28/09/2010 / Em: Clipping

 


Movimentos estudantis: a nova militância  (O Estado de S.Paulo – Educação.Edu – 27/09/10)

O movimento estudantil no Brasil tem hoje causas tão distintas como a disputa por recursos do pré-sal, a inclusão social e a redução da tarifa de ônibus. Melhor, então, falar no plural, de movimentos estudantis. Apesar da partidarização excessiva e das contestações à liderança da União Nacional dos Estudantes, há coisas novas no front. As cotas, por exemplo, levaram à universidade um público que se mobiliza por medidas práticas, não slogans distantes. Mesmo a militância tradicional modificou seu modelo de atuação, com as redes sociais. “Eles utilizam intensivamente as novas tecnologias de informação e comunicação, que também funcionam como instrumentos de participação, mobilização e criação de identidade”, diz o pesquisador Breno Bringel, do Grupo de Estudos Contemporâneos da América Latina da Universidade Complutense de Madri. Para ele, a nova militância pode ser chamada de “geração Fórum Social Mundial” – jovens que acreditam num outro mundo possível, embora não saibam ao certo como chegar lá. “Talvez essa seja sua maior riqueza, ter diálogos diferentes da esquerda.” O atual presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, Marcelo Chilvarquer, acha que o movimento estudantil ainda é um espaço privilegiado de discussão. “Apatia é o que não tem aqui. Temos amor ao debate. É o preço da democracia.” Seu opositor nas Arcadas, Francisco Brito Cruz, da chapa Fórum de Esquerda, concorda. “É muito emocionante defender uma ideia na qual você acredita.” A USP, aliás, é um bom espelho da fragmentação do movimento. Além da chapa que comanda o Diretório Central dos Estudantes, há dezenas de correntes atuantes, como o Movimento Negação da Negação, Grupo de Mulheres Pão e Rosas, Movimento A Plenos Pulmões e Liberdade USP. Eles defendem direitos das mulheres, homossexuais e negros, um mundo mais “igualitário” e causas específicas, como a ampliação das linhas de ônibus na Cidade Universitária. Para o doutorando em Literatura Brasileira Dário Neto, de 33 anos, o espaço da militância se tornou mais plural. Engajado, ele já participou de greves na USP, mas se sentia discriminado por ser homossexual. “Aconteciam manifestações homofóbicas, piadas. Não há como lutar pela articulação do estudante se isso não leva em conta toda a sua diversidade.” Ele incentivou a criação do Prisma, grupo de discussão sobre gênero ligado ao diretório. Como Dário, membros de cada corrente tentam convencer colegas da urgência de sua causa. “É difícil envolver e organizar. Ainda há preconceito de que política é para políticos profissionais. Queremos quebrar essa visão”, diz Natalie Drummond, filiada ao PSOL e integrante da chapa Para Transformar o Tédio em Melodia, que controla o DCE. Adversário de Natalie nas últimas eleições para o diretório, o aluno de História Rodrigo Souza Neves, de 23, da Liberdade USP (antiga chapa Reconquista), vê excesso de influência partidária no DCE. “Somos a favor da democracia representativa, eles defendem o socialismo e não toleram divergências. Nós nos preocupamos com questões internas, como linhas de ônibus no câmpus. E eles, com a reforma agrária.”

O Haiti vai ser aqui  (O Estado de S.Paulo – Educação.Edu – 27/09/10)

