28/04/2009 / Em: Clipping

 


Federais terão até 8 de maio para optar ou não por novo ENEM como vestibular   (UOL – Educação – 27/04/09)

As universidades federais têm até 8 de maio para decidir se vão ou não aderir ao novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A informação é da Assessoria de Imprensa do MEC (Ministério da Educação). Se optarem pela nova avaliação, as instituições de ensino deverão também informar em qual formato vão participar. O MEC definiu que as quatro formas de participação das universidades serão as seguintes:

1- usar o Enem como prova única para a seleção de ingresso;
2- substituir apenas a primeira fase do vestibular pelo Enem;
3- combinar a nota do Enem com a nota do vestibular tradicional. Nesta modalidade, a universidade fica livre para decidir um percentual do Enem que será utilizado na média definitiva;
4- usar o Enem como fase única apenas para as vagas ociosas da universidade.



Universidades devem definir opção por novo Enem até dia 8   (Ministério da Educação – 27/04/09)

As universidades federais têm prazo até 8 de maio para informar ao Ministério da Educação sua forma de participação no novo Enem. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 27, pela secretária de educação superior, Maria Paula Dallari Bucci, durante o seminário Acesso à universidade pública, gratuita e de qualidade, realizado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em Brasília.  O Ministério prevê a aplicação do exame em todo o país no início de outubro. Para isso, espera que todas as instituições federais de ensino superior façam sua opção, caso participem do modelo, até o dia 8. A intenção é construir um mapa das universidades participantes para organizar a aplicação da prova. Proposto pelo ministério como forma de acesso ao ensino superior, em substituição aos atuais vestibulares, o novo Enem foi discutido com membros da Andifes e sua forma de utilização, reformulada. Atualmente, as universidades que decidirem usá-lo terão quatro possibilidades: o Enem como fase única; como primeira fase; como fase única para as vagas remanescentes do vestibular; ou combinado ao atual vestibular da instituição. Neste último caso, a universidade definirá o percentual da nota do Enem a ser utilizado para a construção de uma média junto com a nota da prova do vestibular. Cada uma das 55 universidades federais poderá escolher de que maneira utilizará o novo Enem em seu processo seletivo. As instituições poderão mudar a forma de utilização do exame de um ano para o outro ou optar por mais de um modo de participação, de acordo com o curso pretendido pelo candidato. Por exemplo, a mesma universidade poderá usar o Enem como única possibilidade de ingresso à maioria dos cursos e como primeira fase para cursos que exijam provas de aptidão. O seminário Acesso à universidade pública, gratuita e de qualidade reúne até terça-feira, 28, no Hotel Nacional, em Brasília, dirigentes universitários, pró-reitores de graduação e membros de comissões permanentes de vestibular.



MEC amplia prazo para universidades aderirem ao novo vestibular  (Globo.Com – G1 Vestibular – 27/04/09)

A secretária de ensino superior do Ministério da Educação, Maria Paula Bucci, anunciou nesta segunda-feira (27) que as universidades terão mais prazo para aderir à unificação do vestibular em todo país por meio da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).  A data limite para comunicar ao MEC o interesse no novo modelo era até o próximo dia 30. Mas, como nem todas as instituições conseguiram uma resposta dos seus conselhos universitários e muitas ainda têm dúvidas sobre o novo modelo o MEC resolveu ampliar o prazo de adesão até o fim da primeira semana de maio.  “Nós estamos ampliando o prazo até o final da primeira semana de maio, porque as universidades ainda estão debatendo o tema”, explicou. Mais cedo, ela havia revelado que cerca de 20 instituições já aderiram o novo modelo.  Maria Paula participou nesta segunda-feira de um debate organizado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) para tirar dúvidas sobre a nova proposta. A secretária negou que a ampliação do prazo tenha a ver com aos questionamentos feitos pelo Fórum Brasileiro de Pró-Reitores de Graduação (Forgrad). Ela disse que temas como a segurança das provas e a mobilidade dos alunos no novo sistema serão levados em conta pelo MEC e que as críticas não impedem a implantação de um sistema de avaliação unificado ainda neste ano.



Ao menos 25 das 55 federais devem adotar o novo Enem (Folha Online – Educação – 28/04/09)

Ao menos 25 das 55 universidades federais deverão usar o novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), previsto para outubro, como forma de seleção de seus alunos. Dessas, 14 tendem a utilizar somente o Enem para selecionar os estudantes. É o que mostra levantamento da Folha.  Essa é uma das quatro alternativas para o novo Enem estabelecidas pelo MEC. As outras são: usar o exame como primeira fase da seleção (escolha feita por três universidades); usar a nota na prova para atribuir um percentual na avaliação final dos candidatos (opção de cinco delas); e usá-lo para preencher vagas remanescentes (escolha da UFSM, no RS).  Outras duas optaram por um misto das alternativas. A Unifesp usará o Enem para todos os cursos, mas alguns poderão fazer segunda fase. E a UFBA fará vestibular para alguns cursos e só Enem para outros. Nas 25 universidades, serão disputadas ao menos 80 mil vagas.  O prazo final para adesão ao novo Enem é 8 de maio. Um encontro do MEC com reitores das federais, em Brasília, discute o sistema unificado de seleção. O evento termina hoje. O novo Enem terá 200 questões, sobre quatro áreas de conhecimento (linguagens e códigos, ciências humanas, ciências da natureza e matemática). A prova será em dois dias. As decisões de aderir ou não ao novo Enem deverão ser tomadas pelas universidades após o encontro. O levantamento da Folha mostra que a proposta do MEC teve boa aceitação, afirma Reynaldo Fernandes, presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).



