25/05/2011 / Em: Clipping

 


Rede privada concentra universitários  (Correio Popular – Cidades – 25/05/11)

O número de matrículas em instituições de Ensino Superior privadas da região administrativa de Campinas, correspondente a 75 cidades,caiu 4,5% entre 2008 e 2009. Segundo o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superiorno Estado de São Paulo(Semesp), o setor, entretanto, ainda é a maior forma de acesso à educação superior. O levantamento aponta que 85% dos universitários da região estão na rede privada. Desse total, 33,9% são da cidade de Campinas. Os dados serão apresentados hoje na Jornada Regional de Campinas. Segundo o Semesp, em 2008, as instituições privadas tiveram um crescimento de 8,5%, um dos maiores do Estado. Entretanto, no ano seguinte, apresentaram retração de 4,5%. A região possuía 174,7 mil alunos no ensino superior privado em 2008, passando para 166 mil no ano seguinte. Movimento diferente do apresentado, em 2009, no cenário estadual — que teve um aumento de 1,3% no número de matrículas —, e nacional—que cresceu 0,1%. De acordo com o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, a retração no número de matrículas em 2009, está relacionado a uma série de fatores. “Essa queda está aliada à crise que aconteceu no final de 2008, que teve um forte reflexo nas instituições no início de 2009. Muitos estudantes não se matricularam ou prorrogaram sua entrada no Ensino Superior. Ainda tivemos um aumento de 5,6% na oferta de vagas públicas, que não é o principal fator, mas também é significativo”, disse. Só em 2009, o campus de Limeira da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) passou a oferecer 480 vagas a mais, distribuídas em oito novos cursos. O incremento representou, no total, uma expansão de um terço das vagas de graduação oferecidas anualmente pela Unicamp até 2008. Para Francisco Borges, diretor acadêmico da Veris Faculdades, mesmo com o aumento na oferta, as vagas públicas ofertadas ainda são muito baixas. “Diferente das instituições privadas, as instituições públicas não conseguem atender à demanda dos estudantes e do mercado, que necessita de mão de obra especializada e têm pressa.Grandes empresas estão com vagas abertas porque não encontram um profissional especializado”,afirmou. Segundo Borges, o setor privado enfrenta outros desafios além do aumento da oferta de vagas. “O que precisamos agora é ter vagas para carreiras promissoras, como informática, construção civil e química, por exemplo. Se o Ministério da Educação não tiver agilidade para autorizar novos cursos nessas áreas, vamos esperar a demanda passar para ter profissionais formados”, disse. O levantamento do Semesp aponta que os três cursos mais procurados,em número de matrículas,na região de Campinas foram administração, Direito e pedagogia.Para a pesquisadora CibeleYahn de Andrade, do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas(Nepp) da Unicamp, o setor privado ainda se depara com o desafio do controle de qualidade. “Atualmente, são raríssimas as profissões que a maioria dos concluintes não venha do ensino privado. Mas, apesar da grande oferta de vagas, o setor privado enfrenta o problema do controle da qualidade. É um ponto que precisa de avanços. Outra questão é que nem sempre os cursos do setor privado vão corresponder, para o concluinte, à expectativa do mercado de trabalho”, disse.

Concluintes

O levantamento do Semesp também apontou, pela primeira vez, desde 2000, o nivelamento do índice da taxa de concluintes na comparação entre instituições públicas e
privadas.   Em 2009, do total de alunos que completaram o Ensino Superior, cerca de 70,52 % cursaram uma universidade privada e 70,39%, públicas.“Os principais motivos da evasão no setor privado são o financeiro, a falta de preparo de alguns estudantes que não conseguem acompanhar o ritmo da turma e a dissonância do que é oferecido em relação ao que o aluno procura. Mas os dados apontam que mais estudantes da rede privada estão se formando no tempo adequado, o que é um indicador positivo”, afirmou Capelato.Com a retomada do crescimento econômico, a expectativa é de que 2010 e 2011 apresentem crescimento no número de matrículas no setor
privado. “Ainda não temos dados consolidados, mas possivelmente as matrículas voltaram a crescer em torno de 10%”, afirmou Capelato.