22/02/2015 / Em: Clipping

 


A escola pública dominou a Unicamp?   (UOL – Vestibular – 22/02/16)

Os números impressionam. Afinal, contrastam com o que vemos e vivemos quando falamos de educação, no Brasil. A educação básica ofertada pelos Estados e Municípios é, no geral, precária. E nela estão em torno de 80% dos alunos. Quanto às boas universidades públicas não são para todos: são ocupadas, predominantemente, por estudantes provenientes de escolas privadas (muito melhores). É a nossa meritocracia: crianças e adolescentes ricos estudam na rede privada e, nela, treinados por profissionais mais qualificados e bem remunerados, tendo acesso a todo o tipo de facilidades, preparam-se para ingressar nas universidades públicas e gratuitas. Estudantes pobres, sem acesso aos direitos mais fundamentais (falo de saneamento básico, moradia, transporte, saúde, etc.), se viram como podem, em escolas públicas ruins. A concorrência é desleal. Por isso, mais do que simplesmente comemorado, o caso tem que ser estudado.



A Medicina que vem da Escola Pública  (Correio Popular – Cidades – 20/02/16)

A notícia de que 88,2% dos aprovados em primeira chamada no curso de medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) fizeram o Ensino Médio em escola pública repercutiu em todo o País na última semana. Historicamente, o curso é o mais concorrido da instituição e, até então, tinha as vagas predominantemente ocupadas por estudantes de escolas privadas. A mudança é resultado principalmente das alterações feitas no Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS) — sistema de bonificação da universidade que aumenta a oportunidade de inclusão dos estudantes da rede pública. O ingresso desses alunos na Unicamp suscitou, entre outros debates uma possível mudança no perfil dos futuros médicos.
Humanização
Uma das expectativas é de que os novos alunos de medicina da Unicamp tenham um olhar mais voltado para a comunidade, para a saúde coletiva e que pratiquem uma medicina cada vez mais humanizada. Ângela Soligo, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, afirma que os alunos da rede pública trazem consigo uma bagagem “diferente” em relação ao tipo de vida que vivem, mais próxima da realidade da maioria dos brasileiros. “Muitos já usaram e conhecem o SUS, andam de ônibus, têm que trabalhar para estudar. Pensando na saúde como política pública, certamente terão um diferencial bastante positivo”, afirma. Para a educadora, muitos desses alunos entrarão com o compromisso não só de melhorar de vida e melhorar a vida da família, mas também da comunidade onde vivem. Por conhecerem a realidade da saúde pública, na visão da educadora, há maior probabilidade desses futuros médicos terem empatia com a saúde coletiva e com os usuários do sistema público de saúde. “Muitos entrarão com esse compromisso com as políticas públicas por fazerem parte dessa realidade de forma mais próxima e direta. Claro que o aluno que vem da classe alta também pode ter empatia e compromisso com a saúde pública. A gente não pode generalizar”, afirma. Paulo Eduardo Velho, coordenador da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp diz que ainda não há estudos que apontem essa mudança. “O que posso garantir é que há um esforço grande da faculdade para que todos os nossos alunos, independente de sua origem, tenham um olhar diferenciado e mais humanizado sobre os pacientes que atendem na sua formação e mesmo depois de finalizado o curso”, afirma. Coordenador da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), Edmundo Capelas de Oliveira, afirmou que muitos estudantes entrarão com outra visão, mas é cedo para concluir se isso implicará na mudança de perfil dos profissionais. “O curso é de seis anos. Antes da formatura não tenho como falar.”

Bônus foi dobrado para este ano   (Correio Popular – Cidades – 21/02/16)

Na edição 2016 do vestibular, a Unicamp dobrou a bonificação do PAAIS para estudantes da rede pública. Todos os candidatos que fizeram o Ensino Médio integralmente em escolas públicas receberam 60 pontos na primeira fase e outros 90 pontos na segunda fase. Os candidatos de escola pública autodeclarados pretos, pardos ou indígenas receberam, além desses, outros 20 e 30 pontos, respectivamente, na primeira e na segunda fase. Até o vestibular Unicamp 2015 a pontuação era aplicada somente após a segunda fase. Para Renato Pedrosa, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp e ex-coordenador da Comvest, a mudança foi radical porque antes os alunos recebiam no máximo 40 pontos e hoje recebem até 120 pontos. “O aluno que tinha 600 pontos passa para 720 pontos.” Para Pedrosa, em algumas áreas, os alunos podem enfrentar dificuldades acadêmicas. “Na engenharia civil, por exemplo, eles podem vir com nota baixa em física e matemática. Podem estar despreparados.” Pedrosa fala em desequilíbrio nas aprovações em cursos como medicina e arquitetura. “Imagino que vamos ter alguns problemas e pode haver uma reconsideração.” O atual coordenador da Comvest diz que não concorda. “Eu acho que o estudante de área de exatas, independentemente se é de escola pública ou não, deve sentir dificuldade senão teve uma base forte em matemática. Acredito que serão estudantes exatamente iguais.”

