21/09/2010 / Em: Clipping

 


O lento avanço da educação  (O Estado de S.Paulo – Notas e Informações – 21/09/10)

Embora a educação tenha melhorado nos últimos dez anos, o ritmo do avanço e tão lento que o Brasil continua perdendo a corrida educacional ate para países mais atrasados da America do Sul. Essa e uma das conclusões que se podem extrair da Síntese de Indicadores Sociais de2010, que o IBGE divulgou no final da semana passada. A proporção da forca de trabalho de 18 a 24 anos que concluiu o ensino médio ou ingressou no ensino superior, por exemplo, quase dobrou nos últimos dez anos. Esse e um dado positivo. Mas, em 2009, 32,8% dos brasileiros nessa faixa etária haviam abandonado os estudos antes de completar a terceira serie do ensino médio. A taxa de evasão do ensino médio foi de 10% – ante 7% na Argentina, 6,8% no Uruguai, 2,9% no Chile e 2,3% no Paraguai. Segundo o IBGE, praticamente todas as crianças de 6 a14 anos freqüentavam a escola em 2009. Esse também e um dado auspicioso. A universalização da oferta de matriculas no ensino fundamental foi obtida na década de 1990. Mas, devido ao ingresso tardio na escola e as reprovações, parte significativa dos estudantes não esta no nível adequado a idade. Por causa da ma qualidade do ensino, o desempenho dos estudantes desse nível de ensino continua insatisfatório principalmente em matemática, ciências naturais e portugueses. Muitos alunos não conseguem compreender um texto simples ou resolver problemas elementares. Segundo os especialistas, a diferença de conhecimento entre os alunos da 8.ª serie do ensino fundamental e os da 3.ª serie do ensino médio e muito pequeno. Esse e um dos fatores que tem estimulado muitos jovens a abandonar os estudos após completar 15 anos. Por isso, a escolaridade media da população brasileira com idade ate 25anos e de apenas 5,8 anos-contra 12 anos na Coréia do Sul, 13,3 anos em Taiwan e 13,4 nos EUA. Sem a formação necessária, esses jovens não se qualificam profissionalmente, sendo condenados ao subemprego. Com isso, o Brasil não forma o capital humano deque necessita para crescer. “O crescimento econômico exige maiores índices  de educação e de qualificação dos jovens”, diz a coordenadora da pesquisado IBGE, Ana Lucia Sabóia .A situação e mais grave nas áreas menos desenvolvidas. Em 2009, no Nordeste, 39,2% de jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados no ensino médio e, no Norte, 39,1%. No Sudeste, a região mais rica, a taxa e de 60,5% – e ha dez anos já era superior a 42,1%. No ensino superior, a Síntese de Indicadores Sociais de 2010 mostra o êxito dos programas governamentais de fomento e apoio, como o ProUni. Entre 1999 e 2009, dobrou o acesso a universidade das pessoas com mais de 25 anos que se declaram negras. Eram 2,3%, ha dez anos, e 4,7%, no ano passado. O levantamento também mostra que os programas de transferência de renda, como o Bolsa-Familia, ganharam forte importância no orçamento das famílias mais pobres. Nas famílias com renda per capita de ate um quarto do salário mínimo, o peso das “outras fontes”,como são cadastrados esses programas, aumentou de 4,4%, em1999, para 28%, em 2009. Alem disso, segundo o levantamento, cerca de 5 milhões de crianças entre um dia de vida e14 anos – o equivalente a 10,9%do total nessa faixa etária – vivem em situação de risco,ou seja, em residências sem água tratada,sem rede de esgoto geral e sem coleta de lixo. O estudo mostra ainda que 39,4% dos alunos da rede de educação básica estudam em escolas sem esgoto e 10%, em colégios sem água potável. A situação mais critica esta no Nordeste, onde 19,2% das

crianças não tem acesso a serviços básicos. Embora decepcionantes, os números do IBGE não causam surpresa. Eles apenas reafirmam que o Brasil continua precisando de uma reforma radical no sistema de ensino, seja para reter os estudantes nas escolas,seja para melhorar a qualidade da educação. Apesar dos lentos avanços obtidos na ultima década, a formação dos estudantes brasileiros continua a quem de qualquer resultado aceitável.



Unicamp faz encontro sobre o vestibular (Correio Popular – Cidades – 21/09/10)

A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) abriu ontem o período de inscrições para o Encontro com Professores do Ensino Médio. Durante a reunião, os professores participarão de oficinas sobre as diferentes provas do vestibular da universidade. O evento será realizado dia 8 de outubro, a partir das 14h, na Unicamp e as inscrições poderão ser feitas até sexta-feira, entre 9h e 17h, pela página da Comvest na internet. Segundo a comissão, serão oferecidas 180 vagas nas seguintes disciplinas: matemática, biologia, história, geografia, química e física. A taxa de inscrição é de R$ 30,00. O encontro é uma oportunidade para o professor conhecer e entender as provas da Unicamp, podendo preparar melhor seus alunos para o vestibular. Entre os tópicos de discussão, os objetivos da prova e análise das questões. Os interessados podem obter mais informações pelo telefone (19) 3521-7547 e encontro@comvest.unicamp.br



USP revê currículos e pode fechar cursos (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 21/09/10)