O terremoto que destruiu o Haiti em janeiro devastou também o ensino superior do país. A tragédia provocou a morte de 2.906 alunos e 150 professores, destruição nos câmpus e dispersão na comunidade universitária, com migrações para o interior do país ou para a vizinha República Dominicana. Parte da reconstrução do cenário acadêmico será feita no Brasil, em universidades que se dispõem a receber 500 haitianos nos próximos anos.  Johny Fontaine, de 27 anos, que cursava Antropologia, é um desses haitianos que sonham em retomar a rotina estudantil. “Os alunos estão abandonados, não há professores: ou morreram ou foram para outros lugares. Está tudo parado”, lamenta. Johny, que ainda está no Haiti, só teme ser barrado pela burocracia e pelo excesso de regras do processo seletivo, que inclui uma série de exigências das faculdades daqui, como apresentar uma extensa documentação ou já ter concluído 40% do curso – ele está no último ano da graduação. “Não sei se vou conseguir, mas seria uma grande chance ir para o Brasil, com certeza.” “Pouco tempo depois do terremoto, os alunos tentaram improvisar, fizeram aulas embaixo de lonas. São pessoas esforçadas, que querem muito retomar as coisas. Eles não têm estrutura capaz de absorvê-los agora. Se ficarem ao relento como estão, correm o risco de se perder”, afirma o pesquisador Sebastião Nascimento, do Departamento de Antropologia da Unicamp. A universidade é uma das quatro instituições que já se cadastraram no programa – as outras são as Federais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Carlos. “Sem pesquisadores, professores e alunos, não há como reconstruir o país.” Pelo convênio, os estudantes devem ficar os primeiros quatro meses estudando português nas universidades. No Haiti, a língua oficial é o francês, mas a maior parte da população fala o dialeto creole. Depois, vão passar um ano em algum curso de graduação, em áreas estratégicas como Engenharia e Medicina. Nenhum dos haitianos poderá se graduar no Brasil. De acordo com o Itamaraty, a regra foi adotada para atender ao objetivo final do programa, que é dar aos alunos “maiores condições de auxiliar no desenvolvimento social e no incremento do quadro de profissionais de áreas essenciais”. Para facilitar a vida dos estudantes, as universidades brasileiras que concordaram em cooperar prometem fazer um acompanhamento bem de perto.



Educação – Atraso escolar atinge 50% dos jovens (Correio Popular – Cidades – 28/09/10)

Bruno Roberto Costa tem 15 anos e cursa a 5 série do Ensino Fundamental em uma escola pública de Campinas. Apesar do ingresso à escola na idade adequada, o jovem repetiu de ano duas vezes consecutivas e passou a fazer parte de um estatística assustadora, divulgada há duas semanas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), metade dos estudantes brasileiros com idades entre 15 e 17 anos está atrasada na escola. A faixa etária corresponde à idade regular de estudantes do Ensino Médio. Segundo o estudo, 49,1% dos brasileiros com idades entre 15 e 17 anos estão abaixo do nível escolar adequado à idade. Nas regiões Norte e Nordeste, esse índice ultrapassa os 60%. Na região Sudeste, a defasagem é de 39,5%. No Estado de São Paulo, esse número corresponde a 31,2%. Em alguns minutos parada na porta de uma escola estadual de Campinas, não foi difícil encontrar jovens com idade escolar defasada. Fábio Fernandes Cardoso, de 22 anos, cursa o 2 ano do Ensino Médio e está atrasado cinco anos com relação aos colegas de classe. “Fui reprovado três vezes. A primeira foi logo quando entrei na escola. Não sabia ler nem escrever e tive de repetir o ano”, conta. Os motivos para as reprovações seguintes foram várias, segundo ele. “Tinha muita bagunça na escola, o professor faltava frequentemente, não explicava direito e no fim do ano reprovava todo mundo. Eu não tinha vontade nenhuma de estudar”, diz. Hoje, Fábio trabalha, estuda e corre atrás do tempo perdido. “Mudei de escola, estudo no período da manhã porque acho que rende mais e evito faltar às aulas para não ser reprovado de novo e concluir o Ensino Médio”, afirma. O drama de Bruno Costa é narrado com desolação pela mãe. “Ele repetiu duas vezes seguidas na 5 série e os professores me dizem que ele corre o risco de ser reprovado pela 3 vez porque não frequenta as aulas”, conta Angelita da Costa, de 29 anos. “O sonho dele é ser veterinário, mas explico que a falta de atenção e as fugas das aulas não vão levá-lo a lugar nenhum”, completa. Pablo Henrique Siqueira Passin, de 18 anos, foi reprovado pela primeira vez no ano passado e lamenta pelo ano perdido. “Este ano já era para eu concluir, mas ainda tenho mais um ano pela frente”, diz.

