13/10/2011 / Em: Clipping

 


‘…estava previsto para embarcar…’ (Folha de S. Paulo – Cotidiano – 13/10/11)

PASQUALE CIPRO NETO

O fato é outro: é o cacoete, a expressão viciada, guiada pelo piloto automático, usada irrefletidamente

Neste espaço, já citei mais de uma vez um texto que o grande Otto Lara Resende publicou nesta Folha, em 1992, no qual o mestre mineiro falava do “desaparecimento” do pronome relativo “cujo”, que “bateu asas e voou. Virou ave migratória”.

Esse texto chegou a ser mote de uma questão da Unicamp, cujo enunciado começava assim: “O comentário acima, do escritor Otto Lara Resende, refere-se ao fato de que o uso do pronome relativo ‘cujo’ é cada vez menos frequente. Isso faz com que os falantes, ao tentarem utilizar esse pronome na escrita, construam sequências sintáticas que levam a interpretações estranhas. Veja o exemplo seguinte: ‘O povo não só quer o impeachment desse aventureiro chamado Collor, como o confisco dos bens nada honestos do sr. Paulo Cesar Farias e companhia. E que a esse PFL e ao Brizola (cuja ficha de filiação ao PDT já rasguei) reste a vingança do povo…'”.