16/04/2013 / Em: Clipping

 


Piauiense que passou em cinco universidades dá dicas de estudo   (Globo.Com – G1 Vestibular – 14/04/13)

Aprovado em cinco universidades diferentes no Nordeste e Sudeste, Glauco Moreira Santiago, 18 anos, dedicou muitas horas de estudo para alcançar este resultado. O estudante faz engenharia química na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que tem o curso mais bem avaliado do Brasil. “Meu ritmo de estudo durante o ano foi forte, mas não era muito engessado. Tinha muita dificuldade de estudar as matérias que não gostava. Mas para deixar essa parte menos massante eu respondia questões de vestibulares sobre a determinada disciplina”, relata Glauco que, além da Unicamp, foi aprovado nas universidade federais do Ceará (UFC), Campina Grande (UFCG), São Carlos (UFSCAR) e na Universidade de São Paulo (USP). O estudante afirma que não se pode relaxar com a prática do estudo. “O importante é sempre buscar algo para estudar, pois você nunca sabe de tudo. A escola tem um papel bastante importante nesse caso porque a pessoa auxilia naquilo que tem dificuldade e precisa melhorar”, opina. O terceiro ano do ensino médio é o momento crucial para os estudante de todo Brasil, fase que antecede a escolha do curso almejado. Muitos pesam mão nos estudos e acabam esquecendo o lazer, família e amigos. Não foi esse o caminho trilhado porGlauco Moreira. “Nos finais de semana às vezes eu estudava, mas sempre saia com a família, amigos ou namorada. Relaxar, o que é difícil no terceiro ano, é importante. Quando a pessoa está descansada é bem mais fácil aprender”, aconselha. Para ele, cada atividade tem o seu momento, não podendo uma atrapalhar a outra. “Minha rotina de estudos era cansativa, mas mais por autoexigência e uma preocupação excessiva com o passar no vestibular. Na minha experiência atual eu percebo que a universidade é mais cansativa, porém eu aprendi a realmente relaxar e não ficar pensando em estudos na hora da diversão”.



Ruins de cálculo  (Folha de S.Paulo – Editorial – 16/04/13)

À primeira vista, há muito a comemorar na notícia de que em 2011 houve mais que o dobro de calouros em cursos de engenharia do que cinco anos antes. O aumento acelerado mostra que os jovens brasileiros estão atentos e reagem racionalmente à carência de profissionais nessa área essencial para o desenvolvimento do país. Em 2006, mostram dados do Censo da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), os cursos de engenharia receberam 95 mil novos estudantes, em números redondos. Eram 5% do total de calouros. Em 2011, esse contingente havia saltado para 277 mil –um décimo dos ingressantes. Pela primeira vez, o número de candidatos a engenheiros ultrapassou o de aspirantes na carreira de direito (199 mil). O preferido é o curso de administração, que –como o de direito– só precisa de salas e professores para funcionar e confere formação generalista supostamente útil em qualquer setor. O caso da engenharia é, obviamente, muito diverso. Não só exige laboratórios e bancadas como forma especialistas: engenheiros civis (24% dos calouros), de produção (19%), mecânicos (12%), elétricos (11%) e assim por diante. É desse pessoal com formação técnica apurada que o país carece. O otimismo com o avanço na procura pela engenharia arrefece quando se leva em conta que poucos desses jovens de fato acabam por formar-se. A cada ano, apenas cerca de 45 mil obtêm seu diploma. Como a demanda do mercado de trabalho ronda a casa de 70 mil novos engenheiros por ano, o deficit é de pelo menos 20 mil. Estima-se que a China forme anualmente 600 mil engenheiros –13 vezes a cifra do Brasil, para uma população seis vezes maior. A grande muralha, por aqui, é a dificuldade dos alunos para acompanhar o curso. Cálculo, estatística e física vão abatendo os aspirantes ao longo dos cinco anos da graduação. A maioria deles chega à faculdade com deficiências graves nessas disciplinas, que deveriam ter aprendido no ensino médio. O incremento rápido de ingressantes nas engenharias significa uma proporção ainda maior de jovens com má formação básica. Não é preciso ser pessimista para predizer que a deprimente proporção de formandos pode cair ainda mais. A procura por cursos superiores para formar professores de matemática, física e química, aliás, caiu ligeiramente –de 3% para 2,8%. Aí também a carência é aguda. Sem docentes para preparar alunos capazes de encarar as exigências acadêmicas do terceiro grau, como esperar que o país forme todos os engenheiros de que necessita? A conta não fecha.