17/03/2015 / Em: Clipping

 


Universidade: paternalismo x liberdade   (Carta Capital – Sociedade – 16/03/15)

A morte do jovem estudante do curso de engenharia da Unesp em Bauru, no interior de São Paulo, que, durante uma gincana de bebedeira, ingeriu cerca de 30 doses de vodca, e as investigações acerca de estupros praticados em festas na Faculdade de Medicina da USP, têm suscitado na sociedade as mais variadas e controversas discussões. Fala-se sobre o suposto exacerbamento do comportamento autodestrutivo dos jovens em geral, e dos brasileiros em particular que, segundo estudos do Ministério da Saúde, são cada vez mais acometidos por “transtornos ocasionados pelo uso de álcool”. Em 2012, último levantamento disponível no portal da pasta, 242 mortes na faixa etária dos 20 aos 29 anos foram registradas com essa motivação. Discute-se a legitimidade e a importância de rituais de iniciação como os trotes, o questionamento das responsabilidades, sobretudo nos casos que terminam em eventos trágicos. A universidade, ávida por esquivar-se de um problema que lhe diz total respeito, geralmente é a primeira a tirar o corpo fora. No caso do estudante da Unesp não foi diferente. Diante da notícia da morte de seu aluno, a instituição logo disparou por assessores a informação de que a festa da qual ele participara ocorrera para fora de seus muros, ressaltando que veta o uso de bebidas alcoólicas nas dependências de seus campi. Aqui chega-se a um ponto crucial para debater o papel da universidade na vida do jovem. A proibição de festas e determinadas tradições acadêmicas dentro das universidades, como forma de isentarem-se de responsabilidade em caso de abusos e desfechos indesejáveis, tem sido procedimento corriqueiro.



Cresce número de brasileiros que buscam graduação no Exterior   (Zero Hora – Vestibular – 12/03/15)

É cada vez maior o número de estudantes que buscam continuar sua formação em outro país, depois de terminar o Ensino Médio no Brasil. Em algumas das nações mais procuradas, como Estados Unidos e Canadá, nunca houve tantos jovens brasileiros em cursos de graduação. A presença nacional em ambientes de ensino americanos tem crescido muito desde 2011. Somente no ano passado, houve aumento de 22% no número de alunos daqui que foram buscar o Ensino Superior estrangeiros — o segundo maior índice de crescimento em todo o mundo. Para quem deseja seguir esse caminho, porém, a trilha não é fácil: passa por muita preparação, consciência do que se deseja fazer e competência para ser aceito em uma universidade lá fora. — Não é um processo de um dia para o outro. O idioma é primordial, mas é preciso ainda planejamento financeiro, bom histórico escolar e atividades extracurriculares. As universidades valorizam muito ações sociais como voluntariado e também quem se destaca em algum esporte, por exemplo — diz Janaína Mengue Brentano, gerente da agência de intercâmbio CI Zona Sul. O inglês é o principal idioma falado pelos brasileiros que decidem estudar fora, e há milhares de instituições dispostas a receber estudantes estrangeiros. Os critérios de cada país são diferentes, então é preciso ficar atento ao que é mais valorizado em cada um. Nos Estados Unidos — o país que mais atrai alunos do Brasil para uma graduação — são valorizadas competências de liderança e altruísmo, enquanto algumas nações europeias, por exemplo, dão mais ênfase ao currículo, tanto profissional quanto acadêmico.



Uso de ‘gatilho’ do Enem no novo Fies atinge mais pobres   (A Tarde – Educação – 14/03/15)

A exigência de nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para quem quiser obter o Financiamento Estudantil (Fies), que valerá a partir do dia 30, vai afetar justamente o principal público do programa: os mais pobres. Os dados mais recentes da prova disponíveis, de 2012, revelam que 93% dos alunos que não atingem o novo limite de 450 pontos na média são de famílias com renda de até 5 salários mínimos. Esse é o perfil de renda que responde, por exemplo, por 86% dos contratos ativos do Fies. Estudos já mostraram que a renda familiar é um dos fatores que mais influenciam no desempenho escolar. A pedido da reportagem, os dados foram tabulados com base nos microdados do Enem pela Meritt Informação Educacional. Metade dos 5,7 milhões de pessoas que fizeram o Enem não alcançou em 2012 o mínimo estipulado. Conforme o Estado revelou em uma série de reportagens sobre o Fies neste ano, os gastos do governo federal com o programa passaram de R$ 1,1 bilhão, em 2010, para R$ 13,7 bilhões em 2014. Mas o ritmo de crescimento do número de alunos nas universidades privadas acabou caindo para 2,5% ao ano – metade do que foi registrado no início do governo Lula. O Ministério da Educação (MEC) tem restringido novos contratos e, nas renovações, colocou limite de reajuste de 6,4%.