20/02/2015 / Em: Clipping

 


Aprovado em direito na USP aos 16 anos briga na Justiça por matrícula  (Globo.Com – G1 Vestibular – 20/002/15)

Na estante do adolescente Vitor Foltran Orsini, de 16 anos, os livros de política, história e filosofia dizem muito sobre a escolha de carreira do estudante que, apesar da pouca idade, já foi aprovado no curso de direito da Universidade de São Paulo (USP). O bom resultado do candidato de Piracicaba (SP) em um dos vestibulares mais concorridos do país não lhe deu direito à matrícula, já que ele não concluiu o terceiro ano do ensino médio. A mãe do estudante, no entanto, decidiu entrar com um pedido de liminar na Justiça para conseguir que o filho ingresse no ensino superior. A Fuvest, órgão responsável pelo processo seletivo da instituição, diz que o estudante não preenche o pré-requisito de escolaridade necessário. Vitor Foltran compareceu ao Largo São Francisco no dia da matrícula e apresentou o histórico escolar parcial, até o segundo ano do ensino médio, e o RG. Segundo o jovem, ele e os responsáveis foram orientados pelos funcionários da instituição a entrar com uma liminar para assegurar a vaga e receberam uma declaração da faculdade com a negativa do procedimento de matrícula. Apesar de não ter o certificado de conclusão do ensino médio e, por isso, ficar impedido de cursar o ensino superior, ele não ficou impossibilitado de prestar a prova. “Sabemos de outros casos de permissão a alunos na mesma situação que ele [em outras universidades]”, afirma a mãe do garoto, Liz Fabiana de Souza Orsini. O próprio jovem demonstra estar certo da escolha que fez. “Penso que já estou preparado para iniciar a vida acadêmica. Sempre tive interesse pela advocacia. Na escola, as matérias de humanas eram minhas preferidas”, conta. A rotina de estudos e preparação para o vestibular também se deu de maneira natural para o adolescente desde os primeiros anos escolares. “Ele se esforçou muito, sempre teve ótimas notas durante a vida escolar e merece isso”, relata a mãe. A afinidade com as disciplinas de produção textual, história e atualidades é resultado disso. “A leitura é um hábito para mim, gosto de estar bem informado, então leio os principais jornais e revistas nacionais para saber o que acontece na política de meu país”, conta Vitor Foltran.



Sistema de cotas e Sisu fazem aumentar a procura por faculdades privadas   (Correio Braziliense – Cidades – 20/02/15)

A concorrência para ingressar em uma instituição privada de ensino superior aumentou no Distrito Federal. Dois dos maiores centros universitários do DF relatam crescimento de 20% e 30% na procura pelo vestibular em 2014. Uma das explicações para o crescimento seriam as mudanças na forma de ingresso na Universidade de Brasília (UnB). Em 2013, a única federal pública da capital brasileira substituiu o vestibular tradicional do início do ano pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o que triplicou o número de inscritos. Adotou ainda o sistema de cotas para alunos da rede pública de ensino — que prevê reserva de 50% das vagas para esses estudantes a partir de 2016. Para este ano, serão 37,5%. A dificuldade para ingressar na UnB aumentou em diversos cursos, principalmente para os estudantes que estão fora do recorte de baixa renda e racial. Em medicina, por exemplo, o número de candidatos por vaga em 2012 — antes da instituição da reserva — era de 90,93 no sistema universal. No segundo vestibular de 2014, subiu para 144,80. A concorrência também tem crescido em outros cursos de alta procura e refletido na migração para a rede privada.



Brasil precisa de universidades de classe mundial em pesquisa    (Jornal Cruzeiro do Sul / Sorocaba – Educação – 19/02/15)

Ao mesmo tempo em que a excelência de ensino deve ser a meta de todas as universidades brasileiras, algumas poucas instituições do país teriam hoje condições de dar um salto de qualidade e tornarem-se de classe mundial em pesquisa científica. Para que isso ocorra, as universidades vocacionadas precisam receber investimentos diferenciados para desenvolver planos institucionais ousados, afirmaram especialistas durante a abertura do simpósio Excellence in Higher Education.  O evento, que ocorreu mês passado, é uma iniciativa da Fapesp em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e tem como objetivo debater os determinantes da excelência no ensino superior no Brasil e formular recomendações que poderão embasar políticas públicas. A diferenciação no sistema de ensino, reconhecendo as instituições com vocação para desenvolver pesquisa de nível internacional, tem sido apontada pela ABC há pelo menos uma década, quando foi publicado o documento “Subsídios para a Reforma do Ensino Superior”, lembrou Hernan Chaimovich, vice-presidente da ABC e assessor especial da Diretoria Científica da Fapesp. “Diferenciar não quer dizer que uma parte do sistema é melhor ou pior que outra. Mas um sistema em que todas as partes são iguais em geral não funciona. Um sistema se caracteriza pela excelência de todas as suas partes, embora cada uma tenha função distinta da outra”, avaliou Chaimovich. Para a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, o peso da ciência que cada universidade produz é um fator relevante e, portanto, o investimento não pode ser o mesmo para todas as instituições. “A ciência, para ser de ponta, precisa de um investimento superior ao que está sendo feito no país. A sociedade precisa decidir em quais áreas devem ser feitos investimentos pesados e quais instituições têm perfil para trilhar esse caminho da internacionalização. Cada uma deve ter um perfil e uma área de excelência. Somente assim o Brasil vai se tornar capaz de pautar a ciência internacional e não apenas ser pautado”, opinou.