24/02/2017 / Em: Clipping

 


Jovem da periferia passa em 3 de SP e fará curso para reduzir abismo social (G1 – Campinas e Região – 24/02/2017)

Adolescente de Campinas, SP, foi aprovada para Unicamp, USP e Unesp. Jovem enfrentou ‘maratona’ diária e planeja atuar na pesquisa em economia.

A estudante Gabriela Santana, de 16 anos, é categórica ao contar motivos que a fazem sonhar com a graduação em economia: usar a experiência, aliada à pesquisa, para tentar reduzir as diferenças sociais que ela enfrentou para ser aprovada para USP, Unesp e Unicamp. Uma das comemorações foi “aos pulos”, enquanto esperava por ônibus no terminal de Campinas (SP). “Acho que a economia é um modo de conseguir equidade, vejo como uma forma de reduzir o que passei, e de fazer com que aprovações dos estudantes de escola pública sejam rotineiras.” Durante o ano passado, a adolescente que reside com os pais e duas irmãs no Jardim Nova América passou por uma “maratona” para alcançar o sonho da vaga em universidade pública. Ela ficava fora de casa entre 7h30 e 23h para cursar o ensino médio e reforçar o aprendizado em cursinho particular, pago com valor da bolsa recebida enquanto integrou um programa municipal socioeducativo. Os pais, explica a garota, não tinham condições financeiras para ajudá-la. “O dinheiro deles era para sustento e pagar as contas de casa. Eu recebia R$ 470 por mês para custear o cursinho, alimentação e transporte”, explica Gabriela.  Segundo ela, todos os dias eram cinco viagens de ônibus, refeições improvisadas, e a volta para casa se resumia a descanso. “Tomava banho, jantava e ia dormir por volta da meia-noite. Basicamente isso”, explica.



Após decisão judicial, estudantes expulsos por suspeita de fraude em cotas voltam a cursar medicina  (R7 – Educação – 24/02/2017)

Juiz entendeu que “sentimento de pertencimento à etnia negra” deveria contar na seleção

Após serem expulsos por suspeita de fraude no sistema de cotas da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), sete alunos conseguiram voltar para a instituição por meio de mandados de segurança. Ao todo, 24 estudantes tinham sido desligados de suas atividades na faculdade de medicina em dezembro de 2016 por terem sido considerados brancos por uma comissão da universidade. A decisão é do juiz Cristiano Bauer Sica Diniz, titular da 2ª Vara Federal de Pelotas (RS), e se baseou na auto declaração dos estudantes, que dizem ser pardos. Depois de denúncia feita por estudantes do setorial de negros e negras da universidade, foi instalada uma comissão por orientações do MPF (Ministério Público Federal) para analisar os estudantes com base no fenótipo (características físicas).



Uma avaliação dos resultados do sistema de cotas nas universidades públicas (Nexo – Entrevista – 23/02/2017)

Em entrevista ao ‘Nexo’, Naércio de Menezes, professor do Insper e da USP, discute a política e suas implicações em termos de desempenho e evasão entre cotistas e seu impacto para o país’

Em agosto de 2012, o governo federal instituiu, para todas as universidades federais, a “Lei de Cotas” (Lei nº 12.711), que determina a reserva de 50% das vagas das instituições de ensino superior para estudantes que tenham cursado o ensino médio integralmente em escolas públicas. Entre as vagas reservadas, metade deve ir para estudantes de escolas públicas com renda familiar bruta igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita, e metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar superior a um salário mínimo e meio. Em ambos os casos, a lei reserva um percentual mínimo de vagas para pretos, pardos e indígenas de acordo com a sua representatividade em cada Estado. A demanda pelo ensino superior cresceu intensamente no país nos últimos anos. A oferta de vagas aumentou, porém jovens pobres e negros continuam com baixa representação entre os ingressantes na universidade pública. Essa realidade motivou a instituição da política de cotas, que procura garantir a igualdade de oportunidades entre os jovens. A medida, no entanto, também tem sido alvo de críticas. Entre elas, está o argumento de que os alunos que entram por meio do sistema de cotas não têm nível educacional suficiente e poderiam comprometer a qualidade do ensino. Outras críticas mencionam que a evasão entre cotistas seria superior à de estudantes não cotistas e que esse tipo de intervenção não enfrenta a questão da desigualdade na educação básica, central para o debate.

O Nexo entrevistou Naércio Menezes, professor titular e coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Insper, professor associado da FEA-USP, membro da Academia Brasileira de Ciências e colunista do jornal Valor Econômico. O economista desenvolve pesquisas principalmente nas áreas de educação, desigualdade, mercado de trabalho, produtividade, tecnologia e desemprego.