Rendimento familiar

O estudo do IBGE apontou que as diferenças no rendimento familiar per capita exercem grande influência na adequação entre idade e nível de ensino frequentado. Entre os 20% mais pobres da população no País, 68% dos adolescentes de 15 a 17 não haviam alcançado o ensino médio, enquanto que entre os 20% mais ricos essa situação se aplicava a 22,1%. Já o acesso à escola nessa faixa etária é de 82,6%. A pesquisa também verificou que, em 2009, o grupo de crianças de 0 a 5 anos de idade apresentava uma taxa de escolarização de 38,1%, enquanto em 1999 essa proporção era de apenas 23,3%. Na faixa etária entre 6 e 14 anos, o estudo aponta que desde meados da década de 1990 praticamente todas as crianças brasileiras já estavam frequentando a escola. A defasagem não é tão verificada nesta faixa etária em função da progressão continuada no Ensino Fundamental, em que o aluno é aprovado com mais facilidade.  A Secretaria de Estado da Educação informou que não comenta dados divulgados pelo IBGE.

Falta de estímulo e progressão continuada em debate

Além do nível socioeconômico, os especialistas na área de educação apontam um conjunto de fatores que contribuem para a defasagem entre alunos de 15 a 17 anos, entre eles a progressão continuada. Para a coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria Márcia Sigrist Malavasi, o atraso escolar está relacionado à falta de estímulo do estudante e à baixa qualidade do ensino. “Essa faixa etária é uma das que mais abandona a escola porque o aluno precisa trabalhar e estudar, mora longe da escola, não tem dinheiro para a passagem, encontra dificuldades no ensino médio, não encontra professores para dar aula. São vários fatores que desestimulam o estudante, inclusive a sua própria permanência na escola”, afirma Márcia. De acordo com Ângela Soligo, doutora em psicologia e professora da Faculdade de Educação da Unicamp, a defasagem se torna expressiva no Ensino Médio porque no Ensino Fundamental existe a progressão continuada. “O método foi entendido e aplicado de modo que o aluno é aprovado automaticamente. Por isso, no Ensino Médio, a gente encontra analfabetos funcionais ou alunos que se deparam com uma série de dificuldades e não conseguem avançar”, explica. A necessidade de ingresso desses estudantes no mercado de trabalho e escolas precárias também são apontados como responsáveis pelo quadro. “É esse conjunto de fatores que define um cenário tão ruim. Por isso, são necessárias mudanças profundas no Ensino Médio e revisão dos princípios e práticas aplicados no Fundamental”, afirma Ângela. Segundo ela, as consequências são sérias para o aluno e para a sociedade. “O estudante vai se deparar com subempregos, vai levar mais tempo para ser aprovado no vestibular, sem falar na sensação de atraso e baixa autoestima com relação aos outros colegas. Para a sociedade é um investimento sem bons resultados”, afirma. (IM/AAN)

O NÚMERO

34.410 ALUNOS matriculados no Ensino Médio em Campinas. No Estado, esse número corresponde a 1,5 milhão de estudantes, segundo a Secretaria da Educação.



Unicamp lança livro com 30 melhores redações do vestibular 2009  (Globo On Line – Vestibular – 27/09/10)

Comentários

A Universidade Estadual de São Paulo (Unicamp) lançou nesta quinta-feira (30), um livro com as trinta melhores redações do vestibular 2009. Os contemplados irão receber um diploma de honra ao mérito, no auditório do Instituto de Física da Unicamp. A Comissão do vestibular também fará a entrega gratuita de exemplares da coletânea de redações aos representantes das escolas públicas da região de Campinas que estiverem presentes. O livro, que custa R$ 10 e tem formato de bolso, está à venda na Editora da Unicamp e pode ser comprado pelo site www.editora.unicamp.br.