12/02/2009 / Em: Clipping

 


Diminui oferta de vagas nas universidades estaduais (Universia Brasil  – Tendências e Debates – 11/02/09)

Falta de financiamento e menor procura estão dentre as causas

As universidades estaduais brasileiras perderam 11.292 vagas de 2006 e 2007. O total de vagas caiu de 121.844 em 2006 para 110.552 no ano seguinte. O movimento de retração foi revelado pelo Censo da Educação Superior 2007, realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira), e indica que as instituições estaduais estão na contramão dos outros segmentos do Ensino Superior. As vagas oferecidas pelas universidades federais no mesmo período aumentaram 4,5%, de 125.310 para 131.057. O crescimento foi ainda mais expressivo nas instituições particulares de Ensino Superior, que apresentaram alta de 16,3% no número de vagas disponíveis, eram 1.396.377 em 2006 e chegaram a 1.625.249 em 2007. O estado que apresentou a maior redução no número de vagas foi o Maranhão, que em 2007 perdeu 2.586 vagas das 4.533 contabilizadas em 2006. Assim, em 2007, 1.947 vagas foram oferecidas pela única universidade estadual maranhense. Para o reitor da UEMA (Universidade Estadual do Maranhão), José Augusto Silva Oliveira, a redução das vagas decorre da falta de continuidade de um programa especial de formação de professores, mantido em parceria com os governos estadual e municipal. “Essa iniciativa era de outra gestão da universidade e tanto o município quanto o estado não demonstraram interesse em continuar com a parceria. Por isso fechamos as vagas”, explica ele. Oliveira garante, no entanto, que as oportunidades serão oferecidas novamente. “Já fechamos acordos com a prefeitura e o estado para reabrir as vagas a partir do segundo semestre desse ano”, conta Oliveira. De acordo Carlos Monteiro, presidente da CM, consultoria especializada em Educação Superior, a queda nas vagas oferecidas pelas estaduais pode estar atrelada às tentativas das universidades elevarem a qualidade de cursos ou ao fechamento de turmas em decorrência de baixa procura. “Cursos com menor procura não apresentam seleção rigorosa. As universidades que buscam excelência têm a opção de fechar algumas vagas para que apenas alunos com melhores notas sejam aprovados”, afirma ele. Além disso, o crescente aumento de oportunidades nas faculdades tecnológicas faz com que diminua a procura por alguns cursos em universidades. “A tendência de aumento de vagas nas áreas tecnológicas e de ensino a distancia aumenta a concorrência com as vagas do ensino tradicional presencial”, analisa Carlos Monteiro. Apesar da queda no número de vagas em universidades estaduais ter sido registrada no País inteiro, a região Sul apresentou o menor índice de vagas eliminadas (veja quadro abaixo). José Carlos Barreto de Santana, reitor da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), onde não houve diminuição das vagas, promete ainda aumentar postos. “Todas as oportunidades foram mantidas e, recentemente ainda abrimos novas turmas de bacharelado e oferecemos mais vagas”, afirma o reitor. João Carlos Gomes, presidente da Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais) e reitor da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), também destacou o desempenho da região Sul e aproveitou para salientar que a UEPG não cortou nenhuma vaga.

Baixa procura

Monteiro aponta outra possibilidade para o fechamento de vagas. Segundo ele, muitos estudantes não podem se manter na universidade com recursos próprios, principalmente os que precisam se mudar de cidade. “Muitos não têm dinheiro para se manter longe de casa. Isso faz com que estudantes desistam do curso ou do próprio vestibular”, comenta. A solução, para ele, seria o governo oferecer uma forma de financiamento para os estudantes. “Muitas vezes não basta que o ensino seja gratuito, o aluno precisa de ajuda de custo para alimentação, moradia e transporte, já que muitos cursos não oferecem o turno noturno”, argumenta Monteiro. O consultor ainda aponta o fato de, em estados como São Paulo, o número de estudantes concluintes do Ensino Médio ter se estabilizado nos últimos anos. “Como as universidades têm aberto novos cursos e o número de alunos que prestam o vestibular não se elevou, a relação de candidatos por vaga pode cair em algumas graduações”, explica Monteiro. Esse seria, afirma, um dos principais motivos para o fechamento de graduações.

 

2006

 

Vagas em IES públicas

Instituições

 

Total

Federal

Estadual

Municipal

Total

Federal

Estadual

Municipal

Brasil

298.191

125.310

121.844

51.037

248

105

83

60

Norte

29.467

19.289

8.478

1.700

18

13

4

1

Nordeste

76.767

29.841

39.630

7.296

63

26

19

18

Sudeste

105.749

38.814

39.064

27.871

109

42

37

30

Sul

54.248

22.335

19.983

11.930

40

14

19

7

Centro-Oeste

31.960

15.031

14.689

2.240

18

10

4

4

 

2007

 

Vagas em IES públicas

Instituições

 

Total

Federal

Estadual

Municipal

Total

Federal

Estadual

Municipal

Brasil

294.025

131.057

110.552

52.416

249

106

82

61

Norte

25.746

16.757

6.929

2.060

18

13

4

1

Nordeste

77.298

32.028

37.909

7.361

60

26

16

18

Sudeste

107.331

42.527

35.945

28.859

112

42

39

31

Sul

51.661

23.586

19.094

8.981

40

15

19

6

Centro-Oeste

31.989

16.159

10.675

5.155

19

10

4

5