27/07/2009 / Em: Clipping

 


”Enem pode substituir a 1ª fase da Fuvest”  (O Estado de S.Paulo – Vida& – 26/07/09)

Renata Cafardo

O cientista Glaucius Oliva defende grandes mudanças no tradicional vestibular da Fuvest. Candidato à reitoria da Universidade de São Paulo (USP), ele diz que a prova poderia ser substituída, em alguns cursos, pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em outros, haveria apenas uma segunda fase. Na última semana, o Estado mostrou que São Paulo teve queda de 5,45% no número de inscritos porque as universidades não aderiram ao novo Enem, elaborado para funcionar como vestibular. São Paulo, ao lado de Rondônia, foi na contramão do crescimento de inscrições no restante do País. A justificativa de Oliva é tentar acabar com o que considera um “crime” cometido contra jovens brasileiros, submetidos a dezenas de provas para entrar na faculdade. “Você tem de convencer um aluno de primeiro ano de Física que ele não tem que decorar fórmula. Isso é uma deformação do vestibular. Ele tem que ter tanta informação que não consegue obter isso raciocinando, então faz musiquinha sobre a Lei de Newton”, diz o cientista, de 49 anos, que hoje é diretor do Instituto de Física de São Carlos. O candidato foi um dos responsáveis pelo programa de inclusão (Inclusp), que deu pontos a mais na Fuvest para alunos de escolas públicas. Comenta-se na USP que a participação na elaboração do projeto – um dos marcos da gestão Suely Vilela – fez com que ele se tornasse o preferido da reitora para a sucessão. As eleições serão em outubro. Em entrevista ao Estado, Oliva – referência na pesquisa de proteínas para desenvolvimento de fármacos e o primeiro do País a enviar um experimento para o espaço – diz ainda que professores precisam aprender a se comunicar com a imprensa e que todos os programas de cursos da USP devem estar disponíveis na internet. “Tem muito professor que fala que não quer colocar o programa na internet porque o professor da Unip vai copiá-lo e vai dar o mesmo curso lá. Mas isso é a melhor coisa que pode acontecer.”

O senhor tem o apoio da reitora Suely Vilela na eleição?

Como há vários membros que contribuíram para a gestão (como candidatos), ela deve ter uma certa isenção nesse processo. Mas acho que ela tem uma certa simpatia pelo que fiz. Eu estava na comissão do Inclusp. Meu raciocínio é assim: o que vamos entregar como produto, se pensarmos como uma empresa? O produto é o aluno formado. Quem é mais bem preparado para aproveitar o ensino de qualidade? É o camarada que veio de grande oferta numa escola privada e ficou em último ou aquele que veio de escola pública e ficou no topo da lista, mas não conseguiu entrar? A ideia do bônus nasceu disso. Na prática, você está trocando na lista esses indivíduos. É como na agricultura, não precisa da melhor semente, e sim da melhor fruta.

Mas o Inclusp demorou a dar resultados.

Demorou, agora está aumentando. Tínhamos receio de ter uma pontuação excessiva, que fizesse com que o restante dos candidatos se sentisse desestimulado. Agora, precisa fazer uma avaliação disso tudo, da avaliação seriada, que não pegou e a Secretaria do Estado não gostou. Outra coisa que teremos de enfrentar são os exames unificados nacionais.

O senhor é a favor de que a USP participe do Enade (avaliação do MEC para o ensino superior)?

O papel de uma universidade de excelência como a USP tem de ser de melhorar o sistema de educação superior como um todo. E uma das maneiras de fazer isso é participar de exames nacionais. Participar de um exame e ter níveis altos é mostrar que o restante pode melhorar.

E a participação no novo Enem?

Acho que o Enem pode ser aproveitado, em alguns casos, como primeira fase. É uma oportunidade que nós perdemos no Estado, com três universidades públicas. Não dá para querermos agora fazer um único vestibular unificado paulista, quando o MEC já fez. Devíamos ter feito para dar o exemplo. A USP tem que liderar, não podemos ser conservadores e retrógrados. Em cursos de menor procura, talvez o Enem já seja suficiente para fazer a seleção. Para cursos mais competitivos, precisa de uma segunda etapa, que a USP faria. A multiplicação dos vestibulares é um crime que a gente faz com o jovem. Você tem de convencer um aluno de primeiro ano de Física que ele não tem que decorar fórmula. E isso é uma deformação do vestibular. Ele tem que ter tanta informação que não consegue obter isso raciocinando, então faz musiquinha sobre a Lei de Newton. E pensa que conhecer é isso.

