22/01/2018 / Em: Clipping

 

Unicamp inicia provas de habilidades específicas do Vestibular 2018 (Super Vestibular – Notícias – 22/01/2018)

Etapa final da seleção será realizada de hoje (22) até o dia 25 de janeiro.

As provas de habilidades específicas do Vestibular 2018 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) começam nesta segunda-feira, 22 de janeiro. Esta etapa se encerra na próxima quinta-feira (25). Os horários e locais das provas de habilidades específicas variam conforme o curso. Cada graduação exige materiais próprios para a realização das atividades teóricas e práticas. As orientações completas estão disponíveis nesta página. As provas de habilidades específicas encerram o Vestibular 2018 e são obrigatórias para os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Artes Cênicas, Artes Visuais e Dança. O curso de Música já teve sua prova específica realizada em 2017, por esse motivo, não está entre as graduações que farão as atividades destes dias.

Vestibular

Os aprovados no Vestibular 2018 da Unicamp serão conhecidos em 8 de fevereiro. Eles terão suas matrículas no dia 9 seguinte. Outras chamadas serão realizadas até o mês de março. Serão convocados 3.340 candidatos nesta primeira chamada, já que é o número de vagas disponibilizado pela universidade para ingresso em 2018. Os candidatos do Vestibular 2018 tiveram provas objetivas com 90 questões Português, Matemática, História, Geografia, Química, Física, Biologia, Língua Estrangeira e interdisciplinares na primeira fase, a qual foi em 19 de novembro de 2017.  Posteriormente, os participantes responderam questões discursivas de Português, Literatura, Química, Física, Biologia, Geografia, História e Matemática, além da Redação. Esta etapa foi aplicada de 14 a 16 de janeiro. Mais informações no Manual do Candidato.

 


A urgência da educação (Estadão – Opinião – 22/01/2018)

Para o País se desenvolver, é preciso oferecer uma educação transformadora

 

Apesar de a economia mundial estar em franca recuperação, o Banco Mundial indica uma maior lentidão do crescimento das economias dos países emergentes e em desenvolvimento. Estima-se que, nos próximos dez anos, a taxa potencial de crescimento desses países será de 4,3%. No período anterior, entre 2006 e 2017, a taxa foi de 5,2%. Entre outros fatores, essa diminuição no ritmo de crescimento é consequência de significativa mudança demográfica, com o envelhecimento da população. O fenômeno conhecido como bônus demográfico – alto porcentual de gente jovem, economicamente ativa, em relação à totalidade da população – é cada vez mais raro, em função do aumento da expectativa de vida e da diminuição da taxa de natalidade. Essa configuração social de mais idosos e menos jovens é tema de constante preocupação nas economias avançadas, já que isso afeta diretamente a riqueza per capita, com consequências diretas sobre a produtividade e a previdência. O equilíbrio do passado já não é mais sustentável. Se os países ricos precisam se debruçar sobre essa questão, muito maior necessidade têm os países emergentes e em desenvolvimento, pois neles a situação é ainda mais dramática. Suas populações envelheceram antes de eles terem alcançado um patamar razoável de desenvolvimento econômico e social. Diante desse quadro social, as estimativas do Banco Mundial sobre a diminuição da taxa potencial de crescimento dos países emergentes e em desenvolvimento são um alerta para a necessidade de mudança de rumo. Com urgência, é preciso um aumento significativo da produtividade nacional. Caso contrário, a vida das pessoas tende apenas a piorar. Vários são os fatores que contribuem para a produtividade de um país, como, por exemplo, saudável ambiente de negócios, infraestrutura de produção e logística adequada, abertura comercial, livre concorrência, segurança jurídica, burocracia estatal não sufocante, baixos níveis de corrupção. Todas essas condições são importantes e devem ser buscadas ativamente. Há, no entanto, um fator decisivo, cuja ausência pode pôr a perder a eficácia de qualquer esforço para aumentar a produtividade: a educação. Esse fator vai muito além da mera escolaridade formal. No Brasil, como também em outros países emergentes e em desenvolvimento, houve, nas últimas décadas, um aumento do nível de educação formal. Ou seja, cresceu o porcentual da população que teve acesso aos vários níveis de ensino: fundamental, médio, técnico e superior. No entanto, esse aumento não é suficiente por si só para gerar uma maior capacidade de trabalho individual. Um diploma que não está acompanhado de um acréscimo efetivo de conhecimento e de habilidades não agrega melhores resultados no trabalho. Tal realidade foi confirmada, no final do ano passado, por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Eles constataram que, a despeito do aumento do número de anos de estudos ocorrido no Brasil, não se verificou um aumento da produtividade do País. Era mais uma evidência das deficiências do ensino oferecido no País. Aumentou-se a quantidade dos anos que o aluno passa em sala de aula, mas isso não proporcionou uma melhora de fato da educação. Para o País se desenvolver econômica e socialmente, o caminho é oferecer aos jovens uma educação realmente transformadora, que os capacite para o desempenho competente de uma atividade profissional. É urgente, portanto, não se discutir apenas o volume de verbas públicas destinadas à educação, como se fosse o elemento decisivo da questão. Antes, é preciso atuar nas causas dos sofríveis níveis de aprendizado – a qualidade dos cursos de pedagogia, os incentivos e a valorização da carreira docente, a participação e a responsabilidade das famílias na educação das crianças, a atualização dos currículos escolares para as demandas contemporâneas, uma cultura escolar de respeito ao outro e infraestrutura adequada nos colégios.

