29/09/2009 / Em: Clipping

 


Informática e economia são opções para matemático (O Estado de S. Paulo – Edu – 29/09/2009)

Indústria também está entre os setores que empregam profissional

NATÁLIA SOARES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Foi-se o tempo em que a única opção para quem se formava em matemática era voltar para a sala de aula como professor. Mesmo ainda tendo o magistério como principal empregador, o formado em matemática pode atuar em diferentes áreas.
O mercado financeiro é um dos setores que têm absorvido matemáticos que não pretendem seguir carreira acadêmica.
“Temos vários estudantes e ex-alunos trabalhando em bancos e instituições financeiras, justamente pela capacidade de análise que a matemática proporciona”, diz Antonio Carlos Gilli Martins, coordenador de ensino do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp.
Martins ressalta que há também oportunidades na indústria, em áreas como logística e desenvolvimento de projetos.
A coordenadora do curso do Mackenzie, Vera Azevedo, diz que essa valorização é recente, de cerca de dois anos para cá. “Cada vez mais, vemos o profissional solicitado a descrever, modelar e resolver problemas em várias áreas do conhecimento. Quem trabalha nessa área está sendo mais procurado, pois é alguém apto a gerar soluções em economia, na engenharia, na informática, na biologia e até mesmo nas ciências sociais”, enumera.
De acordo com ela, bacharéis com uma boa formação saem da faculdade com um salário médio de R$ 2.500 a R$ 3.000. “É um mercado bastante promissor”, acredita.
Diplomada há apenas nove meses, a matemática Nathália Irovski, 23, nunca quis ser professora. Apesar disso, concluiu a licenciatura e o bacharelado e foi efetivada como analista no banco Itaú, na área de controle e auditoria.
“Eu me encantei mais ainda com o tema quando entrei na faculdade. Lá, descobri a possibilidade de trabalhar no mercado financeiro, e uso meus conhecimentos em cálculo de índices e percentuais, análise, manipulação de tabelas e elaboração de gráficos.”
Outro setor que voltou os olhos para os matemáticos foi a computação. Os reflexos disso já podem ser observados nas graduações.
E para quem quer optar pelo magistério, a professora Maria Tereza de Lima Carvalho, coordenadora da licenciatura da Unesp de Guaratinguetá -considerada a melhor do país na área, no último Enade-, lembra que há carência de professores desde o ensino fundamental e médio até os quadros universitários.
No Mackenzie, por exemplo, a licenciatura dura seis semestres e o estudante pode concluir o bacharelado em seguida, em mais um ano de curso. Na USP e na Unicamp, quem quiser sair com as duas formações pode pedir reingresso na universidade sem ter de passar pelo vestibular, e então completar a grade específica -quem faz bacharelado cursa as disciplinas de licenciatura e vice-versa.

Na Unicamp, área é escolhida depois do vestibular

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

No bacharelado, o estudante pode optar pela formação em matemática pura ou aplicada. A primeira é mais geral. Na segunda, o aluno se especializa.
No vestibular da Fuvest, a entrada para licenciatura e bacharelado é separada. No bacharelado, é possível escolher entre matemática, matemática aplicada e ainda matemática aplicada computacional.
Na Unicamp, o chamado Cursão engloba física, matemática, matemática aplicada e computacional. A escolha por licenciatura ocorre ao final do primeiro semestre. As escolhas entre bacharelado em física, em matemática ou em matemática aplicada ocorrem ao final do terceiro semestre. É possível também prestar direto o curso noturno de licenciatura.
Antonio Carlos Gilli Martins, da Unicamp, explica que, na matemática aplicada e computacional, o estudante pode trabalhar com programação, elaboração de softwares e também com códigos de segurança.