Qual sua opinião sobre educação a distância? O curso da USP foi adiado porque a instituição não queria interferência do governo.

Defendi a criação de um curso de educação a distância porque a USP não pode enfiar a cabeça na terra como um avestruz sobre um tema que é importantíssimo no mundo. A gente não sabe onde vai estar o ensino superior daqui 15 anos. Não podemos deixar de experimentar, aprender a fazer, ver qual o impacto sobre os alunos. Quando tivermos mais experiência, sou favorável a botar na internet, quem quiser pega. Sou, inclusive, favorável a fazer isso com cursos presenciais. Tem muito professor que fala que não quer colocar o programa na internet porque o professor da Unip vai copiá-lo e dará o curso lá. Mas isso é a melhor coisa que pode acontecer. Isso é o papel de uma universidade de excelência, fazer coisas boas e divulgar. Mas neste momento a USP está certíssima, a gente só assina o convênio (do curso a distância) se tiver condição de controlar qualidade.

O que acha do processo eleitoral na USP, defende eleição paritária?

O processo precisa ser ampliado. Isso está na origem da crise da universidade neste momento. Nossos melhores professores, técnicos administrativos, cientistas e alunos acabam se recolhendo à sua atividade cotidiana. Essas pessoas estão longe da instituição, não participam, não contribuem com sua opinião. Mas a eleição universal é feita normalmente sob parâmetros que não são necessariamente acadêmicos. Autoridade na universidade tem um componente diferente de popularidade. Ja vi eleições paritárias na qual a plataforma vencedora propunha a redução da nota mínima de aprovação ou da jornada. Isso dá popularidade, mas é o melhor para a universidade?

O seu programa fala em ampliar a área de comunicação.

É um dos nossos grandes desafios. A universidade faz um monte de coisas e a gente comunica muito pouco. A USP tinha que estar presente na mídia todos os dias. Isso não apenas para prestar contas daquilo que a gente faz, mas para despertar nos jovens o interesse de seguir carreira acadêmica. Precisamos convencer nossos professores que faz parte da missão acadêmica dele comunicar-se com a sociedade.

E a relação com o governo do Estado, desgastada na gestão Suely?

O governo do Estado é o principal instrumento de expressão da sociedade, que é nossa razão de ser. Nossa relação precisa ser boa. Quero a criação de um centro multidisciplinar de apoio a políticas de Estado, que seja o interlocutor principal para qualquer problema que o governo tenha. Incorporar conhecimento em políticas públicas é uma das melhores formas de atuação da universidade na sociedade.

Todo novo reitor fala em doações de ex-alunos, mas isso nunca acontece. O que fazer?

É uma questão de determinação. Sabe o que a USP faz hoje quando o aluno recebe o seu diploma? No dia seguinte, cancela o e-mail dele. E nunca mais encontra esse aluno. É uma coisa barata manter o e-mail e, para sempre, mandar mensagens. O cara se sente orgulhoso. Podemos mandar divulgações, contar dos programas. Depois disso, pedir algum recurso. O ruim é na hora de necessidade mandar uma carta para o indivíduo que há 30 anos, não escuta nada da universidade e dizer: “Pode me dar R$ 1 milhão?”

Como avaliou o episódio da polícia no câmpus na última greve?

Não ter a polícia do câmpus da é uma responsabilidade de todos. Não pode dizer que a reitora não pode chamar a polícia. É a USP que não deve precisar chamar a polícia. Tenho certeza de que podemos, pelo diálogo antecipado, permanente, conseguir um acordo de respeito a direitos fundamentais.

