15/07/2015 / Em: Clipping

 

A USP no rumo do inferno n (Folha de S.Paulo – Opinião – 15/07/15)

– Não é preciso plebiscito para saber que o Brasil será melhor quando mais gente tiver acesso a universidades de ponta, ou que o predomínio dos mais ricos nas boas escolas reproduz a desigualdade.  Mas, ao ampliar as cotas em sua seleção, a USP dá respostas perigosas a perguntas muito pouco feitas.
A primeira é qual a forma mais eficiente de uma universidade pública promover justiça. A questão não é retórica, principalmente no caso da USP, sustentada por um dos impostos mais regressivos do país, o ICMS. Se na origem da iniquidade está a falta de desenvolvimento econômico e institucional –e não a seleção universitária–, a melhor forma de construir bem-estar talvez seja amplificar a produção de tecnologia, inovação, processos, reflexão, política pública e profissionais de qualidade. Trocar o balde sob a goteira deixa o chão seco, mas o furo permanece. Outra incógnita é se é justo, de fato, o novo modelo de seleção. Sabemos quem vai perder sua vaga para negros, índios e estudantes de escola pública? E se forem desbotados pobres cuja família se sacrificou anos para pagar uma escola particular? Premiar a origem sobre o desempenho, ainda que de forma parcial, desvaloriza o empenho. Está claro o impacto dessa mensagem? Mais um ponto: se a universidade hoje já não é capaz de facilitar o progresso dos menos ricos com cursos noturnos, moradia, livros e refeições suficientes, como vai apoiar e fortalecer os novos ingressantes? Por fim –já que, entre tantas reformas importantes, resolveu-se mexer na seleção–: manter critérios do século 19 (que nem sempre avaliam o raciocínio, mas a memória) é a forma correta de atrair os alunos com maior potencial de melhorar o país? Não há dúvida de que a USP tem boas intenções. Mas o inferno, dizem, está cheio delas –e o uso populista e inadequado de recursos escassos é uma das vias mais rápidas até lá.

 

A rebelião dos tártaros  (Folha de S.Paulo – Opinião – 15/07/15)

Thomas de Quincey, talvez como expressão de um surto, descreve no conto “A Rebelião dos Tártaros” as latitudes de um povo que vê na fuga a forma oblíqua de rebelião. A comparação pode ser feita com a expansão dos fatores que geram ou deveriam gerar inovação no Brasil.  Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria indica que 6 em cada 10 empresários consideram o grau de inovação da indústria baixo ou muito baixo. Muitos, no entanto, declaram buscar em algum tipo de inovação a solução para a diminuição de custos de fornecedores e melhoria do produto.  Na opinião das empresas, alguns dos motivos da baixa expansão são a ênfase dada à importação ou à cópia, a baixa cultura de inovação nas empresas, a dificuldade do diálogo com as universidades e o baixo nível de formação dos profissionais.  Outros aspectos conjunturais podem ser adicionados, como a trajetória entre a patente solicitada e sua inserção produtiva. O percurso do requerimento até a concessão da patente pode levar de 11 a 14 anos.  Se considerarmos que, entre a patente concedida e a atividade produtiva, a empresa pode decidir pela perda de competitividade do produto, esse tempo pode vir a ser infinito, ou seja, não se realizar.  Algumas das causas desse longo trajeto se relacionam às condições estruturais. Em 2013, no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, a razão entre os pedidos de patentes e o número de examinadores era de 980. Na Europa, em 2012, era 91. Nos EUA, 77.


Especialista desmitifica: não precisa saber tudo para passar no vestibular   (UOL – Educação – 15/07/15)

Foco e disciplina são duas coisas que todo vestibulando precisa ter durante os estudos. Agora, acreditar que é preciso saber todo o conteúdo escolar para conseguir passar no vestibular é um verdadeiro mito, segundo o psiquiatra Celso Lopes de Souza. Para o especialista, a crença de que “eu preciso saber de tudo para passar” é uma grande armadilha para o cérebro e, consequentemente, para o bom desempenho na prova.  “Estudos mostram que o processamento do nosso cérebro depende de uma rede de aprendizado que temos: o consciente. Então, quanto mais apropriada a crença, mais assertiva ela será. Por isso, é melhor o candidato estudar e fazer a prova com a consciência de que ele não sabe de tudo. Se ele valorizar apenas o que sabe e focar seus esforços nisso, o desempenho será muito melhor”, explica o Dr. Celso, que também é autor e professor do cursinho Anglo. “Se ele [vestibulando] faz esse pareamento [que precisa saber de tudo], ele vai seguir por dois caminhos: o do exagero, onde ele vai estudar demais e aí vai chegar lá em setembro completamente acabado. Ou o desânimo, pois ele não vai dar conta de tudo e sempre vai achar que deveria saber mais”, acrescenta. 



Nove em cada dez pais querem que filhos sigam carreiras tradicionais   (O Estado de S.Paulo – Educação – 15/07/15)

Nove em cada dez pais brasileiros gostariam que os filhos seguissem carreiras tradicionais, como Medicina, Engenharia e Direito. A preferência por essas áreas é maior no Brasil do que a média mundial, que foi de 83% dos pais entrevistados, segundo pesquisa realizada em 16 países pelo banco HSBC, nos meses de março e abril deste ano. Dentre os pais que disseram ter preferência para as carreiras tradicionais, 23% disseram que gostariam que os filhos cursassem Medicina, 18% disseram preferir Engenharia e 12%, Direito. Além disso, 83% dos pais disseram querer que os filhos tenham uma profissão diferente da sua. De acordo com Augusto Miranda, diretor de Gestão e Patrimônio do HSBC, a preferência está ligada à falta de organização financeira dos brasileiros. “As carreiras mais populares entre os pais são as mais conservadoras, aquelas com mercado de trabalho já consolidado e com menos riscos. No Brasil, ainda não temos uma cultura de organização financeira, por isso, eles querem que os filhos sigam essas profissões para ter mais segurança.” A pesquisa também apontou que para 89% dos pais brasileiros considera que ter um diploma universitário é “essencial” para atingir “metas importantes na vida”, sendo que 88% dos pais no Brasil também disseram estar dispostos a contribuir financeiramente para a graduação dos filhos. A média global é de 95% dos pais. “Os pais, realmente, desejam que os filhos sejam bem sucedidos em suas carreiras, mas poucos executam um plano financeiro para que a criança possa estudar no país ou fora”, disse Miranda.