17/07/2015 / Em: Clipping

 

RESUMO Com o tema da publicidade infantil, as redações de maior nota no Enem revelam o viés ideológico do ensino médio no Brasil. Com um discurso antimercado e citações de figurões do pensamento ocidental, jovens evitam falar de sua própria experiência e demonstram desconhecer as regras do capitalismo. Vendo as redações com nota máxima do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2014 que começaram a ser veiculadas na mídia em maio, quando o MEC liberou a consulta aos espelhos da correção oficial, penso não na publicidade infantil, tema da prova, mas na propaganda ideológica juvenil, também presente nos textos. Essa modalidade de propaganda é transmitida principalmente nas disciplinas de humanas do ensino médio a jovens que estão engatinhando na vida intelectual. Ainda despreparados para formular suas próprias ideias, matam essa capacidade no berço e compram com facilidade os discursos e as formas de pensar a eles vendidas. Faz mais de uma década que terminei o ensino médio e constato que nada mudou. O fim da Guerra Fria continua sendo o mais importante referencial histórico; o mundo desde então estacionou sob o jugo do capitalismo. O capitalismo, por sua vez, gera intencionalmente a doença do consumismo para que as pessoas comprem sempre mais, caso contrário o sistema ruiria sob o excesso de produção.

 

Onde estão os formados pelo ensino superior do país?  (Folha Online – Educação – Blog de Sabine Righetti – 16/07/15)

Toda vez que apresento a metodologia do RUF – Ranking Universitário Folha em alguma conferência, reunião ou congresso surge a mesma pergunta: por que vocês não avaliam os egressos do ensino superior do país? E eu sempre respondo que adoraríamos fazer isso, mas não temos dados suficientes para essa avaliação. Dessa vez não foi diferente. Apresentei o RUF na 67a reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em São Carlos, interior de SP. É a principal reunião científica do país, vem gente do Brasil todo e também tem muitos estrangeiros. A sessão da qual participei como palestrante estava lotada. A primeira pergunta da plateia foi relacionada à avaliação dos egressos do ensino superior brasileiro. A literatura científica sobre avaliação de ensino superior sabe que uma das melhores formas de avaliar a qualidade de uma escola é, de fato, verificar onde está quem se formou ali. São algumas análises: o egresso está empregado? Trabalha na área? Tem posição de liderança? Dependendo das respostas, é possível verificar se a universidade está apenas formando gente, se está formando e empregando e, melhor, se está definindo quem serão os líderes do futuro.


Ser contra cotas raciais é concordar com a perpetuação do racismo  (Carta Capital – Sociedade – 15/07/15)

É comum algumas pessoas não entenderem por que afirmamos que pessoas contra cotas raciais são racistas. Há quem pense que racismo diz respeito somente a ofensas, injúrias e não percebem o quanto vai muito mais além: se trata de um sistema de opressão que privilegia um grupo racial em detrimento de outro. No Brasil, foram 354 anos de escravidão, população negra escravizada trabalhando para enriquecer a branca. No pós-abolição, no processo de industrialização do Brasil, incentivou-se a vinda dos imigrantes europeus pra cá. Muitos inclusive receberam terras do Estado brasileiro, ou seja, foram beneficiados por ação afirmativa para iniciarem suas vidas por aqui. Tiveram acesso a trabalho remunerado e, se hoje a maioria de seus descendentes desfrutam de uma realidade confortável foi porque foram ajudados pelo governo pra isso. Em contrapartida, para a população negra não se criou mecanismos de inclusão. Das senzalas fomos para as favelas. Se hoje a maioria da população negra é pobre é por conta dessa herança escravocrata e por falta da criação desses mecanismos. É necessário conhecer a história deste País para entender porque certas medidas, como ações afirmativas, são justas e necessárias. Elas precisam existir justamente porque a sociedade é excludente e injusta para com a população negra.


Janine afirma na Câmara que país quer distribuir melhor os médicos pelo interior   (Ministério da Educação – Ensino Superior – 16/07/17)

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, participou nesta quinta-feira, 16, de audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. “Queremos assegurar que, de agora em diante, nós tenhamos condições de formar médicos que possam se enraizar fora dos grandes centros”, afirmou o ministro, ao falar sobre a autorização de novas vagas de graduação em medicina em instituições privadas de ensino superior. De acordo com o ministro, o programa Mais Médicos apresenta ações emergenciais, que é o caso da contratação de médicos, e outras de médio e longo prazos, como a formação de um número maior de médicos e universalização da residência médica. “O problema brasileiro, claro que inclui o número de médicos por cem mil habitantes, mas se agrava pela má distribuição desses médicos pelo território nacional. Uma má distribuição geográfica, mas eu diria sobretudo uma má distribuição social”, disse. Janine explicou que a criação das novas vagas em instituições privadas de ensino superior foi planejada após diversas audiências e consultas públicas, além de ter sido guiada por critérios técnicos. “A avaliação final dos projetos pedagógicos foi feita por uma comissão de especialistas, composta por médicos e professores de medicina das universidades federais; a sustentabilidade financeira seguiu um modelo da Fundação Getúlio Vargas; as condições regulatórias foram avaliadas junto ao MEC”, observou. 


Universidades devem rever governança para atingir excelência, dizem especialistas    (Agência Brasil – Tecnologia – 16/07/17)

As universidades públicas de pesquisa no Brasil evoluíram muito nas últimas décadas em termos de aumento da qualidade e da quantidade de produção científica, inserção internacional, relação entre ensino e pesquisa e interação com empresas. Para atingirem a excelência internacional, contudo, as instituições de ensino e pesquisa brasileiras precisam superar uma série de desafios relacionados à governança institucional. A avaliação foi feita por participantes de uma mesa-redonda sobre novos padrões de governança e institucionalidade da universidade pública realizada na última terça-feira (14/07) durante a 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Aberta no domingo (12/07), a reunião ocorre até o próximo sábado (18/07), no campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, para ter universidades de excelência, é preciso que o país queira ter universidades excelentes mundialmente, e não uma série de universidades, todas iguais e com um padrão mediano. “Talvez seja possível ter, no máximo, entre cinco e sete universidades de excelência mundial no Brasil, e com muito esforço e se o cenário econômico do país melhorar, talvez até dez, porque são necessários recursos financeiros e pessoas qualificadas que saibam como fazê-las funcionar”, ressaltou Brito Cruz.