O Enem de 2009  (O Estado de S.Paulo – Opinião – 27/07/09)

Embora tenha batido novo recorde, com um total de 4,576 milhões de inscritos, ante 4,018 milhões no ano passado, o número de candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009 ficou bem abaixo dos 6 milhões a 7 milhões que haviam sido estimados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o órgão responsável pela elaboração, aplicação e correção do teste. Com boa imagem e enorme credibilidade na comunidade estudantil, o Enem foi aplicado pela primeira vez em 1998, quando avaliou cerca de 157 mil alunos do ensino médio. Com 180 questões de múltipla escolha, envolvendo ciências humanas, ciências da natureza, matemática, redação e linguagens e códigos, o Enem deste ano será aplicado nos dias 3 e 4 de outubro, em 1.619 municípios, e os resultados serão divulgados a partir da segunda quinzena de janeiro do próximo ano. Além de ser obrigatório para os estudantes pobres e carentes que quiserem concorrer a uma bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni), que custeia, total ou parcialmente, as mensalidades em instituições particulares e confessionais, a partir deste ano o Enem também servirá como processo seletivo para cerca de 40 das 55 instituições federais de ensino superior, que aderiram à proposta de unificação dos vestibulares que o Ministério da Educação (MEC) apresentou há quatro meses. A iniciativa foi inspirada no sistema adotado nas universidades americanas, e consiste numa prova com validade nacional, que permite aos aprovados escolher o curso e a universidade conforme a pontuação obtida. Algumas universidades federais pretendem utilizar o Enem de 2009 como prova única para seus vestibulares. Outras irão adotá-lo apenas na primeira fase de seus exames de acesso (a segunda fase envolveria provas com questões sobre disciplinas mais específicas, como ciências exatas). Até o ano passado, as notas do exame, que compreendia uma redação e somente 63 questões, valiam apenas como pontos nos vestibulares de cerca de 500 universidades privadas, confessionais e públicas.  Um dos fatores que levaram o número de candidatos ao Enem de 2009 a ficar muito abaixo das expectativas do Inep foram as dificuldades enfrentadas pelos estudantes para fazer sua inscrição, que a partir deste ano passou a ser feita somente pela internet (até o ano passado, a inscrição também podia ser feita em agências dos Correios). A lentidão na página eletrônica do programa foi tanta que a direção do Inep foi obrigada a prorrogar por 48 horas o término do prazo de inscrição. Durante 35 dias, foram registrados quase 7 milhões de acessos. Para o MEC, muitos estudantes deixaram para se inscrever no último dia, o que teria sobrecarregado o site do Enem. Outro fator apontado para a não confirmação das estimativas do MEC para o número de inscritos foram as mudanças efetuadas na estrutura e no conteúdo da prova, que a tornarão mais complexa e analítica, permitindo uma avaliação mais rigorosa das competências e das habilidades dos candidatos. Como essas alterações só foram divulgadas no final do primeiro semestre, muitos estudantes reclamaram das alterações com o “jogo em andamento”, optando por fazer o Enem a partir de 2010, já preparados para o novo formato do teste. No Enem de 2009, o número de inscritos cresceu em todas as unidades da Federação, com exceção de São Paulo e de Roraima. A queda de 5,45% nas inscrições de candidatos de São Paulo está sendo atribuída pelos especialistas ao fato de as universidades federais não terem no Estado a mesma importância que têm nas demais regiões do País. Em São Paulo, as três universidades públicas mais procuradas – a USP, a Unicamp e a Unesp – não aceitaram converter o Enem de 2009 como prova única ou primeira fase de seus exames vestibulares, como ocorre com vários cursos da Universidade Federal do ABC, da Universidade Federal de São Paulo e da Universidade Federal de São Carlos. Isso, contudo, em nada compromete o Enem, que é, 11 anos após sua criação, um dos mais bem-sucedidos mecanismos de avaliação escolar já adotados no País.



Cursinhos perdem até 80% dos alunos  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 27/07/09)