‘Estudantes devem se adaptar às exigências’   (Correio Popular – Cidades – 21/02/16)

Além do impacto em medicina,  a bonificação teve resultados significativos em outros cursos de alta demanda, como arquitetura e urbanismo, que teve 86,7% dos aprovados oriundos da escola pública, comunicação social—midialogia, com 70%, ciências biológicas, com 60% e engenharia civil, com 62,5%. Capelas ressaltou que esse quadro pode se alterar até a última chamada. Estão previstas dez novas convocações. A aprovação de estudantes da rede pública em cursos da Unicamp também levantou um debate sobre a qualidade do ensino na universidade. A Comvest reforça que os estudantes só tiveram acesso às vagas porque alcançaram bom desempenho no vestibular, especialmente no curso de medicina, que exige média alta dos candidatos. Paulo Velho afirma que a FCM já tem alunos do Profis e do PAAIS e que não há perspectiva de diminuir as exigências para a boa formação que a Unicamp oferece, “independente das pressões que venham a existir”. “O que sabemos é que os alunos, independente da origem, têm que se adaptar às exigências das disciplinas para mantermos a boa formação médica que oferecemos. Os alunos que temos destes programas têm conseguido isto, acompanhando os demais”, diz. A educadora Ângela Soligo, que vem acompanhando o desenvolvimento de candidatos que ingressam na universidade por meio de programas de inclusão, diz que não há motivos para preocupação. Esses estudantes têm tido desempenho acima da média de muitos que entram pelo vestibular sem ação afirmativa, porque tendem a aproveitar da melhor maneira possível a experiência de estudar numa universidade pública de qualidade. “Não devemos ter receio que isso vai alterar qualidade do curso. Pelo contrário. Eles vão agregar qualidade com a experiência de vida que têm.” Ela acrescenta que os jovens são multiplicadores na comunidade. “Eles se tornam referência positiva na comunidade onde vivem. Isso é muito importante.”

Convocados na 3ª chamada devem fazer matrícula hoje  (Correio Popular – Cidades – 22/02/16)

Os convocados em terceira chamada no Vestibular Unicamp 2016 devem realizar a matrícula das 9h às 12h de hoje, conforme calendário divulgado pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest). Os aprovados devem se dirigir aos respectivos campi: Faculdade de Odontologia, em Piracicaba; Faculdade de Tecnologia, em Limeira; Faculdade de Ciências Aplicadas, em Limeira; e os demais cursos no campus da Unicamp em Campinas. A lista com os nomes foi publicada na última quinta-feira e pode ser consultada no site: www.comvest.unicamp.br,assim como a relação de documentos que deve ser apresentada. A Fuvest também divulgou sua quarta chamada no sábado e os convocados nesta chamada deverão fazer matrícula presencial amanhã e na quarta-feira. A Comvest alerta que na próxima sexta-feira todos os candidatos já matriculados nas três primeiras chamadas, inclusive aqueles que aguardam remanejamento, deverão fazer a confirmação de matrícula nos respectivos campi, conforme horários divulgados no manual do candidato. A matrícula só estará garantida após sua confirmação na data e horário estipulados. Do dia 27 até o dia29, os candidatos ainda não convocados deverão fazer a declaração de interesse por vagas, pela internet.



Os dez cursos superiores mais procurados no Brasil   (Veja – Educação – 19/02/16)

Graduações que oferecem estabilidade e um campo vasto de áreas de atuação são as mais procuradas pelos estudantes brasileiros. De acordo com o ranking feito pelo Quero Bolsa, site paulista voltado à obtenção de bolsas de estudos, os cursos de direito, administração e enfermagem foram os mais buscados pelos cerca de 2 milhões de estudantes que pesquisaram vagas na página em 2015. Medicina, graduação que não está disponível no Quero Bolsa, não participou do levantamento. “As profissões que apareceram no topo da lista costumam ser estáveis e sempre têm mercado, mesmo em épocas de crise como a que vivemos”, disse ao site de VEJA Bernardo de Pádua, fundador do Quero Bolsa.