Principal universidade do país, a USP decidiu revisar todos os seus cursos de graduação. Com isso, poderá haver mudanças nos currículos (para dar mais liberdade aos estudantes) e fechamento de carreiras de baixa demanda no vestibular. A medida foi aprovada na semana passada pelo Conselho Universitário, órgão máximo da instituição, que reúne reitoria, diretores de unidades e representantes de todos os segmentos da escola. A discussão começou ao se debater a viabilidade do aumento de vagas na graduação. “É importante que mesmo os cursos tradicionais verifiquem se é o caso de mudar, melhorar e até mesmo descontinuar certos cursos ou substituí-los”, disse ontem à Folha o reitor João Grandino Rodas, em cerimônia em Ribeirão Preto (SP). “Não é possível que alguns cursos continuem hoje como eram na época de dom Pedro 1º”, afirmou o reitor Rodas, sem citar nenhuma carreira.
Como a USP não participa de avaliações federais, não é possível comparar seus cursos com os das demais instituições brasileiras. No ranking da Times Higher Education, publicado na semana passada pela Folha, a instituição ficou fora da lista das 200 melhores universidades do mundo. O documento prevê que as unidades devam avaliar mudanças nos projetos pedagógicos, para que sejam mais “modernos e multidisciplinares”. Também deve haver “revisão de carga horária, a fim de permitir maior flexibilidade nas atividades dos alunos de graduação”. As diretrizes determinam que sejam analisados cursos com baixa relação candidato/vaga no exame Fuvest ou com “baixo impacto social”, “respeitando a especificidade de cada curso”.No último vestibular, os cursos menos procurados foram música (1,37 candidato/ vaga) e ciência da informação (1,8), ambos em Ribeirão Preto. Na capital, foi licenciatura em geociências (2,3).A norma não prevê prazo para o fim da revisão. O reitor disse ainda que só irá destinar verbas para infraestrutura às unidades que tenham um bom projeto e “sintonia com a universidade”.

Reitor quer cautela na expansão de vagas (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 21/09/10)

A USP determinou que a expansão de vagas na graduação “não pode continuar no ritmo que vem acontecendo”, pois pode prejudicar o funcionamento da escola e provocar um “colapso”. Para que haja crescimento, deve haver caráter inovador do curso e infraestrutura definida, entre outros. Em oito anos, o número de vagas na Fuvest aumentou 50%.
Segundo o reitor João Grandino Rodas, é preciso cautela na expansão. “No passado, e, mal comparando, foi o que aconteceu com o ensino público secundário do Estado. Há algumas décadas, era primoroso, mas no momento em que se abriu para todos, o que parecia positivo se transformou em algo extremamente negativo.” O reitor afirmou ainda que “sem uma revisão dos cursos que já existem e uma melhoria da infraestrutura disponível, a busca da excelência [no ensino] da USP não será possível”. A instituição oferece hoje 10.652 vagas nos vestibulares dos sete campi. Segundo o diretor do Instituto de Matemática e Estatística, Flávio Coelho, a norma “certamente é restritiva, mas não proibitiva” em relação a expansão de vagas. A ideia de restringir uma forte ampliação de vaga já havia sido apresentada no ano passado pelo reitor, logo após a vitória na eleição. “Nossa graduação dobrou nos últimos oito anos. A prioridade número um é fazer uma adequação dos prédios e dos meios humanos para que a graduação funcione bem. Seria inaceitável aumentar o número de vagas quando o necessário é melhorar nossas condições atuais”, disse à Folha. Posição parecida foi declarada pelo ex-reitor Adolpho José Melfi, quando deixou o cargo, em 2005.
“Uma universidade de pesquisa não pode ser muito maior do que a USP já é”, disse à época.

Há lógica na decisão de limitar a expansão de vagas da USP (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 21/09/10)

Há lógica na decisão da USP de limitar sua expansão. Para compreendê-la é preciso contextualizar o dilema da educação superior no Brasil. De um lado, é preciso aumentar a oferta de vagas, movimento que está em curso. Na última década, a taxa de escolarização líquida do ensino superior (jovens entre 18 e 24 anos no 3º grau) mais que dobrou, aproximando-se dos 15%. Mas o país ainda está longe de outras nações. Nesse tipo de comparação, o dado mais usado é a taxa de escolarização bruta, que relaciona o total de matrículas num dado nível de ensino com a população na faixa etária adequada a esse nível. Nesse conceito, o Brasil tem 30% de escolarização no 3º grau (2007), contra 38,3% da Bolívia, 52,1% do Chile e 81,6% dos EUA, para citar exemplos continentais. Assim, em termos macroeducacionais, faz sentido adotar programas que ampliam maciçamente a oferta de vagas, como o Prouni e a expansão de certas faculdades públicas. Só que a USP não é uma universidade qualquer, mas a joia da coroa. Ela e a Unicamp são as únicas do país no ranking das 250 melhores universidades do mundo da “Times Higher Education” -nas modestas 232ª e 248ª posições. Se quiser manter-se como centro de excelência, a USP deve resistir aos apelos pela democratização e avaliar com cautela novas expansões. A USP Leste está longe de ser um caso de sucesso. Gostemos ou não, incorporar mais estudantes significa aceitar alunos com pior desempenho, o que resulta em queda de qualidade. O problema é menos a USP e mais a educação básica, incapaz de preparar para o mercado global universitário.