Com apogeu nos anos 70 e 80, quando eram uma etapa quase indispensável para os que tinham o objetivo de seguir estudos universitários, os cursinhos encolheram. Inexistem estatísticas oficiais sobre o setor, mas, após ouvir professores, empresários e consultores, a Folha apurou que os pré-vestibulares perderam de 70% a 80% das matrículas na comparação com a fase áurea. O encolhimento é apenas a manifestação econômica da cultura que se constituía em elogio do saber enciclopédico, do chamado decoreba. Acabaram-se as aulas-show, em que professores inventavam paródias musicais para alunos memorizarem equações da cinemática, doenças causadas por protozoários, elementos químicos halógenos ou o número de pés no filo dos artrópodes. Dono de uma consultoria educacional, Maurício Costa Berbel, aponta algumas causas. “Uma delas, certamente, foi o fato de os vestibulares das principais universidades e o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) terem aposentado a ideia de que o melhor candidato a uma vaga no ensino superior seja aquele com mais capacidade de memorização.” Em vez disso, passou-se a valorizar o raciocínio e a transdisciplinaridade “e essa é uma característica difícil de ser aprimorada em classes com mais de cem alunos, como era comum nos principais cursinhos”, afirma o consultor. Mas o fator principal da queda foi a proliferação dos cursos superiores particulares, que teve início em meados dos anos 90. Para dar uma ideia do tamanho da ampliação, há hoje 2.200 instituições de ensino superior nas quais ingressam por ano quase 1,5 milhão de alunos. No início dos anos 1970, as não mais de 200 universidades ofereciam 80 mil vagas por ano. Realistas, alunos menos preparados se deram conta de que dificilmente entrariam nas disputadíssimas vagas de universidades públicas; era melhor ir direto para uma faculdade particular e poupar seis meses ou um ano de mensalidade de cursinho, afirma Berbel. Sintomaticamente, foram as turmas do período noturno, aquelas frequentadas pelo público obrigado a trabalhar durante o dia, as que mais sofreram com a mudança. Vários cursinhos já nem oferecem essa opção. Em 2005, veio o ProUni (Programa Universidade para Todos), o qual, ao conceder vagas gratuitas em faculdades privadas para alunos de baixa renda, ampliando ainda mais a possibilidade de acesso ao ensino superior, trouxe mais dificuldades aos cursinhos. Desde sua criação, o ProUni já ofereceu 888 mil bolsas. Outro fator que contribuiu para a queda foi o advento dos chamados “cursinhos populares”, a partir dos anos 90. Gratuitos ou com mensalidades que chegam a 1/ 10 do cobrado pelos tradicionais, eles geraram uma guerra de preços que acabou canibalizando o setor. Quem ainda se dá bem no negócio dos cursos pré-vestibulares acabou reduzindo o número e o tamanho das turmas, focando-se em um público abonado, disposto a lutar por disputadíssimas vagas das melhores instituições, como medicina, engenharia e direito das universidades públicas. Jorge Ovando, gerente de marketing do Intergraus -900 alunos por ano, anuidades que em alguns cursos ultrapassam os R$ 10 mil-, explica que a aposta do grupo é em classes pequenas, extensas cargas horárias (mais de 44 horas por semana), tratamento personalizado. Opção idêntica fez, por exemplo, o curso Poliedro. Esse movimento não significa que os grupos empresariais que mantinham os cursinhos estejam em extinção. Ao longo das últimas três décadas eles diversificaram suas atividades. Boa parte se expandiu para atender também o ensino médio e o fundamental. Alguns se tornaram universidades (são de proprietários de antigos cursinhos algumas das maiores universidades do país). Exemplo disso é a Unip, que nasceu do cursinho Objetivo, com suas 130 mil matrículas (a USP tem 86 mil). Procurado pela reportagem para falar sobre o encolhimento do cursinho, o Objetivo não quis se pronunciar.

Sob críticas, Enem ainda é aprimorado  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 27/07/09)

Bolado pelo MEC como forma de avaliar escolas e selecionar alunos para faculdades -pretende-se que substitua os vestibulares-, o Enem está longe de ser uma unanimidade. Nicolau Marmo, coordenador do Anglo Vestibulares, diz que o exame “está errado”. Como tem muitos propósitos, acaba não servindo especificamente para nada. “Não faz uma coisa nem outra”, diz. Há, ainda, o risco de fraudes, que cresce à medida em que o exame ganha aceitação em faculdades mais concorridas. A prova terá de ser distribuída para 4,5 milhões de alunos em todo o país. “O Enem é uma obra em andamento.” É assim que Reynaldo Fernandes, presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o órgão incumbido de preparar o exame, defende-o das críticas mais ácidas. Fernandes diz que a possibilidade de fraude é uma das grandes preocupações do Inep. Para tentar assegurar o sigilo do exame, está previsto isolar a gráfica com agentes da Polícia Federal enquanto os testes são impressos e retardar ao máximo seu envio para os locais de prova -operação a ser feita com carros-fortes. Segundo Fernandes, é preciso diferenciar a “cola” do vazamento: enquanto a primeira tem efeitos em geral autolimitados, o segundo pode ser devastador, em especial se ocorrer mais de 24 horas antes da hora da prova. Embora o exame deste ano tenha apenas uma prova (apresentada em várias versões, em que a ordem das perguntas é embaralhada), a ideia é que as próximas edições contem com diversos modelos, nos quais as questões não sejam as mesmas. Segundo o presidente do Inep, um exame com várias dezenas de provas diferentes distribuídas aleatoriamente seria, para efeitos práticos, inviolável.

