globo.Com – G1 Vestibular – 10/04/12)

Quando tinha 14 anos, Danilo Araújo foi convencido a entrar para a fanfarra da Escola Estadual Professora Maria Peccioli Giannasi, na Zona Sul de São Paulo, com o argumento de que ganharia nota extra em matemática. Pediu para tocar guitarra, mas, por falta de vagas, acabou recebendo um trompete. Hoje, dez anos depois, o instrumento continua em suas mãos por pelo menos oito horas diárias. Estudante do segundo ano do curso superior de música na Faculdade Mozarteum de São Paulo, e aluno da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (Emesp), Danilo vive apenas da paixão que conheceu ao acaso, na adolescência. “Toco em eventos, bares de jazz, restaurantes, tenho um quinteto de metais que trabalha com músicas brasileiras, toco em orquestra, faço cachês e dou aula”, diz o trompetista de 24 anos, que pretende um dia ser professor universitário e consultor na área. Danilo é um exemplo comum na carreira de músico. Segundo o professor Everton Gloeden, que dá aulas de violão erudito na Emesp, a carreira “é mais uma vocação do que uma profissão” e, hoje em dia, os músicos com bacharelado devem estar preparados para atuar tanto na música clássica quanto na popular, além de manter várias fontes de renda. De acordo com Roberto Bueno, secretário-geral da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) e presidente da regional São Paulo, hoje o país tem cerca de 600 mil pessoas vivendo da profissão. “Mas só cerca de 5% dos músicos, independente de ter faculdade ou não, ganha o que quer e quanto quer, porque já chegaram nos pícaros da glória”, diz. Bueno cita como exemplo a dupla de música sertaneja Chitãozinho e Xororó, dois dos músicos mais famosos do Brasil, que não têm formação formal na área. Ele explica ainda que outros 5% dos músicos brasileiros têm salário fixo e direitos trabalhistas assegurados porque trabalham em orquestras ou como professores universitários, por exemplo. Outros 5%, segundo ele, são donos de bandas de música, escolas livres ou conservatórios, e também conseguem sobreviver disso. Os demais 85% da categoria atuam como autônomos. Os sindicatos mantêm tabelas de preços dos cachês, mas nem sempre elas são seguidas, diz.