20/01/2011 / Em: Clipping

 


As escolhas profissionais da elite e da nova classe média  (Revista Época – Trabalho & Vida – 19/01/11)

Jovens das classes A e C comportam-se de um jeito muito parecido quando o assunto é escolher curso universitário. A ordem de prioridade é a seguinte:

Classe A

Direito, Administração, Engenharia, Comunicação, Psicologia e Medicina

Classe C

Administração, Direito, Pedagogia, Enfermagem, Educação Física e Comunicação

Mas a pesquisa, feita pelo Instituto Data Popular, revela algumas diferenças. Para o jovem da classe A, ter um diploma não é suficiente. Ele pensa na faculdade como um passaporte para a construção de uma carreira no longo prazo. A seu favor, esse jovem tem a experiência familiar acumulada, de pais que fizeram faculdades boas e ruins, tomaram decisões de carreira bem e malsucedidas, criaram empresas, abriram consultórios. Ele poderia escolher qualquer área, mas mostra preferência por Administração e Direito, provavelmente, porque são formações amplas, que mantêm abertas muitas possibilidades futuras de trabalho. Na classe C, a verdadeira classe média brasileira, o jovem tem menor referencial para tomar decisões, uma vez que seus pais dificilmente chegaram à universidade. Administração e Direito são os cursos mais procurados por ele, em parte, pelos mesmos motivos que orientam a classe A, mas aqui pesam muito mais outros fatores que não têm nada a ver com expectativas de futuro e pensamento de longo prazo, como o valor da mensalidade, o horário das aulas, o enorme volume de oferta de vagas desses dois cursos e a relativa  facilidade de acesso. O jovem da classe C, muitas vezes, quer apenas um diploma — qualquer um –, e rápido.



PASQUALE CIPRO NETO

Vírgula, para que te quero? (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 20/01/11)

VAMOS VOLTAR A TROCAR algumas palavrinhas sobre o glorioso aposto, que, como vimos na semana passada, é palavra ou expressão que se apõe a um termo da frase para explicá-lo, defini-lo, restringi-lo etc. Como também vimos na última coluna, nem sempre o aposto vem entre vírgulas (e, é claro, nem tudo que vem entre vírgulas é aposto). Posto isso, quero voltar ao aposto que não é separado por vírgula do termo a que se liga. Em casos como “O professor João disse…” ou “O rio Tietê nasce em…”, os termos “João” e “Tietê”, que nomeiam e restringem, respectivamente, “professor” e “rio”, funcionam como aposto. A ausência de vírgula nos dois casos se deve justamente ao fato de que “João” e “Tietê” restringem os termos a que se ligam (há inúmeros professores e rios no universo). Talvez seja bom detalhar o que é restringir. Vejam-se estes exemplos: “O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o novo mínimo…”; “O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega disse que o novo mínimo…”. Nos trechos vistos, “Guido Mantega” e “Maílson da Nóbrega” têm a função de aposto de “ministro da Fazenda” e de “ex-ministro da Fazenda”, respectivamente, já que identificam esses termos. Por que só se empregaram as vírgulas (duas) no primeiro caso? Vamos lá: só há um ministro da Fazenda; ex-ministros da Fazenda há muitos e muitos. Tradução: “Maílson da Nóbrega” restringe o universo de ex-ministros da Fazenda, por isso não vem separado por vírgulas. O processo é o mesmo que ocorre, por exemplo, em “O professor João disse…”, “A presidente Dilma foi…”, “O poeta Murilo Mendes viveu…” etc. Não custa lembrar que “João”, “Dilma” e “Murilo Mendes” têm função de aposto restritivo, especificador, de “professor”, “presidente” e “poeta”, respectivamente.  No trecho relativo ao atual ministro da Fazenda, empregam-se as vírgulas porque “Guido Mantega” não é termo restritivo; é explicativo. O processo é o mesmo que ocorre, por exemplo, em “Ontem, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que…” ou “O autor da letra de “Travessia”, Fernando Brant, afirmou que…”. Os termos “Sérgio Cabral” e “Fernando Brant” têm função de aposto (explicativo).  Talvez a esta altura já esteja claro por que não há vírgulas em “O governador Sérgio Cabral disse…”, mas há em “O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse…”. Governadores há muitos; governador do Rio de Janeiro só há um. Encerro o texto de hoje com uma questão do vestibular da Unicamp (de 2006), baseada num trecho de “A Menina que Fez a América”, de Ilke Brunhilde Laurito, do qual retiro esta passagem: “Na rua, com a cabeça nas nuvens, meus olhos brilhavam como estrelas errantes. Só baixavam à terra quando chegava à casa de vovô Vincenzo, o camponês”. Dizia o enunciado: “Explique a relação do aposto com o movimento dos olhos do personagem”.  Não transcrevi o trecho relativo ao movimento dos olhos do personagem em foco (a narradora) porque não é disso que quero tratar; quero falar do que pediu a banca com a passagem “a relação do aposto”, presente no enunciado. Dois detalhes: a) o manual da Unicamp diz que seu vestibular não exige conhecimento nomenclatural; b) há dois apostos no trecho (“Vincenzo”, aposto de “vovô”, e “o camponês”, aposto de “vovô Vincenzo”). Pelo contexto da questão, percebia-se que a banca se referia a “o camponês”, mas não é exagero exigir rigor nesses casos, certo? Estarei em férias por duas semanas. A coluna volta em 10/02. É isso.



Respostas esperadas nas provas da 2°fase serão divulgadas nesta quinta-feira, dia 20 (Folha Dirigida – Vestibular – 19/01/11)

As respostas esperadas pela banca examinadora nas provas da segunda etapa  do vestibular 2011 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)serão divulgadas a partir desta quinta-feira, dia 20. Os interessados poderão consultá-las no site da Comvest, organizadora da seleção. As provas já podem ser conferidas abaixo. Foram oferecidas 3.444 vagas, distribuídas entre os 66 cursos da Unicamp e mais dois cursos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). No último dia de prova da segunda fase, foi registrado um índice de abstenção de 9,7%. Candidatos aos cursos de Música, Artes Visuais, Artes Cênicas , Dança e Arquitetura e Urbanismo serão submetidos também à provas de aptidão, nos próximos dias 24 e 27.

Resultados
A lista de aprovados em primeira chamada será divulgada no dia 7 de fevereiro, a partir das 12 horas. A consulta poderá ser feita pela internet, no site da Comvest, e no Saguão do Ciclo Básico II (campus da Unicamp em Campinas). A previsão é que sejam divulgadas até 11 listas de chamadas.