Segredo do novo exame é o modelo matemático (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 27/07/09)

O segredo por trás do novo Enem é um modelo matemático que atende pelo nome de Teoria de Resposta ao Item (TRI). Desenvolvida nos anos 50 e 60, a TRI promete testes mais refinados, que permitem comparar alunos submetidos a provas diferentes e a performance de uma mesma instituição ao longo dos anos. É a metodologia usada em provas já consagradas como o SAT (o Enem dos EUA) e o Pisa (usado para comparar sistemas de ensino de diferentes países). A ideia central é que cada questão ou item possui duas características especialmente relevantes: o grau de dificuldade e o de discriminação.

Parâmetros
Se a pergunta for fácil, será respondida por quase todos os que estão mais preparados e por parte dos que se mostram menos preparados; se for difícil, será respondida somente por alguns dos mais hábeis.Já a discriminação traduz a eficácia com que o item distingue entre os mais e os menos competentes. O que a TRI faz é reunir esses dois parâmetros em um modelo matemático que permite atribuir a cada candidato uma pontuação que leva em conta não só os acertos como também o grau de dificuldade de cada questão e a coerência nas respostas. Com isso, nem todos os estudantes recebem os mesmos pontos pelos mesmos acertos. Um aluno que acertar uma questão difícil, sem ter resolvido um número razoável de outras mais fáceis, receberá por aquele acerto uma pontuação menor do que o aluno que tenha demonstrado coerência ao longo de toda a prova. Evidentemente, o sistema precisa ser calibrado tanto para o grau de dificuldade como para o de discriminação de cada item. Uma série de testes com alunos de faculdade e das séries iniciais do ensino médio permitirá que o MEC forme grandes bancos de questões. A própria sucessão de exames refinará ainda mais o sistema.



Reta final: guia para a prova do Enem 2009  (Veja.Com – Educação – 24/07/09)

A pouco mais de dois meses do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), VEJA.com traz aos estudantes um guia esclarecedor sobre a prova, que pretende desanuviar o horizonte dos alunos. As reportagens, depoimentos e vídeos dão conta da comparação entre o antigo e o novo formato do Enem, explicam o caminho que o estudante deve percorrer para usar o resultado da prova no acesso às universidades federais e apresentam dicas de professores: como se organizar para realizar o exame, como fazer uma boa redação e como resolver questões com gráficos ou tabelas – três dos grandes obtáculos. Além disso, estudantes que já realizaram a velha prova – e também simulados da nova – falam sobre suas impressões. Nos dias 3 e 4 de outubro, 4,5 milhões de estudantes de todo o país irão enfrentar a prova – principal avaliação brasileira do conhecimento adquirido pelos alunos que encerraram o ensino médio. Além do novo formato (veja quadro a seguir), o exame ganhou mais atenção porque seu resultado funcionará como nota de acesso a 22 universidades federais do país – além de complementar a média do vestibular de outras instituições federais e mais de mil particulares. Héliton Ribeiro Tavares, diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, diz que, apesar das mudanças, o exame continuará explorando a capacidade de os alunos solucionarem questões interdisciplinares – ou seja, que envolvam saberes ligados a mais de uma disciplina escolar. Ele esclarece ainda a maior dúvida do estudante: o exame ficou mais difícil? “Aumentamos o número de questões e, é claro, colocaremos itens mais difíceis, mesmo que em menor número, para obter uma nota mais precisa do candidato”.