 


Por que nossos estudantes abandonam a faculdade? (Gazeta do Povo – Artigo – 20/01/2018)

O alto índice de abandono do ensino superior é mais um fio solto no emaranhado de deficiências da educação brasileira

 

Segundo notícia recente, dados do governo mostram que, de 2010 pra cá, quase metade dos estudantes universitários não conclui o curso iniciado. Nas faculdades públicas, a média de evasão é de 40% e nas particulares, o porcentual é de aproximadamente 50%. Dentre as principais causas apontadas está a falta de vocação em relação à área de estudo escolhida e o pouco preparo do aluno, ainda no ensino médio. Uma outra parcela desiste por motivações financeiras, em especial nas faculdades particulares. Ou seja, os estudantes desistem porque não conseguem arcar com os custos. Entretando, estes dados não são novidade, para não dizer que sempre foi assim no Brasil! Temos esses mesmos indicadores há mais de 20 anos, ou pelo menos desde a ampliação do acesso à educação superior. Somente não era assim quando o ensino superior no Brasil era para muito poucos, então o abandono era menor. É importante observar que as causas não são tão simples como as apontadas. Não se pode simplesmente responsabilizar as escolas pela falta de preparo vocacional do aluno, tampouco as instituições de ensino superior, culpando-as pela evasão. Mas é preciso que se analise e que se discuta a educação e o processo de formação deste estudante de maneira mais ampla.  Não se pode simplesmente responsabilizar as escolas pela falta de preparo vocacional do aluno. O papel da preparação do aluno para a escolha do curso superior que irá cursar é, em parte, também da escola. Mas ela não é a única responsável pelo processo de formação deste aluno e pelo desenvolvimento da identidade e da cidadania desses jovens. E este processo é fundamental para o amadurecimento das escolhas dos estudantes que deixam o ensino médio. Além disso, vivemos em uma sociedade que ainda tem características muito paternalistas, com uma visão distorcida do papel do aluno no processo de ensino/aprendizagem. Responsabilizamos sempre as instituições pelo desempenho dos estudantes, mas cobramos pouco deles. Nesse sentido, seguimos formando uma juventude imatura, com noções de comprometimento e responsabilidade cada vez mais deficientes. Portanto, a escola pode, sim, se tornar um agente de transformação para formação de nossos jovens. A escola tem, sim, um papel importante na preparação do estudante para a escolha da faculdade que deseja cursar. Mas essa não é responsabilidade única e exclusiva da escola durante o ensino médio. Este deve ser um processo que começa ainda na educação básica, com a participação das famílias e da sociedade no desenvolvimento deste futuro cidadão. Outro ponto importante é que a preparação destes jovens não pode focar exclusivamente a busca por um diploma de nível superior e pelo emprego dos sonhos. Temos de ampliar os horizontes desses jovens, mostrando de forma realista as alternativas e oportunidades que mais se aproximam da vocação, das necessidades e dos desejos destes estudantes. Não sabemos valorizar a formação técnica, e também não orientamos nossos jovens a se prepararem para o mundo do trabalho, ou para o empreendedorismo, por exemplo. E quanto mais distantes do que encontrarão na prática, e da realidade que irão enfrentar, maiores serão as chances de frustração e, consequentemente, da desistência desses estudantes durante a formação superior. Portanto, são inúmeros os fatores implicados na evasão dos universitários e na desistência do curso superior. Não podemos considerar meramente causas pontuais, mas há de se avaliar todo o processo de formação do estudante, desde a educação básica no Brasil ao longo dos anos. É preciso reconhecer que a educação brasileira, como um todo, ainda tem um longo caminho pela frente.