Novo vestibular, novos problemas (Diário de Cuiabá – Artigo – 28/04/09)

Pela quarta vez, falarei do vestibular unificado. Ao MEC, isso é necessário porque “os vestibulares são muito conteudísticos”; e suas questões “não são inteligentes”, precisando, pois, obter sintonia entre o que se pergunta com o que se vê no ensino médio. Eis o problema: pesquisas do próprio governo comprovam que nos níveis antecedentes ao superior, pouca se ensina. Faltam condições para isso: os salários são indignos, a carga de trabalho é excessiva e as orientações pedagógicas são desastrosas. Antes de tudo, um pouco de história: esta não é a primeira vez que o MEC tenta mudar o vestibular, escamoteando a má qualidade na base do ensino. Há menos de duas décadas, os vestibulares das federais eram eliminatórios. Resultado: sobravam vagas. Hoje, como o nível é ainda pior, basta não zerar para se classificar. Se os vestibulares fossem eliminatórios, não seria preenchida mais da metade das vagas ofertadas. Agora, outra vez, o MEC “erra” o alvo. O problema – acentuado – está no mesmo lugar: base do ensino. Além de perceber isso, sou contrário à unificação porque os pobres estão com dias ainda mais contados para o ingresso nas federais. Só entrarão pelas cotas: política já implementada alhures justamente para facilitar a aceitação da proposta. Cretinice! Assim, ricos vão deitar e rolar. No geral, estudantes do sul/sudeste ocuparão espaços privilegiados. Aos de MT – pelo baixo nível da educação por cá – só restarão universidades distantes do eixo Rio/São Paulo e cursos menos concorridos. Com exceções, a quem pretender vaga em Medicina, p. ex., pode arrumar mala e passaporte para a Bolívia. Se hoje já há forte concorrência de goianos, imagine quando tudo for unificado! Vale lembrar que Collor já tentara transformar algumas universidades em centros de excelência. O atual governo – mais ardiloso no discurso – poderá conseguir isso, contando com a ajuda de (rei)gestores. Mais: na elaboração de provas unificadas poderão se perder controle e rigor dos pares – entre si – que há nas atuais comissões elaboradoras das provas. Denúncias contra essas comissões são raras. Hoje, muitos concursos públicos já estão desacreditados no país. O vestibular poderá ter o mesmo fim. Políticos poderão intervir – sim – a favor de parentes. Como controlar isso? Como acreditar na honestidade nacionalizada? Tento. Não consigo. E os custos dos migrantes acadêmicos? Alguém crê que o governo suprirá tudo? De quanto um estudante – morando em outra cidade – precisaria para alimentação, moradia, lazer, aquisição de roupas, livros, etc? No caso da UFMT, mal se tem orçamento para manter o restaurante funcionando como está. As dependências de alojamento são ínfimas. As bolsas estudantis mais se parecem com esmolas. Logo, se a unificação ocorrer, prostituição de moças e rapazes poderá ser inevitável, a troco de sobrevivência em locus distante da família; aliás, isso já ocorre entre muitos estudantes de faculdades particulares. Assim, a criminalidade – via drogas, principalmente – terá portas mais escancaradas. A proposta do MEC, travestida de democracia, tropeça também nos PCNs (Planos Curriculares). Nesses, o regional (história, geografia, literatura…) está contemplado. Com a nacionalização do vestibular, essa vertente pedagógica – com a qual não coaduno – vai pro beleléu. É o MEC destruindo o que ele próprio já impôs, ao desconsiderar a elaboração pela sociedade civil da LDB (Lei de Diretrizes e Base) e do PNE (Plano Nacional da Educação), dos quais saíram os equivocados PCNs. Portanto, em tese, esse seria o único ponto positivo; mas a contradição do próprio governo anula a possível positividade. Na proposta do MEC há outro problema, e não solução: a possibilidade de o concorrente trocar o curso escolhido, conforme a concorrência. Isso transforma o ingresso no ensino superior – que deveria contemplar tendências acadêmicas – em um vale-tudo para entrar na universidade. Indago: o que esperar de futuros profissionais quando isso ocorre?  Enfim, há muito tempo eu não via uma proposta tão maléfica socialmente. Espero que isso seja refutado pelos meus pares (e ímpares também) na UFMT e nas outras federais.

* ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ é Dr. em Jornalismo/USP. Prof. de Literatura da UFMT